Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Recessão e ajuste fiscal


Ricardo Lacerda

Desde 2014 as receitas públicas pararam de crescer. Entre 2004 e 2013, a receita tributaria do governo central cresceu a uma média anual de 5,7% acima da inflação. A partir de 2014 essa receita vem apresentando retração média anual de 3,3%.  A receita total do governo central cresceu notáveis 6,8% ao ano acima da inflação no primeiro período e recuou 4% na média anual desde 2014. As transferências do governo federal para estados e municípios, que haviam crescido 6,4% ao ano até 2013, estagnaram nos anos seguintes. O comportamento das receitas próprias dos estados e municípios não fugiu desse padrão.
No período de bonança, as três esferas de governo assumiram compromissos que se mostraram insustentáveis quando o vento começou a bater de proa. Os gastos não discricionários (de execução obrigatória) foram absorvendo maiores participações nas despesas primárias, comprimindo a disponibilidade de recursos para os gastos não obrigatórios, que envolvem principalmente os investimentos e as despesas para manutenção dos serviços públicos. A escalada dos juros reais somente vem agravando o quadro fiscal. Ainda que esse tema seja tabu para os analistas de mercado, não podemos deixar de destacar o peso decisivo dos juros no crescimento em espiral da dívida pública brasileira nos últimos anos.
Rigidez das despesas
Com a aprovação da lei do teto do gasto público em 2016, em um cenário de receitas rebaixadas e estagnadas, o crescimento dos gastos obrigatórios, na prática já contratado, deverá progressivamente exaurir a disponibilidade de recursos para despesas discricionárias.  
Não é problema trivial, como gostam de dizer os economistas, fazer o ajuste das contas públicas em uma situação de retração tão intensa na arrecadação. Em relação ao pico de 2013, a receita arrecadada pela Receita Federal do Brasil (RFB) apresentou perdas acumuladas de notáveis 184 bilhões de reais nos três anos seguintes, sem contar as perdas na arrecadação previdenciária causadas pelo desemprego em massa.
O sacrifício exigido à população para ajustar as contas públicas com a arrecadação rebaixada e estagnada é muito grande e pode se revelar inexequível na prática. Sem a economia, e com ela a arrecadação, voltar a crescer a taxas pelo menos moderadas o ajuste fiscal exigirá cortes de gastos de tal magnitude que é difícil imaginar capacidade política para serem executados. A situação aparenta mais surreal quando um governo central sem legitimidade e sob acusações de desvios de recursos e desmandos generalizados se arroga o direito de impor de forma arbitrária e sem pactuação social os custos elevados que o ajuste fiscal vai exigir.
A tarefa de perseguir o ajuste, como se sabe, será longa e penosa, se estendendo por muitos anos; nem mesmo os mais arraigados defensores da austeridade fiscal têm coragem de propor um choque fiscal capaz de produzir resultados imediatos, e o ajuste fiscal será impraticável politicamente sem o crescimento da arrecadação.
Dívida pública
 O efeito da recessão sobre a dívida do setor público consolidado pode ser avaliado na figura apresentada. Depois de registrar uma trajetória de forte declínio entre 2002 e 2013, período em que se retraiu de 59,93% para 30,5% do valor do PIB, essa relação cresceu em 2014 e passou a assumir uma trajetória explosiva a partir de 2015. Na comparação entre dezembro de 2013 e abril de 2017, a dívida do setor público consolidado saltou 17,17 pontos percentuais do PIB de doze meses, passando de 30,5% para 47,67% e deverá continuar a crescer nos próximos anos, ainda que em ritmo menos intenso.
É certo que a trajetória das contas públicas já dava sinais de não ser sustentável no longo prazo antes mesmo dos efeitos da recessão se manifestarem sobre a arrecadação, mas não é razoável minimizar o significado da queda das receitas sobre a nossa atual penúria fiscal.
Frente à deterioração acelerada nas contas públicas nos últimos anos, afetando as três esferas de governo, tornou-se premente encaminhar medidas voltadas para o ajuste, o que envolve tanto as despesas previdenciárias quanto outras despesas obrigatórias que asfixiam a situação fiscal dos governos. O caminho adotado pela administração federal tem sido acidentado, desleal e no mínimo pouco criterioso. Difícil imaginar que um governo atolado em denúncias e com legitimidade questionada possa levar adiante tal tarefa.


 Fonte: BCB


Publicado no jornal da Cidade, em 25/06/2017 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Perspectivas para os países exportadores de commodities

Ricardo Lacerda

Em 1997, as exportações de produtos básicos, farelo de soja e minério de ferro à frente, responderam por 27,3% da pauta exportadora brasileira, contra 55,1% das exportações de manufaturados e 16% de semimanufaturados.
Em 2014, as exportações de básicos alcançaram 48,7% do total e as de manufaturados 35,6%. A reprimarização da pauta exportadora brasileira é um fato e diz muito do processo de desindustrialização precoce que atingiu a nossa economia, à semelhança de outras nações ditas de economia emergente.
Entre 2000 e 2013, impulsionadas pelo crescimento da demanda da China por commodities alimentares e minerais, as nossas exportações de produtos básicos se expandiram notáveis 800%, quando o total das exportações nacionais apresentou crescimento de 339%.
Durante esses treze anos, entre 2001 e 2013, o valor das exportações brasileiras apresentou média de crescimento anual de 12,1%, resultado da média ponderada de 18,4% de crescimento dos produtos básicos e de 8,9% dos demais produtos.  
O sonho acabou em 2013. As exportações brasileiras recuaram 23,5% entre 2013 e 2016 e as exportações de produtos básicos, 30%, ou 35,4% se comparadas com o pico em 2011.
Preço médio
Outra forma de observar a interrupção do período de bonança do cenário externo depois de 2011 e, particularmente, após 2013, é voltando os olhos para a evolução do preço médio das exportações de produtos básicos (ver Gráfico 1). Entre 2000 e 2011, o valor médio da tonelada exportada de produtos básicos saltou de US$ 65 para US$ 274. A eclosão da crise financeira no final de 2008 provocou apenas um soluço no valor médio em 2009, que logo veio a retomar o crescimento nos anos seguintes.
Depois de 2011, o preço médio da tonelada exportada iniciou uma trajetória de declínio que somente se acentuou entre 2013 e 2016. Está então demarcado o principal fator externo no espocar da atual tragédia nacional. A resposta interna (de governo e antagonistas) a essa inversão do cenário externo é que dá conta das características e dimensão que ela vem assumindo.

Fonte: MDIC. Secex

Perspectivas dos exportadores de commodities
Na edição de junho do seu relatório Perspectivas Econômicas Globais (GEP), o Banco Mundial refere-se a uma frágil recuperação da economia mundial, com maiores incertezas em relação aos países emergentes exportadores de commodities, como o Brasil, Rússia, Ucrânia, Nigéria, Argentina, México entre outros. 

O relatório assinala que o crescimento da economia mundial estaria se firmando nesse início de 2017, registrando certa recuperação da atividade industrial e expansão do comércio global, depois de dois anos de desempenhos ruins nas transações comerciais internacionais. Entre os mercados emergentes e economias em Desenvolvimento (EMDEs), os exportadores de commodities estariam gradualmente deixando para trás os obstáculos ao crescimento, enquanto os EMDEs importadores de commodities mantêm ritmo robusto de expansão (ver Gráfico 2). 

Mesmo reconhecendo que estão presentes substantivas incertezas políticas, desde a escalada das ações terroristas a um novo ciclo de recrudescimento do populismo xenófobo e protecionista, ainda que essas expressões não constem do relatório, o Banco Mundial prevê que a economia global deverá acelerar de 2,4%, em 2016, para 2,7%, em 2017(ver Gráfico 2). Para 2018 e 2019 projeta-se crescimento global de 2,9%.

Vale observar no Gráfico 2 as diferenças entre os desempenhos das economia emergentes exportadoras de commodities, que vêm apresentando dificuldades nos últimos anos, Brasil particular mas não exclusivamente, e as economias emergentes importadoras de commodities.



Fonte. World Bank. GEP, junho de 2017
O relatório destaca que as condições financeiras internacionais permanecem favoráveis e que, apesar das incertezas políticas, a volatilidade nos mercados financeiros se mantém baixa. Um aspecto favorável às economias exportadoras de commodities é o de que o preço médio se elevou moderadamente, como pode ser constatado no preço médio das exportações de produtos primários brasileiros até maio (Gráfico 1), concorrendo para aumentar a confiança em uma gradual recuperação dos exportadores de commodities, depois de dois anos de estagnação.
Para o Brasil, o relatório reviu a projeção de crescimento para 2017 de 0,5% para 0,3%, com o consumo devendo permanecer estagnado. Para o Banco Mundial, o Brasil poderia iniciar uma lenta recuperação em 2017, mas destaca que a economia do país ainda está enredada em uma trajetória de aumento do desemprego e as questões fiscais ainda não foram suficientemente encaminhadas.

Publicado no Jornal da Cidade, em 11 de junho de 2017


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dúvidas sobre o PIB

Ricardo Lacerda*
O IBGE publicou na última quinta-feira o cálculo oficial do Produto Interno Bruto (PIB) do 1º trimestre de 2017. O resultado positivo que interrompeu a série de oito trimestres sucessivos de retração gerou mais dúvidas do que certezas sobre a evolução do nível de atividade de nossa economia.
Há suspeita de que o crescimento do PIB constatado no período seria um típico caso de falso positivo, como sugeriu o economista Flávio Serrano, em dois sentidos. Para alguns analistas, o nível de atividade não teria de fato crescido no período ou pela menos não teria crescido no ritmo estimado e a taxa encontrada seria resultante de problemas nas pesquisas setoriais de lastreiam o seu cálculo. Para a maioria dos analistas, o crescimento no 1º trimestre decorreu quase integralmente de um fato episódico, não recorrente, sem desdobramentos para os trimestres seguintes; a recuperação da produção agropecuária no início do ano, depois da forte retração em 2016 por conta da estiagem.
A posição dos analistas de mercado pode ser sintetizada na afirmativa de Serrano que "a alta do PIB no primeiro trimestre é fator pontual, não uma recuperação”. Refletindo a posição majoritária, a professora Mônica de Bolle asseverou que o crescimento de 1% do PIB brasileiro no 1º trimestre de 2017 em relação ao 4º trimestre de 2016 se deveu inteiramente à agricultura e não seria sustentável diante do agravamento da crise política que toma conta do país.
O PIB trimestral
O crescimento no PIB do 1º trimestre de 2017 em relação ao último trimestre de 2016, já com os ajustes sazonais, interrompeu o decréscimo acumulado de 8,0% desde o início de 2015. Com o resultado positivo em 1%, acumula-se agora retração de 7,1% em relação ao 4º trimestre de 2014 (ver linha dupla no Gráfico 1). 
Mas um resultado positivo depois de oito edições com taxas negativas é sempre um fato digno de atenção e quem sabe de comemoração, caso de fato sinalizasse o fim do período recessivo e o início, mesmo que gradual, da retomada do crescimento, com potencial de recuperar em algum momento do segundo semestre parcelas dos empregos perdidos nos últimos dois anos.
Há, todavia, sintomas relativamente robustos de que o crescimento de 1,0% do PIB no 1º trimestre foi episódico, não devendo se repetir nos demais trimestres do ano. Do ponto de vista setorial, a maior contribuição ao crescimento foi do setor agropecuário que teria crescido 13,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mais do recuperando o que havia perdido com a estiagem de 2015. A questão, todavia, é que a contribuição do setor para o crescimento do PIB dos próximos trimestres muito dificilmente poderá se repetir. Há ainda dúvidas também sobre o crescimento de 0,9% na atividade industrial no 1º trimestre, se não seria mais propriamente um efeito estatístico do que um dado de realidade que representasse a retomada do crescimento do setor.  As atividade de serviços apresentaram-se estagnada no 1º trimestre (taxa de 0,0%)

Fonte: IBGE.CNT
Componentes do dispêndio
Do ponto de vista dos componentes da demanda, a evolução do PIB no 1º trimestre mostrou que o poder de compra interno manteve a trajetória de declínio. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o consumo das famílias registrou queda residual de 0,1%, enquanto os investimentos na Formação Bruta de Capital Fixo continuaram despencando (-1,6%) e o consumo do governo recuou 0,6%.  Dentre os componentes de dispêndio, somente as exportações de bens e serviços contribuíram para a obtenção da taxa positiva alcançada, porquanto o incremento das importações de bens e serviços contribui negativamente no cômputo do PIB (ver Gráfico 2).
Na parte inferior do Gráfico 2, apresenta-se a taxa de crescimento dos componentes da demanda em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Nessa comparação, o consumo das famílias se retraiu 1,9%, o consumo do governo, 1,3%, e a Formação Bruta de Capital Fixa, 3,7%.
O principal sinal emitido pela publicação do PIB do 1º trimestre de 2017 parece ter sido que será necessário aguardar publicações de indicadores setoriais de meses seguintes para avaliar a real situação do nível de atividade da economia brasileira.

  


Fonte: IBGE.CNT

Publicado no Jornal da Cidade, em 04/06/2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Não vai ser a reforma trabalhista que vai tirar o país do buraco

Ricardo Lacerda

É difícil encontrar argumentos consistentes de que a reforma trabalhista possa ajudar a reverter a deterioração em curso do mercado de trabalho brasileiro. As empresas costumam contratar quando a demanda por seus bens e serviços está em elevação, como ficou cabalmente demonstrado no ciclo de expansão anterior à atual recessão. O espaço legítimo socialmente para modificações na legislação trabalhista é delimitado pela necessidade de reduzir a insegurança jurídica e, eventualmente, eliminar as rigidezes para situações muito específicas e bem delimitadas, mas jamais deveria enveredar pela precarização das garantias nas relações de contratação.  Não vai ser ampliando o fosso entre as classes sociais que serão edificadas as bases para a retomada do desenvolvimento. O que o Brasil precisa com urgência é estabelecer um novo pacto social, amplo o suficiente, que viabilize a retomada da formação de uma sociedade aberta e democrática e certamente muito menos injusta do que é. 
O IBGE publicou no último dia 18 os resultados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua- Trimestral referente a janeiro-março de 2017. A pesquisa não deixa dúvidas de que a crise do mercado de trabalho está longe de ter se dissipado; pelo contrário, os indicadores mostram deterioração adicional da situação.
Ocupação
Os indicadores de ocupação não evoluíram favoravelmente no 1º trimestre de 2017.  Na comparação com o mesmo trimestre de 2016, a população ocupada encolheu 1,9%, enquanto o emprego com carteira de trabalho no setor privado se retraiu em notáveis 3,5%. Quase 1,7 milhão de pessoas perdeu ocupação nesse período e 1,26 milhão deixou de contar com emprego com carteira assinada no setor privado. O mais grave é que o ritmo de queda da ocupação não dá mostra de arrefecimento mais significativo, nessa série que compara com o mesmo trimestre do ano anterior (ver Gráfico 1).

Fonte: IBGE. PNADc Trimestral.

Enquanto o emprego formal se retrai em ritmo acentuado, as pessoas procuram alternativas, aceitando relações contratuais sem proteção adequada: o número de trabalhadores no setor privado com carteira assinada diminui e o daqueles sem carteira registrou incremento.O contingente de trabalhadores por conta própria, que apresentou aumento significativo nas etapas iniciais da recessão, vem decaindo aceleradamente desde o segundo semestre de 2016, revelando desalento em relação a esse caminho de inserção no mercado de trabalho.
A situação do mercado de trabalho do Nordeste é particularmente mais grave. Das 1.692 mil ocupações perdidas na comparação entre o 1º trimestre de 2017 e o mesmo período de 2016, simplesmente 1.073 mil, ou 63,4% do total do país, se concentraram na região (ver Gráfico 2).
Fonte: IBGE. PNADc Trimestral.

São atividades como o cultivo da cana-de-açúcar, fabricação de produtos têxteis e construção civil que estão eliminando milhares de ocupação na região, contaminando os demais setores econômicos, sem que uma resposta apropriada tenha sido dada pelo governo federal. A eliminação de empregos na cadeia da construção civil na região assumiu dimensões catastróficas.
Desocupação
A taxa de desocupação e de subutilização da força de trabalho continuou em elevação, tanto na comparação com o trimestre setembro-dezembro de 2016, quanto em relação ao mesmo período janeiro–março de 2016.
A taxa de desocupação da força de trabalho subiu em todas as regiões. Na média do país ela alcançou 13,7%, sendo mais elevada do que a média no Nordeste (16,3%), Norte e Sudeste (14,2%) e abaixo da média nas regiões de maior peso do setor agropecuário na ocupação, Sul (9,3%) e Centro-Oeste (12,0%). A taxa de desocupação subiu em todas as 27 unidades federadas. Entre os dez estados com taxas de desocupação mais elevadas, seis integram a região Nordeste, três a região Norte e um (Rio de Janeiro), a região Sudeste. A Bahia lidera, com taxa de desocupação de 18,6%,
A chamada taxa composta da subutilização da força de trabalho (que agrega as pessoas desocupadas, aqueles que trabalham menos horas do que desejariam e os que fazem parte da força de trabalho potencial) continuou em elevação e alcançou 24,1%, na média do país e 25,6% no caso da região. Assim cerca de um em cada quatro brasileiros que fazem parte da PEA ou está desocupado ou trabalha menos do que desejaria ou está temporariamente fora do mercado de trabalho. Em alguns estados do Nordeste, como Alagoas e Bahia, esse percentual se situa em torno de 30%.
O grau de ociosidade da força de trabalho retrata não apenas uma das dimensões mais duras da recessão como também sinaliza o espaço de crescimento desperdiçado e que estaria imediatamente disponível.
Infelizmente, com o país dividido politicamente, ainda não se avista de onde virão as iniciativas para construção de um novo pacto social, amplo o suficiente para abranger a questões mais urgentes e essenciais. Não serão medidas que ampliam o apartheid que auxiliarão na saída da crise política e institucional.

Publicado no Jornal da Cidade, em 28/05/2017 



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Instabilidade política e crise econômica

Ricardo Lacerda

A equipe econômica não teve tempo de comemorar os resultados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), referente ao mês de março, e do emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do mês de abril, quando uma nova tormenta política tomou conta do país, enredando em novas denúncias de corrupção e desmando, de forma pessoal e inequívoca, o presidente da república, Michel Temer, e o senador Aécio Neves, candidato derrotado nas eleições e presidente do PSDB, partido que é o maior avalista do atual governo junto às elites empresariais, à alta classe média urbana e aos organismos financeiros internacionais.

Os efeitos de retroalimentação entre a instabilidade política e a recessão econômica vêm marcando a vida brasileira desde o final de 2014, quando a então oposição não reconheceu a vitória de Dilma Rousseff no pleito presidencial, dando início à escalada de ataques que redundou no afastamento em maio de 2016 da presidente eleita.

Depois que a esperada retomada do crescimento no segundo semestre de 2016 não se confirmou, as projeções de mercado apontavam para uma recuperação muito lenta ao longo de 2017 e crescimento moderado para 2018 e anos seguintes, de forma que somente em 2021 o PIB brasileiro recuperaria o patamar de 2014.

A nova crise política, atingindo o núcleo do poder central, parece mostrar que o arremedo de solução institucional encontrada com o afastamento da presidente eleita terá fôlego curto e resultados pífios, além de revelar um custo desmesuradamente elevado, diante da demonstração de desapreço pelos seus patrocinadores aos princípios mais elementares da democracia e do estado de direito.


Termômetro quebrado

É verdade que o crescimento alcançado pelo IBC-BR do 1º trimestre é atípico em vários sentidos. Em primeiro lugar porque resultou principalmente da mudança das metodologias da Pesquisa Mensal do Comércio e da Pesquisa Mensal de Serviços, ambas do IBGE, que afetou o cálculo de fevereiro.

Como o IBGE não fez a chamada retropolação dos resultados anteriores a janeiro de 2017 de acordo com a nova metodologia, na prática os índices dos primeiros três meses do ano do nível de atividade do setor serviços e do volume de vendas do varejo não são comparáveis com os de períodos anteriores, contaminando o cálculo do IBC-BR.  Como assinalou o economista Marcos Lisboa, em artigo publicado em 30 de abril na Folha de São Paulo, o IBGE quebrou o termômetro.

Para ilustrar a dimensão da distorção gerada pela mudança de metodologia sem atualizar os resultados anteriores é suficiente assinalar que o IBC-BR do 1º trimestre de 2017 cresceu 1,12% em relação ao 4º trimestre de 2016, na série em que os efeitos sazonais já estão descontados, muito acima do crescimento previsto pelo mercado para todo o ano de 2017, de 0,5%.  

O cálculo do crescimento do IBC-BR do 1º trimestre é inteiramente artificial. Caso repetido nos trimestres restantes do ano, o IBC-BR do 4º trimestre de 2017 apontaria para um resultado 4,56% acima do mesmo trimestre de 2016, quando a mais recente projeção de mercado é de que o PIB do último trimestre deve ficar em torno de 1,9% maior do que o equivalente de 2016. Nessa hipótese, o IBC-BR de 2017 apresentaria o crescimento fantástico de 4,1% em relação ao ano anterior, muito distante da situação real em que estamos vivendo, de uma estabilização arrastada e com recuperação muito lenta do nível de atividade e de desemprego generalizado.   

O resultado fora da linha do volume de vendas no varejo pode ser visto no indicador de janeiro, que depois foi parcialmente corrigido pelas quedas de fevereiro e março (ver Gráfico).

A geração de 59.856 empregos formais em abril é um resultado bem vindo, mas não sinaliza o início da recuperação do mercado de trabalho, depois do fechamento de 2,8 milhões de postos de trabalho nos últimos dois anos. O IBC-BR de março e o CAGED de abril são inconclusivos em relação a que estágio nos encontramos no momento em relação à estabilização e retomada da economia.  Os impactos da nova crise política sobre o nível de atividade, por sua vez, certamente não serão favoráveis, mas ainda é muito cedo para dimensioná-los. Talvez o mais importante do novo episódio que paralisa o país atualmente tenha sido o de demonstrar o elevado custo político, social e econômico de soluções institucionais artificiais, como o afastamento da presidente eleita.




Fonte: IBGE. PMC

Publicado no Jornal da Cidade, em 21/05/2017

domingo, 7 de maio de 2017

Um olhar sobre as exportações brasileiras do 1º quadrimestre de 2017

Ricardo Lacerda

O governo comemora o saldo comercial recorde obtido no 1º quadrimestre de 2017.  As exportações brasileiras entre janeiro e abril somaram US$ 68,1 bilhões, um incremento de 21,8% sobre o mesmo período de 2016. Como as importações registraram crescimento menos acentuado (de 9,5%), o saldo comercial do quadrimestre saltou de US$ 13,2 bilhões para US$ 21,4 bilhões, nessa comparação entre os primeiros quadrimestres, equivalentes a expressivos 61,3% de aumento.
A projeção de mercado mais recente, anterior à publicação do resultado oficial da balança comercial de abril, é de que as exportações brasileiras em 2017 deverão superar US$ 200 bilhões, interrompendo a trajetória de declínio que marcou os três últimos resultados anuais e reposicionando o valor exportado ao patamar de 2010. É possível que essa projeção seja revista para cima nas próximas edições do levantamento, assim como a do saldo comercial anual, de pouco mais de US$ 50 bilhões, que já o confirmaria o melhor resultado da série histórica.

Limitações
Ressaltados os aspectos positivos convém tratar das limitações do resultado alcançado. A mais óbvia é de que o incremento do valor exportado decorreu integralmente da melhoria nas cotações de alguns poucos produtos da pauta de exportações, porquanto a quantidade exportada não apresentou crescimento. O valor médio da tonelada exportada no 1º quadrimestre aumentou 23% (ver Tabela). Assim o incremento do valor exportado (de 21,8%) ficou mesmo inferior à melhoria média das cotações, o que é outra maneira de dizer que a quantidade exportada se retraiu, no caso em 0,9%.
A segunda limitação é que 93% do incremento do valor exportado no 1º quadrimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, concentraram em 15 produtos e que três produtos (minério de ferro, óleo bruto de petróleo e soja) responderam por ¾ do incremento no valor exportado. No caso do minério de ferro o valor das exportações apresentou expansão de 141,1%, como fruto do incremento de 1,8% na quantidade exportada e da melhoria da cotação do produto em 136,7%.
É uma situação bem distinta do desempenho da soja, que havia sido afetado pela estiagem do ano anterior. O incremento em 26,4% no valor exportado do produto no período resultou de incremento de 14,1% na quantidade comercializada e de 10,8% na melhoria da cotação. Na média dos 15 principais produtos exportados, cujo valor apresentou crescimento de simplesmente 45,2%, a quantidade exportada recuou 0,6%, enquanto a cotação média apresentou elevação de 46,1%. Os demais produtos que compõem a pauta exportadora registraram crescimento de apenas 2,4% no valor exportado.

Perspectivas
O desempenho exportador do Brasil permanece muito dependente do comportamento de um número muito restrito de produtos básicos ou semimanufaturados. A melhoria momentânea nas cotações de tais produtos no mercado mundial traz um alívio importante, mas não há segurança de que eles vão continuar se valorizando. Com essa vulnerabilidade, oscilações nas cotações decorrentes de mudanças nas perspectivas de crescimento da China e de alguns outros mercados essenciais fazem toda a diferença no desempenho exportador do país, enquanto a evolução da taxa de câmbio continua sendo determinada mais pelos fluxos financeiros e por seu impacto sobre os preços internos do que a partir de considerações sobre a competitividade das nossas exportações. Não vai ser ainda dessa vez que o Brasil vai voltar a contar com novo surto de crescimento impulsionado pelo drive exportador.

Tabela: Taxa de crescimento das Exportações dos Principais Produtos no Quadrimestre janeiro-abril de 2017 em relação a igual período de 2016 (em %)


Fonte: MDIC-SECEX

domingo, 30 de abril de 2017

As reformas do Governo Temer promovem regressão social inédita


Ricardo Lacerda
A sociedade brasileira assiste bestificada nesse início de ano a tramitação acelerada no congresso nacional de um conjunto de mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária que desconstrói parcela importante do projeto de país consagrado na constituição de 1988, a chamada constituição cidadã.
De chofre, o governo instituído há menos de um ano atropela ritos e direitos para entregar aos reais promotores da ruptura da normalidade democrática os resultados pelos quais o golpe parlamentar foi executado.
Intencionalmente, os setores que promovem as reformas antipopulares que corroem os direitos da cidadania confundem a urgência de enfrentar os desequilíbrios fiscais, o que é essencial para restabelecer a estabilidade macroeconômica, com medidas voltadas para que a maior parte do ônus do ajuste fiscal recaia sobre os setores mais fragilizados da sociedade. O que está em jogo nesse momento é, em parte, quem paga o pato da crise fiscal. A outra parte, mais grave, é que as reformas propostas trazem em si as bases para sustentar e ampliar por muito tempo o apartheid social em um dos países mais desiguais e injustos do mundo.
De maneira surpreendentemente sincera, o vice que tramou contra a presidente eleita revela em entrevista em rede de televisão o segredo de polichinelo, de que a presidente Dilma Rousseff foi defenestrada do poder porque não aceitara adotar o receituário elaborado, sabe-se lá por quais mãos e inspirado por quais setores de classe, tal como se apresenta no documento Uma Ponte para o Futuro, oficial e ironicamente de responsabilidade da Fundação Ulysses Guimarães, cujo o nome homenageia o maior artífice da constituição cidadã.
As reformas empurradas goela abaixo da população, que estarrecida não sabe de onde elas vêm e quem as promove, trazem à luz projeto ignominioso de sociedade, feio porque perverso, e significam uma regressão social inédita. As reformas em tramitação buscam sepultar o projeto de construção de uma sociedade mais justa e para todos os cidadãos que unificou as forças que lutaram pela redemocratização do país trinta anos atrás.
 Promessas não cumpridas
O jornal Folha de São Paulo trouxe na edição de 26 de abril matéria cobrindo o lançamento do livro O Brasil no Contexto: 1987-2017, que reúne artigos de 17 autores sobre mudanças que o país passou desde a redemocratização. O sociólogo José de Souza Martins, um dos autores, se disse frustrado pelas promessas não cumpridas e revela um desalento profundo sobre as possibilidades do país "pela primeira vez na vida [estou] sem nenhuma propensão ao otimismo". Para Martins "tínhamos [no início do período de redemocratização] alguma certeza de que mudanças seriam viáveis, mas vivemos uma série de recuos", disse.
Para o economista Antonio de Correa Lacerda, também autor do livro, alguns desses recuos são as  reformas da Previdência e trabalhista. Para Correa, o Brasil vive um momento de desmonte do projeto de sociedade previsto na Constituição de 1988.
As reformas
As mudanças na regulamentação das relações de trabalho, já aprovadas pela câmara dos deputados e que seguem agora para deliberação do senado, são, no nosso entender, mais reveladoras do ranço antissocial que motiva a reação das elites do país à agenda inclusiva pactuada no período imediato da redemocratização. A pretexto de que se propõe modernizar as relações capital-trabalho para adequá-las aos novos tempos, a reforma trabalhista visou de fato fragilizar o lado já mais fraco da relação, para deleite pouco disfarçado das partes interessadas em que isso acontecesse.
Os setores que patrocinaram a reforma trabalhista intencionalmente também confundem a urgência de reduzir o excesso de burocracia e a insegurança jurídica reinantes, pleitos legítimos, com a motivação de rebaixar os salários e precarizar os vínculos trabalhistas. Em um momento de profunda recessão e de desespero da força de trabalho, sofismam que a redução dos direitos e flexibilização das regras concorreriam para gerar novos empregos. Da mesma forma, como sofismaram quando afirmaram que o afastamento da presidente Dilma Rousseff promoveria uma onda de confiança que teria o condão de deixar para trás o período de recessão.
Com a publicação da PNAD contínua de março ficamos sabendo que a ocupação continuou despencando no 1º trimestre de 2017 (ver Gráfico). Na comparação com o mesmo período de 2016, 1,7 milhão de pessoas perdeu a ocupação. Na comparação com o trimestre encerrada em dezembro, o contingente de pessoas ocupadas encolheu em 1,3 milhão e em dois anos de recessão (entre janeiro-março de 2017 e mesmo período de 2015), já são 3,1 milhões de ocupações a menos.




Fonte: IBGE.PNADc

Publicado no Jornal da Cidade, em 30/04/2017

domingo, 9 de abril de 2017

A questão social e industrial

Ricardo Lacerda
Durante muitas décadas ao longo do século XX o Brasil acalentou o projeto de estabelecer internamente uma estrutura industrial moderna e diversificada, a mais parecida possível com as existentes nos países de economia avançada.
O projeto industrialista, ainda que não fosse uma unanimidade entre economistas e outros especialistas de áreas afins, pois em geral confrontava as ideias consagradas nas teorias das vantagens comparativas do comércio internacional, ganhou forte adesão em parte expressiva dos países em desenvolvimento em todos os quadrantes, mas foi especialmente acalentado na América Latina.  
O projeto industrialista definitivamente não era uma jabuticaba, mais uma excentricidade tropical. Grandes nomes do pensamento econômico mundial do pós-guerra, muitos deles associados a iniciativas do Banco Mundial e demais agências multilaterais, propunham a industrialização como a estratégia mais eficaz para elevar a produtividade média da economia e para incorporar à economia de mercado um imenso contingente de força de trabalho que ainda se mantinha às margens dos benefícios do mundo moderno, auferindo parcos rendimentos em atividades de subsistências de baixíssima produtividade.
A própria ideia de construção da nação estava associada à formação de uma economia moderna que tivesse por base uma estrutura industrial diversificada e dinâmica. A expansão industrial não apenas propiciaria o crescimento do PIB como alavancaria a condição de vida da população e, em uma segunda etapa, caminharia em direção a internalização do progresso tecnológico.
Sustentava o projeto industrialista a priorização da acumulação de recursos para financiar a indústria moderna e a infraestrutura produtiva e urbana, geralmente a custa, no curto prazo, do acesso da população ao consumo e do desenvolvimento da atividade rural. Priorizava-se, pois, a acumulação comandada pela atividade urbano-industrial frente ao consumo imediato, com impactos importantes na concentração da renda interna.
Os limites do projeto industrialista
A implementação da estratégia de industrialização no Brasil nunca foi fácil. Além de confrontada pelas forças liberais, a estratégia industrialista muitas vezes foi atropelada pelo excesso de voluntarismo que recorrentemente redundava em crise no balanço de pagamentos e no descontrole de contas públicas.
Mesmo com todos os percalços, e foram muitos, a estratégia desenvolvimentista apoiada na industrialização logrou promover um crescimento médio de cerca de 7% ao ano nos três decênios que se seguiram à segunda guerra mundial e mudou radicalmente a estrutura produtiva do país.
Os limites do projeto desenvolvimentista de cunho industrialista tornaram-se patentes nos anos oitenta quando a crise do endividamento externo acompanhada pelo descontrole inflacionário retirou a autonomia dos países para conduzir suas próprias políticas de desenvolvimento.  Nos anos noventa, as mudanças na economia mundial, nos marcos do processo da abertura comercial e da globalização financeira, puseram de ponta a cabeça os projetos de desenvolvimento acalentados até então.
As mudanças na economia mundial coincidiram no tempo com um novo ciclo de redemocratização da América Latina. A priorização da formação de poupança para implementar o projeto industrialista, em geral focado na ampliação do mercado interno, foi substituída pela nova orientação de buscar a integração das economias nacionais às cadeias produtivas globais. Mas isso foi feito com um novo tipo de viés, que privilegiou o consumo e o capital financeiro frente à produção.
A desregulamentação financeira e os fluxos globais de capital, nas novas perspectivas, tonariam obsoletas as preocupações com a formação interna de capital, diante da ampla disponibilidade de recursos na economia mundial. Os projetos nacionais de desenvolvimento foram então rotulados de ultrapassados e geradores de rendas extraordinárias para grupos internos privilegiados, que auferiam os benefícios dos governos.
A busca da integração com a economia mundial veio acompanhada pela premência dos vários governos de plantão de utilizar a política cambial como instrumento de combate a inflação por meio do barateamento dos bens importados. O resultado sobre a estrutura industrial foi desastroso. Mesmo porque substituiu-se, daí por diante, a centralidade da atividade industrial para o desenvolvimento econômico pelo acesso ao capital financeiro internacional.
Recessão e aguçamento da crise industrial  
A indústria manufatureira que chegou a representar 33% do PIB brasileiro em meados dos anos oitenta encolheu para 16,8% da riqueza nacional em 1995.
Nos últimos vinte anos a questão industrial foi deixada de lado pelos governos liberais e nos governos ditos desenvolvimentistas ficou em segundo plano frente à premência de enfrentar as pressões inflacionárias adotando políticas cambiais desfavoráveis à atividade industrial. Liberais e desenvolvimentistas sacrificaram a atividade industrial e a acumulação em prol do consumo por meio de políticas cambiais populistas. Nesse quadro geral, as políticas de conteúdo nacional não eram mesmo sustentáveis, independentemente dos usos e abusos.
Com a crise recessiva dos últimos dois anos, que atingiu mais fortemente a atividade industrial, a participação da indústria de transformação no PIB caiu para meros 11,6% em 2016. A trajetória recente da indústria de transformação é a mostrada na linha pontilhada do gráfico. Mesmo que a atividade industrial venha a se estabilizar em 2017 e apresentar algum crescimento nos anos seguintes, a questão industrial no Brasil, sem trocadilho, vai continuar sendo encarada como preocupação secundária, sem perspectivas.


Fonte: IBGE. CNT

Publicado no Jornal da Cidade, em 09/04/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A economia brasileira ainda não atingiu o fundo do poço

Ricardo Lacerda

Com um atraso pouco usual, o IBGE publicou na semana passada os resultados de janeiro do nível de atividade do varejo e do setor de serviços, o que permitiu que o Banco Central calculasse o seu índice de atividade econômica referente àquele mês.  O resultado mensal continuou muito ruim. Na comparação com dezembro, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,26% em janeiro.
Se a atividade industrial dá indícios que já chegou ao fundo do poço, um buraco bem profundo convém lembrar, os níveis de atividade do varejo e das atividades de serviço continuam a declinar em ritmo acelerado.  Em janeiro, o volume de vendas no varejo registrou retração de 0,7% e o volume de serviços, de 2,2%. 
É possível inferir dos resultados dos últimos meses que os ganhos de confiança e a iniciativa concertada de disseminar otimismo após aprovação do teto do gasto federal e do início da tramitação no congresso das reformas trabalhista e previdenciária não se traduziram até o momento em impulso no nível de atividade econômica, nem mesmo lograram estabilizá-lo.
É como se a continuidade da queda do emprego e de outras formas de ocupação, a contração da massa de rendimentos e a restrição do acesso ao crédito, não somente o seu custo elevado, estabelecessem limites físicos por parte da demanda que restringem a retomada do crescimento.  Com a deterioração do mercado de trabalho ainda se dando em ritmo muito acentuado, crédito restrito e política fiscal pró-cíclica, ganhos de confiança e redução de juros podem ter eficácia limitada. A outra fonte potencial de impulso do nível de atividade, o retorno das concessões de infraestrutura, tampouco ganhou a velocidade esperada.
Isso não significa, todavia, que o nível de atividade nos próximos meses não deverá se estabilizar e passar a apresentar crescimento modesto, mas os resultados recentes revelam o quanto tem sido penosa a estabilização da economia.

Indicadores
A projeção de mercado mais recente (24 de março) é de que no 1º trimestre de 2017 o PIB estaria rodando 1% abaixo do mesmo período de 2016, depois de cair 2,5% no último trimestre, portanto um ritmo de queda inferior à metade do resultado anterior. Somente no terceiro trimestre de 2017 seria constatado crescimento nessa série que compara com igual período do ano anterior.
A evolução do ritmo queda do nível de atividade pode ser examinada também com base evolução do IBC-BR na série livre de efeitos sazonais, comparando com os trimestres imediatamente anteriores e com o trimestre móvel anterior, como apresentado no gráfico elaborado. A vantagem dessas séries é de mostrar a evolução do comportamento do indicador do nível de atividade na margem, em relação a um período anterior bem próximo, sem as desvantagens dos resultados mensais que são sujeitos a fortes flutuações. 
Nessa série livre de efeitos sazonais, o IBC-BR trimestral, depois de acentuar o ritmo de queda entre agosto em setembro do ano passado, passou a apresentar desaceleração muito suave nos resultados trimestrais seguintes (ver linha contínua). No trimestre encerrado em janeiro, o IBC-BR caiu 0,51% em relação ao trimestre anterior (agosto-outubro), mas trata-se ainda de uma intensidade de queda muito forte, acima de 2% em termos anualizados.
Na linha tracejada, que compara cada trimestre com o trimestre móvel imediatamente anterior, confirma-se o quanto está sendo penosa, com idas e voltas, a trajetória de estabilização da economia nos últimos meses. O IBC-BR do trimestre novembro de 2016 – janeiro de 2017 caiu 0,21% em relação ao trimestre outubro de 2016-dezembro de 2016, praticamente a mesma taxa de retração anterior nessa série, que já não melhora desde o trimestre encerrado e novembro.  

O setor de serviços tem apresentado uma evolução especialmente problemática, recuando em ritmo superior a 2% a cada trimestre.  De sua parte, a deterioração do mercado de trabalho também não mostra ainda sinais consistentes de arrefecimento. 

Fonte: Banco Central do Brasil


Publicado no Jornal da Cidade, em 02/04/2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

O comportamento do investimento e do consumo e as perspectivas de crescimento do PIB para 2017

Ricardo Lacerda

Quando se afirma que a economia brasileira deverá estabilizar o nível de atividade no 1º semestre e voltar a crescer na segunda metade do ano algumas qualificações são necessárias. Depois de recuar 3,8%, em 2015, e 3,6%, em 2016, as projeções do mercado e do governo para o PIB de 2017 coincidem em incremento de 0,5%, ainda que permaneçam sob forte instabilidade muitos fatores políticos e econômicos que poderão influenciar o resultado efetivo. A projeção do FMI para o crescimento da economia brasileira em 2017 é de 0,2%.
Muito se fala no carregamento estatístico (carry over) dos últimos dois trimestres de 2016 sobre o resultado anual do PIB de 2017. Isso significa que mesmo que a economia apresente algum crescimento na margem já a partir do 1º ou 2º trimestre de 2017, em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, esses resultados ainda se situarão bem abaixo dos mesmos trimestres de 2016. Já na segunda metade do ano, o carregamento estatístico será menos desfavorável ao resultado anual, porquanto os resultados do 3º e 4º trimestres de 2017 serão comparados com números mais rebaixados dos mesmos trimestres de 2016.
É por esse aspecto estatístico (mas que reflete uma realidade, sem dúvida) que o ministro Meirelles tem divulgado que no quarto trimestre de 2017 a economia brasileira deverá estar rodando alguma coisa acima de 2% na comparação com o 4º trimestre de 2016, mesmo que o incremento anual venha a ser de 0,2% a 0,5%.
Componentes do PIB
Há alguns fatores que concorrem para que a economia estanque a queda no ano de 2017, mas isso não significa que uma retomada sustentada do crescimento, mesmo que moderada, está longe de estar assegurada.  A projeção do FMI para o crescimento brasileiro dos próximos anos é de que ele não alcançará a casa de 2% até 2021, último ano para o qual a instituição apresenta simulação. Ainda assim, se a instabilidade política interna ou o cenário econômico externo não entornarem o caldo. O cenário do FMI em nada se assemelha ao otimismo disseminado pelo ministro da fazenda.
Um dos principais fatores que pode levar a economia brasileira a apresentar algum crescimento em 2017 é o comportamento do setor agropecuário, também por um viés estatístico, que não deixa também de ter uma dimensão real, mas que está longe de significar que o país reencontrou o caminho do crescimento.  
O PIB setor agropecuário despencou 6,6% em 2016, por conta dos efeitos da estiagem, notadamente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. O simples retorno da atividade agropecuária ao patamar de 2015, se o escândalo decorrente das investigações da polícia federal nos frigoríficos não prejudicar muito a produção do setor, teria o impacto de 0,48% no PIB, exatamente a projeção de mercado para o crescimento da economia em 2017.
A projeção de mercado da semana passada era de que a produção do setor agropecuário não recuperará em 2017 toda a perda de 2016 mas ficará próxima disso. A produção agropecuária deverá crescer 6%, enquanto a indústria teria um crescimento quase residual (0,8%), sobre uma base muito rebaixada, e o setor serviços ficaria próximo da estabilização, recuaria 0,12%.  
Confiança e demanda
Seja em função da recuperação da safra agrícola, seja em por conta dos efeitos positivos esperados da redução da inflação e dos juros ou dos ganhos de confiança entre as famílias e as empresas, a estabilização e o posterior incremento do nível de atividade necessariamente se traduzirão em componentes de dispêndio. Ou seja, deverão aparecer na contabilidade em termos de gastos das famílias, de despesas de investimentos das empresas ou do saldo das exportações e importações de bens e serviços com o exterior, posto que não se pode esperar impulso significativo oriundo dos dispêndios governamentais, pelo menos nas primeiras etapas do processo.
No último Relatório da Inflação do Banco Central, de 22 de dezembro de 2016, quando a instituição projetava crescimento do PIB 0,8% para 2017, os vetores de demanda que se contraporiam à continuidade da trajetória declinante do PIB estariam associados essencialmente à interrupção do declínio dos gastos das famílias e dos investimentos das empresas em capital fixo.
Depois de declinar 3,9%, em 2015, e 4,2%, em 2016 (ver Gráfico), o relatório projetava para o consumo das famílias um incremento de 0,4% em 2017. Os gastos com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que iniciaram sua trajetória de retração em 2014 e entraram em queda livre em 2015 e 2016, também se estabilizariam e apresentariam um incremento de 0,5% em 2017. As contribuições do saldo das exportações e importações de bens e serviços e dos gastos do governo não seriam muito expressivas. 
Colocados esses números, acredito que fica relativamente balizado o debate sobre as nossas possibilidades de crescimento em 2017 e mais além. Nada de espetacular no horizonte, com várias pedras no caminho.

Fonte: IBGE.

Publicado no Jornal da Cidade, em 26/03/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

As atividades econômicas que mais desempregaram no Nordeste em dois anos de crise

Ricardo Lacerda
A crise econômica derrubou o PIB brasileiro em 7,2% nos últimos dois anos e encerrou o ciclo de inclusão iniciado em 2004, que teve na maior formalização do mercado de  trabalho  um dos aspectos de maior significado econômico e social.  Na soma de 2015 e 2016, foram eliminados no Brasil 2,9 milhões de vínculos empregatícios regidos pela Consolidação das Leis Trabalhista (CLT).
A região Nordeste, a mais pobre e a segunda mais populosa do país, com uma população de 56,6 milhões de habitantes em 2015, superior a de qualquer outro país da América do Sul, perdeu nesse período 493 mil vínculos empregatícios formais (ver Tabela).
O dano inflingido ao emprego no Nordeste vai levar anos para ser compensado, em uma região em que mais de metade da força de trabalho conta com vínculos precários no mercado de trabalho. A flexibilização das leis trabalhistas em discussão no congresso nacional não irá corrigir essa situação.  
Seções de Atividades
O corte de empregos formais na região Nordeste nesses dois anos foi generalizado, abrangendo as atividades econômicas mais representativas em termos de ocupação formal. Entre as seções da Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), a construção civil liderou os cortes de emprego, 216 mil, 44% do total, como resultado do colapso que o setor enfrentou por conta da paralisia dos investimentos em obras públicas e da crise no setor imobiliário (ver Tabela). Nesses dois anos, o emprego formal nas atividades de construção na região se retraiu em 29%.
A segunda seção de atividade que mais eliminou postos de trabalho foi a indústria de transformação, que na soma dos dois anos viu serem eliminados cerca de 95 mil empregos formais, com queda no emprego em praticamente todos os seus principais subsetores de atividade.
A crise do emprego na região se estendeu entre as principais atividades comerciais e de serviços. A atividade de comércio e reparação de veículos cortou 77.6 mil postos de trabalho, sendo cerca de ¾ deles no ano de 2016.
No setor de serviços a retração de empregos formais foi generalizada, poupando apenas os segmentos de educação e saúde, entre os mais significativos.
Foram especialmente elevadas as dispensas de pessoal nas atividades profissionais e administrativas de suporte a outras atividades econômicas, sejam as vinculadas ao setor público, sejam aquelas de apoio as principais cadeias produtivas locais, desde a construção civil até a exploração de petróleo e gás. Tais atividades administrativas e profissionais congregam a maior parcela dos chamados prestadores de serviços terceirizados, e foram dispensados em massa nesses dois anos, 68,6 mil pessoas, ou 14% do total dos cortes na região.
Finalmente, cabe destacar a eliminação de postos de trabalho em dois importantes agrupamentos de atividade, o de transporte, armazenagem e correio (20,4 mil pessoas) e a de alojamento e alimentação (12,2 mil pessoas).

Tabela. Nordeste. Saldo do Emprego Formal em 2015 e 2016 (em número de pessoas)
CNAE 2.0 Seção
2016
2015
Soma 2015 e 2016
Total
-241.919
-251.260
-493.179
Agropecuária
129
-2.787
-2.658
Indústrias extrativas
-3.674
-2.298
-5.972
Indústrias de transformação
-37.654
-57.155
-94.809
Eletricidade e gás
-770
1.783
1.013
Água, esgoto, gestão de resíduos
-6.350
-1.166
-7.516
Construção
-95.247
-120.865
-216.112
Comércio, reparação de veículos
-49.401
-28.248
-77.649
Transporte, armazenagem e correio
-11.533
-8.859
-20.392
Alojamento e alimentação
-8.875
-3.310
-12.185
Informação e comunicação
-1.865
197
-1.668
Atividades financeiras
-3.020
-276
-3.296
Atividades imobiliárias
-1.345
-561
-1.906
Atividades profissionais, científicas e técnicas
-7.867
-9.380
-17.247
Atividades administrativas e serviços complementares
-23.356
-27.958
-51.314
Administração pública, defesa e seguridade social
147
-702
-555
Educação
1.242
6.221
7.463
Saúde humana e serviços sociais
9.729
5.526
15.255
Artes, cultura, esporte e recreação
233
476
709
Outras atividades de serviços
-2.102
-1.875
-3.977
Serviços domésticos
-147
-108
-255
Organismos internacionais
-193
85
-108
Fonte: CAGED. Obs: Estão marcadas as células que informam as seções da CNAE com mais de dois mil empregos eliminados.

Quais atividades
Tive a curiosidade de abrir os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, no nível de subclasses da CNAE. Esse recorte torna mais visível quais são as atividades que mais vêm sendo afetadas nesses dois anos de crise. Por uma questão de espaço a tabela não está sendo apresentada, mas ela pode ser acessada no link http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com.br/2017/03/as-atividades-economicas-que-mais.html
As Atividades de Apoio à Extração de Petróleo e Gás eliminaram diretamente cerca de 1.200 empregos formais, quase todos cortes concentrados no ano de 2016.

Na indústria de transformação, as subclasses que mais reduziram emprego foram aquelas vinculadas ao fornecimento da cadeia da construção civil e as dos segmentos sucroalcooleiros e de fabricação de calçados e de vestuário. A fabricação de vestuário eliminou 13.357 empregos formais e a de calçados sintéticos, 4.760.

Na construção civil, o corte de emprego foi generalizado e contaminou segmentos auxiliares: a fabricação de móveis de madeira cortou 2.400 empregos formais nesses dois anos; a fabricação de estruturas metálicas, outros 2.500 postos formais de trabalho a menos; e a fabricação de artefatos de cerâmica e argila, mais de 6 mil empregos extintos.

Comércio e serviços

Na medida em que a crise econômica foi se disseminando, a eliminação de postos de trabalho se estendeu em direção aos segmentos de comércio e de prestação de serviços.

No comércio varejista, o corte do emprego foi generalizado mas ele foi especialmente elevado nas atividades de varejo de móveis, materiais de construção, de vestuário e calçados e de comercialização de automóveis e de celulares e eletrônicos.

O varejo de automóveis e de motocicletas desempregou mais de 10 mil pessoas nesses dois anos. Os de calçados e vestuário, em conjunto,  mais de 17 mil. O varejo de móveis, cerca de 8 mil, e o de material de construção, 4.700.

No segmento de serviços, o transporte de cargas eliminou cerca de 6 mil empregos. Mas os transportes de passageiros também eliminaram muitos postos de trabalho. O fornecimento de alimentos preparados cortou em torno de 4 mil empregos, as lanchonetes, outros 4 mil, e os restaurantes, 7.400.

As ocupações técnicas e científicas foram fortemente atingidas, tanto as de serviços de engenharia (cerca de 10 mil empregos a menos) quanto as consultoria de gestão (2.700). Não foram poupados nem mesmo os salões de beleza, que cortaram o emprego de 1.855 cabeleireiras.


ANEXO
ANEXO. NORDESTE. SUBCLASSES DE ATIVIDADE QUE MAIS REDUZIRAM EMPREGOS FORMAIS EM 2015 E 2016*
CNAE 2.0 Seção
CNAE 2.0 Subclas
2016
2015
Total
INDÚSTRIAS EXTRATIVAS
Atividades de Apoio à Extração de Petróleo e Gás Natural
-1.171
-23
-1.194
INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO
Fabricação de Móveis com Predominância de Madeira
-1.098
-1.308
-2.406
Fabricação de Outros Artefatos e Produtos de Concreto, Cimento, Fibrocimento, Gesso e Materiais Semelhantes
-1.188
12
-1.176
Fabricação de Estruturas Metálicas
-1.326
-1.213
-2.539
Fabricação de Calçados de Material Sintético
-1.542
-3.218
-4.760
Fabricação de Aguardente de Cana-De-Açúcar
-1.821
-1.056
-2.877
Fabricação de álcool
-2.017
-599
-2.616
Fabricação de Artefatos de Cerâmica e Barro Cozido para Uso na Construção, Exceto Azulejos e Pisos
-3.595
-2.587
-6.182
Fabricação de Açúcar em Bruto
-4.163
-8.485
-12.648
Confecção de Peças do Vestuário, Exceto Roupas íntimas e as Confeccionadas Sob Medida
-5.447
-7.910
-13.357
ELETRICIDADE E GÁS
Transmissão de Energia Elétrica
-1.620
1.631
11
ÁGUA, ESGOTO, ATIVIDADES DE GESTÃO DE RESÍDUOS E DESCONTAMINAÇÃO
Tratamento e Disposição de Resíduos Perigosos
-1.277
-178
-1.455
Coleta de Resíduos Não-Perigosos
-4.272
-1.164
-5.436
CONSTRUÇÃO
Obras de Terraplenagem
-1.164
-3.042
-4.206
Obras de Fundações
-1.450
-731
-2.181
Serviços Especializados para Construção não Especificados Anteriormente
-1.577
-1.532
-3.109
Instalação e Manutenção Elétrica
-2.386
-113
-2.499
Obras de Montagem Industrial
-2.387
-164
-2.551
Construção de Obras-De-Arte Especiais
-2.430
-3.311
-5.741
Montagem de Estruturas Metálicas
-3.423
-575
-3.998
Outras Obras de Engenharia Civil não Especificadas Anteriormente
-6.705
-18.824
-25.529
Incorporação de Empreendimentos Imobiliários
-7.824
-8.954
-16.778
Construção de Edifícios
-53.690
-58.233
-111.923
COMÉRCIO, REPARAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS
Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios - Hipermercados
-1.150
1.249
99
Comércio Varejista Especializado de Equipamentos de Telefonia e Comunicação
-1.195
-500
-1.695
Comércio Varejista de Outros Produtos não Especificados Anteriormente
-1.202
-464
-1.666
Comércio Varejista de Materiais de Construção não Especificados Anteriormente
-1.408
-1.213
-2.621
Comércio Varejista de Combustíveis para Veículos Automotores
-1.431
1.102
-329
Comércio a Varejo de Motocicletas e Motonetas Novas
-1.747
-1.242
-2.989
Comércio a Varejo de Peças e Acessórios Novos para Veículos Automotores
-1.818
-1.174
-2.992
Comércio Varejista de Calçados
-2.619
-2.170
-4.789
Comércio a Varejo de Automóveis, Camionetas e Utilitários Novos
-3.028
-4.293
-7.321
Comércio Varejista de Materiais de Construção em Geral
-3.405
-1.343
-4.748
Comércio Varejista de Móveis
-4.480
-3.565
-8.045
Comércio Varejista de Artigos do Vestuário e Acessórios
-5.512
-6.873
-12.385
Comércio Varejista Especializado de Eletrodomésticos e Equipamentos de áudio e Vídeo
-6.338
-3.827
-10.165
TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E CORREIO
Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Interestadual
-1.068
-234
-1.302
Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Municipal
-1.424
-150
-1.574
Transporte Rodoviário de Carga, Exceto Produtos Perigosos e Mudanças, Intermunicipal, Interestadual e Internacional
-2.992
-3.062
-6.054
ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO
Hotéis
-1.616
1.326
-290
Fornecimento de Alimentos Preparados Preponderantemente para Empresas
-2.082
-2.089
-4.171
Lanchonetes, Casas de Chá, de Sucos e Similares
-2.275
-1.797
-4.072
Restaurantes e Similares
-3.523
-3.919
-7.442
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Telefonia Móvel Celular
-1.570
-165
-1.735
ATIVIDADES FINANCEIRAS, DE SEGUROS E SERVIÇOS RELACIONADOS
Bancos Múltiplos, com Carteira Comercial
-2.097
-890
-2.987
ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS
Atividades de Consultoria em Gestão Empresarial, Exceto Consultoria Técnica Específica
-1.257
-1.520
-2.777
Serviços de Engenharia
-4.107
-6.330
-10.437
ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES
Aluguel de Máquinas e Equipamentos para Construção sem Operador, Exceto Andaimes
-1.230
-1.042
-2.272
Seleção e Agenciamento de Mão-De-Obra
-2.999
-1.110
-4.109
Limpeza em Prédios e em Domicílios
-3.981
-8.165
-12.146
Locação de Mão-De-Obra Temporária
-4.637
-6.391
-11.028
Atividades de Vigilância e Segurança Privada
-6.483
-6.352
-12.835
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL
Administração Pública em Geral
-1.409
-704
-2.113
OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS
Cabeleireiros
-1.286
-569
-1.855

Fonte: CAGED. Obs: * Os números referem-se à movimentações informadas no prazo de declaração. As  informações fora de prazo não foram computadas nessa tabela.