Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

domingo, 9 de abril de 2017

A questão social e industrial

Ricardo Lacerda
Durante muitas décadas ao longo do século XX o Brasil acalentou o projeto de estabelecer internamente uma estrutura industrial moderna e diversificada, a mais parecida possível com as existentes nos países de economia avançada.
O projeto industrialista, ainda que não fosse uma unanimidade entre economistas e outros especialistas de áreas afins, pois em geral confrontava as ideias consagradas nas teorias das vantagens comparativas do comércio internacional, ganhou forte adesão em parte expressiva dos países em desenvolvimento em todos os quadrantes, mas foi especialmente acalentado na América Latina.  
O projeto industrialista definitivamente não era uma jabuticaba, mais uma excentricidade tropical. Grandes nomes do pensamento econômico mundial do pós-guerra, muitos deles associados a iniciativas do Banco Mundial e demais agências multilaterais, propunham a industrialização como a estratégia mais eficaz para elevar a produtividade média da economia e para incorporar à economia de mercado um imenso contingente de força de trabalho que ainda se mantinha às margens dos benefícios do mundo moderno, auferindo parcos rendimentos em atividades de subsistências de baixíssima produtividade.
A própria ideia de construção da nação estava associada à formação de uma economia moderna que tivesse por base uma estrutura industrial diversificada e dinâmica. A expansão industrial não apenas propiciaria o crescimento do PIB como alavancaria a condição de vida da população e, em uma segunda etapa, caminharia em direção a internalização do progresso tecnológico.
Sustentava o projeto industrialista a priorização da acumulação de recursos para financiar a indústria moderna e a infraestrutura produtiva e urbana, geralmente a custa, no curto prazo, do acesso da população ao consumo e do desenvolvimento da atividade rural. Priorizava-se, pois, a acumulação comandada pela atividade urbano-industrial frente ao consumo imediato, com impactos importantes na concentração da renda interna.
Os limites do projeto industrialista
A implementação da estratégia de industrialização no Brasil nunca foi fácil. Além de confrontada pelas forças liberais, a estratégia industrialista muitas vezes foi atropelada pelo excesso de voluntarismo que recorrentemente redundava em crise no balanço de pagamentos e no descontrole de contas públicas.
Mesmo com todos os percalços, e foram muitos, a estratégia desenvolvimentista apoiada na industrialização logrou promover um crescimento médio de cerca de 7% ao ano nos três decênios que se seguiram à segunda guerra mundial e mudou radicalmente a estrutura produtiva do país.
Os limites do projeto desenvolvimentista de cunho industrialista tornaram-se patentes nos anos oitenta quando a crise do endividamento externo acompanhada pelo descontrole inflacionário retirou a autonomia dos países para conduzir suas próprias políticas de desenvolvimento.  Nos anos noventa, as mudanças na economia mundial, nos marcos do processo da abertura comercial e da globalização financeira, puseram de ponta a cabeça os projetos de desenvolvimento acalentados até então.
As mudanças na economia mundial coincidiram no tempo com um novo ciclo de redemocratização da América Latina. A priorização da formação de poupança para implementar o projeto industrialista, em geral focado na ampliação do mercado interno, foi substituída pela nova orientação de buscar a integração das economias nacionais às cadeias produtivas globais. Mas isso foi feito com um novo tipo de viés, que privilegiou o consumo e o capital financeiro frente à produção.
A desregulamentação financeira e os fluxos globais de capital, nas novas perspectivas, tonariam obsoletas as preocupações com a formação interna de capital, diante da ampla disponibilidade de recursos na economia mundial. Os projetos nacionais de desenvolvimento foram então rotulados de ultrapassados e geradores de rendas extraordinárias para grupos internos privilegiados, que auferiam os benefícios dos governos.
A busca da integração com a economia mundial veio acompanhada pela premência dos vários governos de plantão de utilizar a política cambial como instrumento de combate a inflação por meio do barateamento dos bens importados. O resultado sobre a estrutura industrial foi desastroso. Mesmo porque substituiu-se, daí por diante, a centralidade da atividade industrial para o desenvolvimento econômico pelo acesso ao capital financeiro internacional.
Recessão e aguçamento da crise industrial  
A indústria manufatureira que chegou a representar 33% do PIB brasileiro em meados dos anos oitenta encolheu para 16,8% da riqueza nacional em 1995.
Nos últimos vinte anos a questão industrial foi deixada de lado pelos governos liberais e nos governos ditos desenvolvimentistas ficou em segundo plano frente à premência de enfrentar as pressões inflacionárias adotando políticas cambiais desfavoráveis à atividade industrial. Liberais e desenvolvimentistas sacrificaram a atividade industrial e a acumulação em prol do consumo por meio de políticas cambiais populistas. Nesse quadro geral, as políticas de conteúdo nacional não eram mesmo sustentáveis, independentemente dos usos e abusos.
Com a crise recessiva dos últimos dois anos, que atingiu mais fortemente a atividade industrial, a participação da indústria de transformação no PIB caiu para meros 11,6% em 2016. A trajetória recente da indústria de transformação é a mostrada na linha pontilhada do gráfico. Mesmo que a atividade industrial venha a se estabilizar em 2017 e apresentar algum crescimento nos anos seguintes, a questão industrial no Brasil, sem trocadilho, vai continuar sendo encarada como preocupação secundária, sem perspectivas.


Fonte: IBGE. CNT

Publicado no Jornal da Cidade, em 09/04/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A economia brasileira ainda não atingiu o fundo do poço

Ricardo Lacerda

Com um atraso pouco usual, o IBGE publicou na semana passada os resultados de janeiro do nível de atividade do varejo e do setor de serviços, o que permitiu que o Banco Central calculasse o seu índice de atividade econômica referente àquele mês.  O resultado mensal continuou muito ruim. Na comparação com dezembro, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,26% em janeiro.
Se a atividade industrial dá indícios que já chegou ao fundo do poço, um buraco bem profundo convém lembrar, os níveis de atividade do varejo e das atividades de serviço continuam a declinar em ritmo acelerado.  Em janeiro, o volume de vendas no varejo registrou retração de 0,7% e o volume de serviços, de 2,2%. 
É possível inferir dos resultados dos últimos meses que os ganhos de confiança e a iniciativa concertada de disseminar otimismo após aprovação do teto do gasto federal e do início da tramitação no congresso das reformas trabalhista e previdenciária não se traduziram até o momento em impulso no nível de atividade econômica, nem mesmo lograram estabilizá-lo.
É como se a continuidade da queda do emprego e de outras formas de ocupação, a contração da massa de rendimentos e a restrição do acesso ao crédito, não somente o seu custo elevado, estabelecessem limites físicos por parte da demanda que restringem a retomada do crescimento.  Com a deterioração do mercado de trabalho ainda se dando em ritmo muito acentuado, crédito restrito e política fiscal pró-cíclica, ganhos de confiança e redução de juros podem ter eficácia limitada. A outra fonte potencial de impulso do nível de atividade, o retorno das concessões de infraestrutura, tampouco ganhou a velocidade esperada.
Isso não significa, todavia, que o nível de atividade nos próximos meses não deverá se estabilizar e passar a apresentar crescimento modesto, mas os resultados recentes revelam o quanto tem sido penosa a estabilização da economia.

Indicadores
A projeção de mercado mais recente (24 de março) é de que no 1º trimestre de 2017 o PIB estaria rodando 1% abaixo do mesmo período de 2016, depois de cair 2,5% no último trimestre, portanto um ritmo de queda inferior à metade do resultado anterior. Somente no terceiro trimestre de 2017 seria constatado crescimento nessa série que compara com igual período do ano anterior.
A evolução do ritmo queda do nível de atividade pode ser examinada também com base evolução do IBC-BR na série livre de efeitos sazonais, comparando com os trimestres imediatamente anteriores e com o trimestre móvel anterior, como apresentado no gráfico elaborado. A vantagem dessas séries é de mostrar a evolução do comportamento do indicador do nível de atividade na margem, em relação a um período anterior bem próximo, sem as desvantagens dos resultados mensais que são sujeitos a fortes flutuações. 
Nessa série livre de efeitos sazonais, o IBC-BR trimestral, depois de acentuar o ritmo de queda entre agosto em setembro do ano passado, passou a apresentar desaceleração muito suave nos resultados trimestrais seguintes (ver linha contínua). No trimestre encerrado em janeiro, o IBC-BR caiu 0,51% em relação ao trimestre anterior (agosto-outubro), mas trata-se ainda de uma intensidade de queda muito forte, acima de 2% em termos anualizados.
Na linha tracejada, que compara cada trimestre com o trimestre móvel imediatamente anterior, confirma-se o quanto está sendo penosa, com idas e voltas, a trajetória de estabilização da economia nos últimos meses. O IBC-BR do trimestre novembro de 2016 – janeiro de 2017 caiu 0,21% em relação ao trimestre outubro de 2016-dezembro de 2016, praticamente a mesma taxa de retração anterior nessa série, que já não melhora desde o trimestre encerrado e novembro.  

O setor de serviços tem apresentado uma evolução especialmente problemática, recuando em ritmo superior a 2% a cada trimestre.  De sua parte, a deterioração do mercado de trabalho também não mostra ainda sinais consistentes de arrefecimento. 

Fonte: Banco Central do Brasil


Publicado no Jornal da Cidade, em 02/04/2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

O comportamento do investimento e do consumo e as perspectivas de crescimento do PIB para 2017

Ricardo Lacerda

Quando se afirma que a economia brasileira deverá estabilizar o nível de atividade no 1º semestre e voltar a crescer na segunda metade do ano algumas qualificações são necessárias. Depois de recuar 3,8%, em 2015, e 3,6%, em 2016, as projeções do mercado e do governo para o PIB de 2017 coincidem em incremento de 0,5%, ainda que permaneçam sob forte instabilidade muitos fatores políticos e econômicos que poderão influenciar o resultado efetivo. A projeção do FMI para o crescimento da economia brasileira em 2017 é de 0,2%.
Muito se fala no carregamento estatístico (carry over) dos últimos dois trimestres de 2016 sobre o resultado anual do PIB de 2017. Isso significa que mesmo que a economia apresente algum crescimento na margem já a partir do 1º ou 2º trimestre de 2017, em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, esses resultados ainda se situarão bem abaixo dos mesmos trimestres de 2016. Já na segunda metade do ano, o carregamento estatístico será menos desfavorável ao resultado anual, porquanto os resultados do 3º e 4º trimestres de 2017 serão comparados com números mais rebaixados dos mesmos trimestres de 2016.
É por esse aspecto estatístico (mas que reflete uma realidade, sem dúvida) que o ministro Meirelles tem divulgado que no quarto trimestre de 2017 a economia brasileira deverá estar rodando alguma coisa acima de 2% na comparação com o 4º trimestre de 2016, mesmo que o incremento anual venha a ser de 0,2% a 0,5%.
Componentes do PIB
Há alguns fatores que concorrem para que a economia estanque a queda no ano de 2017, mas isso não significa que uma retomada sustentada do crescimento, mesmo que moderada, está longe de estar assegurada.  A projeção do FMI para o crescimento brasileiro dos próximos anos é de que ele não alcançará a casa de 2% até 2021, último ano para o qual a instituição apresenta simulação. Ainda assim, se a instabilidade política interna ou o cenário econômico externo não entornarem o caldo. O cenário do FMI em nada se assemelha ao otimismo disseminado pelo ministro da fazenda.
Um dos principais fatores que pode levar a economia brasileira a apresentar algum crescimento em 2017 é o comportamento do setor agropecuário, também por um viés estatístico, que não deixa também de ter uma dimensão real, mas que está longe de significar que o país reencontrou o caminho do crescimento.  
O PIB setor agropecuário despencou 6,6% em 2016, por conta dos efeitos da estiagem, notadamente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. O simples retorno da atividade agropecuária ao patamar de 2015, se o escândalo decorrente das investigações da polícia federal nos frigoríficos não prejudicar muito a produção do setor, teria o impacto de 0,48% no PIB, exatamente a projeção de mercado para o crescimento da economia em 2017.
A projeção de mercado da semana passada era de que a produção do setor agropecuário não recuperará em 2017 toda a perda de 2016 mas ficará próxima disso. A produção agropecuária deverá crescer 6%, enquanto a indústria teria um crescimento quase residual (0,8%), sobre uma base muito rebaixada, e o setor serviços ficaria próximo da estabilização, recuaria 0,12%.  
Confiança e demanda
Seja em função da recuperação da safra agrícola, seja em por conta dos efeitos positivos esperados da redução da inflação e dos juros ou dos ganhos de confiança entre as famílias e as empresas, a estabilização e o posterior incremento do nível de atividade necessariamente se traduzirão em componentes de dispêndio. Ou seja, deverão aparecer na contabilidade em termos de gastos das famílias, de despesas de investimentos das empresas ou do saldo das exportações e importações de bens e serviços com o exterior, posto que não se pode esperar impulso significativo oriundo dos dispêndios governamentais, pelo menos nas primeiras etapas do processo.
No último Relatório da Inflação do Banco Central, de 22 de dezembro de 2016, quando a instituição projetava crescimento do PIB 0,8% para 2017, os vetores de demanda que se contraporiam à continuidade da trajetória declinante do PIB estariam associados essencialmente à interrupção do declínio dos gastos das famílias e dos investimentos das empresas em capital fixo.
Depois de declinar 3,9%, em 2015, e 4,2%, em 2016 (ver Gráfico), o relatório projetava para o consumo das famílias um incremento de 0,4% em 2017. Os gastos com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que iniciaram sua trajetória de retração em 2014 e entraram em queda livre em 2015 e 2016, também se estabilizariam e apresentariam um incremento de 0,5% em 2017. As contribuições do saldo das exportações e importações de bens e serviços e dos gastos do governo não seriam muito expressivas. 
Colocados esses números, acredito que fica relativamente balizado o debate sobre as nossas possibilidades de crescimento em 2017 e mais além. Nada de espetacular no horizonte, com várias pedras no caminho.

Fonte: IBGE.

Publicado no Jornal da Cidade, em 26/03/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

As atividades econômicas que mais desempregaram no Nordeste em dois anos de crise

Ricardo Lacerda
A crise econômica derrubou o PIB brasileiro em 7,2% nos últimos dois anos e encerrou o ciclo de inclusão iniciado em 2004, que teve na maior formalização do mercado de  trabalho  um dos aspectos de maior significado econômico e social.  Na soma de 2015 e 2016, foram eliminados no Brasil 2,9 milhões de vínculos empregatícios regidos pela Consolidação das Leis Trabalhista (CLT).
A região Nordeste, a mais pobre e a segunda mais populosa do país, com uma população de 56,6 milhões de habitantes em 2015, superior a de qualquer outro país da América do Sul, perdeu nesse período 493 mil vínculos empregatícios formais (ver Tabela).
O dano inflingido ao emprego no Nordeste vai levar anos para ser compensado, em uma região em que mais de metade da força de trabalho conta com vínculos precários no mercado de trabalho. A flexibilização das leis trabalhistas em discussão no congresso nacional não irá corrigir essa situação.  
Seções de Atividades
O corte de empregos formais na região Nordeste nesses dois anos foi generalizado, abrangendo as atividades econômicas mais representativas em termos de ocupação formal. Entre as seções da Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), a construção civil liderou os cortes de emprego, 216 mil, 44% do total, como resultado do colapso que o setor enfrentou por conta da paralisia dos investimentos em obras públicas e da crise no setor imobiliário (ver Tabela). Nesses dois anos, o emprego formal nas atividades de construção na região se retraiu em 29%.
A segunda seção de atividade que mais eliminou postos de trabalho foi a indústria de transformação, que na soma dos dois anos viu serem eliminados cerca de 95 mil empregos formais, com queda no emprego em praticamente todos os seus principais subsetores de atividade.
A crise do emprego na região se estendeu entre as principais atividades comerciais e de serviços. A atividade de comércio e reparação de veículos cortou 77.6 mil postos de trabalho, sendo cerca de ¾ deles no ano de 2016.
No setor de serviços a retração de empregos formais foi generalizada, poupando apenas os segmentos de educação e saúde, entre os mais significativos.
Foram especialmente elevadas as dispensas de pessoal nas atividades profissionais e administrativas de suporte a outras atividades econômicas, sejam as vinculadas ao setor público, sejam aquelas de apoio as principais cadeias produtivas locais, desde a construção civil até a exploração de petróleo e gás. Tais atividades administrativas e profissionais congregam a maior parcela dos chamados prestadores de serviços terceirizados, e foram dispensados em massa nesses dois anos, 68,6 mil pessoas, ou 14% do total dos cortes na região.
Finalmente, cabe destacar a eliminação de postos de trabalho em dois importantes agrupamentos de atividade, o de transporte, armazenagem e correio (20,4 mil pessoas) e a de alojamento e alimentação (12,2 mil pessoas).

Tabela. Nordeste. Saldo do Emprego Formal em 2015 e 2016 (em número de pessoas)
CNAE 2.0 Seção
2016
2015
Soma 2015 e 2016
Total
-241.919
-251.260
-493.179
Agropecuária
129
-2.787
-2.658
Indústrias extrativas
-3.674
-2.298
-5.972
Indústrias de transformação
-37.654
-57.155
-94.809
Eletricidade e gás
-770
1.783
1.013
Água, esgoto, gestão de resíduos
-6.350
-1.166
-7.516
Construção
-95.247
-120.865
-216.112
Comércio, reparação de veículos
-49.401
-28.248
-77.649
Transporte, armazenagem e correio
-11.533
-8.859
-20.392
Alojamento e alimentação
-8.875
-3.310
-12.185
Informação e comunicação
-1.865
197
-1.668
Atividades financeiras
-3.020
-276
-3.296
Atividades imobiliárias
-1.345
-561
-1.906
Atividades profissionais, científicas e técnicas
-7.867
-9.380
-17.247
Atividades administrativas e serviços complementares
-23.356
-27.958
-51.314
Administração pública, defesa e seguridade social
147
-702
-555
Educação
1.242
6.221
7.463
Saúde humana e serviços sociais
9.729
5.526
15.255
Artes, cultura, esporte e recreação
233
476
709
Outras atividades de serviços
-2.102
-1.875
-3.977
Serviços domésticos
-147
-108
-255
Organismos internacionais
-193
85
-108
Fonte: CAGED. Obs: Estão marcadas as células que informam as seções da CNAE com mais de dois mil empregos eliminados.

Quais atividades
Tive a curiosidade de abrir os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, no nível de subclasses da CNAE. Esse recorte torna mais visível quais são as atividades que mais vêm sendo afetadas nesses dois anos de crise. Por uma questão de espaço a tabela não está sendo apresentada, mas ela pode ser acessada no link http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com.br/2017/03/as-atividades-economicas-que-mais.html
As Atividades de Apoio à Extração de Petróleo e Gás eliminaram diretamente cerca de 1.200 empregos formais, quase todos cortes concentrados no ano de 2016.

Na indústria de transformação, as subclasses que mais reduziram emprego foram aquelas vinculadas ao fornecimento da cadeia da construção civil e as dos segmentos sucroalcooleiros e de fabricação de calçados e de vestuário. A fabricação de vestuário eliminou 13.357 empregos formais e a de calçados sintéticos, 4.760.

Na construção civil, o corte de emprego foi generalizado e contaminou segmentos auxiliares: a fabricação de móveis de madeira cortou 2.400 empregos formais nesses dois anos; a fabricação de estruturas metálicas, outros 2.500 postos formais de trabalho a menos; e a fabricação de artefatos de cerâmica e argila, mais de 6 mil empregos extintos.

Comércio e serviços

Na medida em que a crise econômica foi se disseminando, a eliminação de postos de trabalho se estendeu em direção aos segmentos de comércio e de prestação de serviços.

No comércio varejista, o corte do emprego foi generalizado mas ele foi especialmente elevado nas atividades de varejo de móveis, materiais de construção, de vestuário e calçados e de comercialização de automóveis e de celulares e eletrônicos.

O varejo de automóveis e de motocicletas desempregou mais de 10 mil pessoas nesses dois anos. Os de calçados e vestuário, em conjunto,  mais de 17 mil. O varejo de móveis, cerca de 8 mil, e o de material de construção, 4.700.

No segmento de serviços, o transporte de cargas eliminou cerca de 6 mil empregos. Mas os transportes de passageiros também eliminaram muitos postos de trabalho. O fornecimento de alimentos preparados cortou em torno de 4 mil empregos, as lanchonetes, outros 4 mil, e os restaurantes, 7.400.

As ocupações técnicas e científicas foram fortemente atingidas, tanto as de serviços de engenharia (cerca de 10 mil empregos a menos) quanto as consultoria de gestão (2.700). Não foram poupados nem mesmo os salões de beleza, que cortaram o emprego de 1.855 cabeleireiras.


ANEXO
ANEXO. NORDESTE. SUBCLASSES DE ATIVIDADE QUE MAIS REDUZIRAM EMPREGOS FORMAIS EM 2015 E 2016*
CNAE 2.0 Seção
CNAE 2.0 Subclas
2016
2015
Total
INDÚSTRIAS EXTRATIVAS
Atividades de Apoio à Extração de Petróleo e Gás Natural
-1.171
-23
-1.194
INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO
Fabricação de Móveis com Predominância de Madeira
-1.098
-1.308
-2.406
Fabricação de Outros Artefatos e Produtos de Concreto, Cimento, Fibrocimento, Gesso e Materiais Semelhantes
-1.188
12
-1.176
Fabricação de Estruturas Metálicas
-1.326
-1.213
-2.539
Fabricação de Calçados de Material Sintético
-1.542
-3.218
-4.760
Fabricação de Aguardente de Cana-De-Açúcar
-1.821
-1.056
-2.877
Fabricação de álcool
-2.017
-599
-2.616
Fabricação de Artefatos de Cerâmica e Barro Cozido para Uso na Construção, Exceto Azulejos e Pisos
-3.595
-2.587
-6.182
Fabricação de Açúcar em Bruto
-4.163
-8.485
-12.648
Confecção de Peças do Vestuário, Exceto Roupas íntimas e as Confeccionadas Sob Medida
-5.447
-7.910
-13.357
ELETRICIDADE E GÁS
Transmissão de Energia Elétrica
-1.620
1.631
11
ÁGUA, ESGOTO, ATIVIDADES DE GESTÃO DE RESÍDUOS E DESCONTAMINAÇÃO
Tratamento e Disposição de Resíduos Perigosos
-1.277
-178
-1.455
Coleta de Resíduos Não-Perigosos
-4.272
-1.164
-5.436
CONSTRUÇÃO
Obras de Terraplenagem
-1.164
-3.042
-4.206
Obras de Fundações
-1.450
-731
-2.181
Serviços Especializados para Construção não Especificados Anteriormente
-1.577
-1.532
-3.109
Instalação e Manutenção Elétrica
-2.386
-113
-2.499
Obras de Montagem Industrial
-2.387
-164
-2.551
Construção de Obras-De-Arte Especiais
-2.430
-3.311
-5.741
Montagem de Estruturas Metálicas
-3.423
-575
-3.998
Outras Obras de Engenharia Civil não Especificadas Anteriormente
-6.705
-18.824
-25.529
Incorporação de Empreendimentos Imobiliários
-7.824
-8.954
-16.778
Construção de Edifícios
-53.690
-58.233
-111.923
COMÉRCIO, REPARAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS
Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios - Hipermercados
-1.150
1.249
99
Comércio Varejista Especializado de Equipamentos de Telefonia e Comunicação
-1.195
-500
-1.695
Comércio Varejista de Outros Produtos não Especificados Anteriormente
-1.202
-464
-1.666
Comércio Varejista de Materiais de Construção não Especificados Anteriormente
-1.408
-1.213
-2.621
Comércio Varejista de Combustíveis para Veículos Automotores
-1.431
1.102
-329
Comércio a Varejo de Motocicletas e Motonetas Novas
-1.747
-1.242
-2.989
Comércio a Varejo de Peças e Acessórios Novos para Veículos Automotores
-1.818
-1.174
-2.992
Comércio Varejista de Calçados
-2.619
-2.170
-4.789
Comércio a Varejo de Automóveis, Camionetas e Utilitários Novos
-3.028
-4.293
-7.321
Comércio Varejista de Materiais de Construção em Geral
-3.405
-1.343
-4.748
Comércio Varejista de Móveis
-4.480
-3.565
-8.045
Comércio Varejista de Artigos do Vestuário e Acessórios
-5.512
-6.873
-12.385
Comércio Varejista Especializado de Eletrodomésticos e Equipamentos de áudio e Vídeo
-6.338
-3.827
-10.165
TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E CORREIO
Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Interestadual
-1.068
-234
-1.302
Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Municipal
-1.424
-150
-1.574
Transporte Rodoviário de Carga, Exceto Produtos Perigosos e Mudanças, Intermunicipal, Interestadual e Internacional
-2.992
-3.062
-6.054
ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO
Hotéis
-1.616
1.326
-290
Fornecimento de Alimentos Preparados Preponderantemente para Empresas
-2.082
-2.089
-4.171
Lanchonetes, Casas de Chá, de Sucos e Similares
-2.275
-1.797
-4.072
Restaurantes e Similares
-3.523
-3.919
-7.442
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Telefonia Móvel Celular
-1.570
-165
-1.735
ATIVIDADES FINANCEIRAS, DE SEGUROS E SERVIÇOS RELACIONADOS
Bancos Múltiplos, com Carteira Comercial
-2.097
-890
-2.987
ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS
Atividades de Consultoria em Gestão Empresarial, Exceto Consultoria Técnica Específica
-1.257
-1.520
-2.777
Serviços de Engenharia
-4.107
-6.330
-10.437
ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES
Aluguel de Máquinas e Equipamentos para Construção sem Operador, Exceto Andaimes
-1.230
-1.042
-2.272
Seleção e Agenciamento de Mão-De-Obra
-2.999
-1.110
-4.109
Limpeza em Prédios e em Domicílios
-3.981
-8.165
-12.146
Locação de Mão-De-Obra Temporária
-4.637
-6.391
-11.028
Atividades de Vigilância e Segurança Privada
-6.483
-6.352
-12.835
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL
Administração Pública em Geral
-1.409
-704
-2.113
OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS
Cabeleireiros
-1.286
-569
-1.855

Fonte: CAGED. Obs: * Os números referem-se à movimentações informadas no prazo de declaração. As  informações fora de prazo não foram computadas nessa tabela.