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domingo, 1 de junho de 2014

O PIB potencial, o hiato de produto e as perspectivas da economia mundial


Ricardo Lacerda

Ao final de 2013, completaram-se seis anos de baixo dinamismo na economia mundial. O período que seguiu à crise de 2008 ficará consagrado na história econômica como a Grande Recessão do início do século XXI. Até quando se prolongará é um das grandes incógnitas que vem assombrando o mundo.

Como se sabe, a crise atual, diferentemente da crise cambial da década de noventa, teve como epicentro as economias centrais e o seu acionamento foi motivado pelo colapso nos preços dos seus ativos, provocando um efeito em cascata que contaminou o conjunto da economia mundial.   
Por mais que os organismos internacionais procurem emitir mensagens positivas sobre o desempenho recente das economias avançadas, o ritmo de retomada do nível de atividade entre elas permanece desigual, débil e instável.

Entre 2008 e 2013, a taxa média de crescimento das economias avançadas se limitou a 0,9% ao ano. Em 2013, elas cresceram apenas 1,3%, na média, quase que repetindo o 1,4% registrado em 2012. Depois do repique de 2010, a taxa de crescimento do PIB desse grupo de países recuou ano a ano. (Ver Gráfico1).

A projeção do Fundo Monetário Internacional, em seu relatório Perspectivas da Economia Mundial, de abril, é de retomada moderada do crescimento das economias avançadas em 2014, alcançado o modesto resultado de 2,2%.



FMI. World Economic Outlook, april 2014.

Hiato de Produto

Na semana que passou, foi anunciado que o PIB norte-americano do 1º trimestre de 2014 recuou 1% em termos anualizados, comparativamente ao mesmo trimestre de 2013, quando a projeção dos analistas para esse início de 2014 era de retração bem mais moderada, de 0,1%.

A queda do PIB trimestral nos EUA foi atribuída à aceleração nas importações e à redução nos estoques acumulados nos trimestres anteriores. O resultado do 1º trimestre indica que o crescimento da produção registrado anteriormente não era tão firme quanto esperado, pois foi acompanhado por intensa formação de estoques indesejados. Depois do ajuste nos estoques, as expectativas são de que a economia norte-americana tenha retomado o crescimento no segundo trimestre.

Ainda assim, nada de espetacular deve ocorrer com aquela economia em 2014. A projeção do FMI, que poderá ser revista para abaixo por conta do resultado pífio do 1º trimestre, é de incremento de 2,8%, mesma taxa de 2012, ainda que superior ao 1,9% de 2013.

O otimismo do FMI em relação ao desempenho das economias centrais nos próximos anos assenta-se nas melhorias da situação orçamentária dos governos e das finanças do setor bancário. Segundo a instituição, é possível afirmar que riscos agudos de colapso no setor financeiro europeu foram afastados, mas os riscos ainda estão presentes.

Do ponto de vista do potencial de produção, as economias avançadas encontram-se em situação inversa a dos países em desenvolvimento. Nas primeiras persiste um amplo hiato entre o potencial produtivo e o nível de atividade que decorre da fragilidade da demanda, que foi acentuada pelas políticas fiscais restritivas. O relatório do FMI alerta para os riscos de deflação, principalmente nas economias da zona do euro, em que o hiato de produção tem resultado em taxas de inflação abaixo das metas.

PIB potencial

Os riscos para os países em desenvolvimento, inclusive para o Brasil, seriam de natureza inversa. O baixo dinamismo das economias centrais limitou o potencial de crescimento das economias emergentes, que, como resposta, buscaram a ampliação do mercado interno para continuar crescendo.

Frente à persistência das incertezas nos cenários externo e interno, a expansão da demanda por consumo não foi acompanhada na mesma intensidade pelos investimentos que propiciariam a  ampliação da capacidade produtiva.

A estratégia adotada, em um primeiro momento, resultou na ocupação dos recursos ociosos, mas rapidamente provocou pressões inflacionárias e no balanço de transações correntes, estreitando o hiato de produção, porquanto o potencial de crescimento se expandiu muito lentamente.

Em resposta aos desequilíbrios, em graus e ritmos diferentes, um grande número de países emergentes defrontou-se com a necessidade de fazer ajustes nas políticas fiscais e de juros, o que acentuou a desaceleração do crescimento já bastante fragilizado. O Gráfico 2 mostra a perda de fôlego na retomada do crescimento brasileiro desde o segundo semestre de 2013.

O Fundo Monetário Internacional argumenta que os países em desenvolvimento devem focar em reformas que propiciem o aumento da produtividade, a fim de ampliar o PIB potencial. Mas com o cenário externo ainda muito fragilizado, os limites para uma retomada do crescimento são muito estreitos.


Fonte: IBGE. Contas Nacionais Trimestrais.

Publicado no Jornal da Cidade, em 01/06/2014

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