Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O duplo efeito do investimento




Ricardo Lacerda

Dentre os componentes do crescimento da riqueza nacional, o investimento se não é o de maior peso, tem grande influência na sua evolução, na medida em que está sujeito a fortes flutuações que têm o poder de afetar o resultado global. O comportamento nervoso do investimento, que mergulha em cada momento em que motivações econômicas e políticas, de origens externas ou internas, deprimem as expectativas sobre a evolução da economia brasileira, pode ser observado no Gráfico 1, com base nas taxas acumuladas em quatro trimestres.

O volume de investimentos no Brasil despencou na esteira de cada um dos episódios turbulentos listados a seguir: em 1998, com a crise de insolvência externa do Brasil, seguida pela mudança do regime cambial no início de 1999; entre 2001 e 2003, pela combinação do apagão de energia elétrica, do temor do empresariado em relação à eleição de Lula e da instabilidade política causada pelos atentados terrorista nos EUA; e com a crise financeira internacional no final de 2008. 

Atualmente, o comportamento do investimento está sob a influência da nova crise de confiança instalada na Zona do Euro em 2011, que levou a economia mundial ao segundo mergulho, como desdobramento dos episódios de 2008 e 2009 (ver Gráfico).

Obs. Os dados de 2012 referem-se ao acumulado em quatro trimestres em no 2º trimestre de 2012.
Fonte: IBGE- Contas Trimestrais.


domingo, 4 de novembro de 2012

Infraestrutura e desenvolvimento regional




Ricardo Lacerda

Dissemina-se o sentimento de urgência em relação à necessidade de expansão dos investimentos em infraestrutura para ampliar o potencial de crescimento da economia brasileira. Depois de duas décadas de baixo dinamismo, o ciclo de crescimento iniciado em 2004 intensificou o uso das envelhecidas redes de transporte e de energia, pressionou a base instalada de telecomunicações e revelou o completo esgotamento da infraestrutura dos centros urbanos. Para o Nordeste, que sempre contou com recursos logísticos muito inferiores aos das regiões Sudeste e Sul, é ainda maior a premência em superar os gargalos e preparar a economia para um novo ciclo expansivo.

Nesse sentido, vem em boa hora o estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no âmbito do Projeto Nordeste Competitivo, que buscou identificar os investimentos prioritários em transporte e logística para os próximos oito anos. 

Partindo da constatação de que a infraestrutura de transporte do Nordeste se encontra no limite de sua capacidade, o documento Planejamento Estratégico da Infraestrutura de Transporte de Cargas da Região Nordeste prevê a necessidade de realização de investimentos da ordem de R$ 25,8 bilhões voltados para a integração dos principais sistemas produtivos da região.  O sumário executivo do relatório pode ser acessado em

Integração regional 

O planejamento do setor de transporte e logística da região tem como objetivo central integrar fisicamente os nove estados da região, com vistas a potencializar o seu desenvolvimento econômico. A iniciativa almeja ainda delimitar eixos integrados de desenvolvimento prioritários para a região. É um estudo estruturado e ambicioso, que vale a pena ser lido por quem se interessa pelas questões de desenvolvimento do Nordeste.  


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Proinveste e o desenvolvimento de Sergipe



Ricardo Lacerda

Os investimentos públicos cumprem papel destacado nas estratégias de desenvolvimento econômico e social. No ciclo desenvolvimentista iniciado no pós-guerra, a determinação de industrializar o Brasil fez com os investimentos públicos assumissem novas responsabilidades, contemplando desde a construção do chamado capital social básico (transporte, energia e telecomunicações), sem a qual o país não poderia avançar, até a atividade produtiva. Tratava-se, pois, de acelerar as condições de transformação das bases produtivas nacionais para além do que se poderia esperar pelo frio cálculo do retorno privado.

A compreensão sobre o alcance dos investimentos públicos sofreu importante inflexão nas últimas décadas, enfatizando-se o seu papel de provedor de infraestrutura para o desenvolvimento econômico sustentado e ambientalmente responsável e de promoção de políticas sociais nas áreas de educação, formação profissional, emprego e renda, saúde e habitação, destinadas à melhoria da qualidade de vida da população e que também repercutem no potencial produtivo.

A base de justificativa para a realização dos investimentos públicos é o fato de que eles podem gerar um resultado, direto e indireto, para o conjunto da economia muito superior mesmo ao da taxa de retorno financeiro do empreendimento em si. Como costumam assinalar os especialistas, em tais situações o retorno social supera o retorno privado do investimento, no sentido de que os projetos empreendidos viabilizam a aceleração do crescimento, melhoram a qualidade de vida da população, promovem mudanças estruturais e abrem oportunidade para o desenvolvimento de outras atividades.

Investimentos

O Proinveste foi concebido pelo governo federal como uma estratégia para acelerar os investimentos públicos dos estados. Foram colocados à disposição das unidades da federação recursos da ordem de R$ 20 bilhões com o propósito de ampliar o potencial de crescimento da economia brasileira, na medida em que, de um lado, os investimentos vão propiciar a ampliação da infraestrutura produtiva e urbana em todo o território nacional e, de outro lado, injetarão recursos expressivos que fomentarão a atividade econômica interna.

O Proinveste em Sergipe prevê recursos da ordem de R$ 727,3 milhões, considerados os aportes para as contrapartidas das obras do PAC, a partir de quatro componentes fundamentais:
1 – Desenvolvimento da infraestrutura urbana e de transporte, possibilitando os meios adequados para que as aglomerações urbanas continuem crescendo de forma ordenada e permitindo a implantação de novas rodovias para promover a integração das regiões do Estado;
2 – Desenvolvimento da infraestrutura produtiva dos perímetros irrigados e distritos industriais;
3 – Desenvolvimento da infraestrutura social, com foco nas políticas de saúde, educação, segurança pública, cultura e habitação de interesse social.
4 - Abertura de espaço fiscal, permitindo a amortização de operações de crédito já contratadas, em condições financeiras mais favoráveis.

Impactos

A execução desses componentes vai gerar muitos benefícios para Sergipe. Serão novas rodovias que propiciarão a integração mais rápida e com custos mais baixos da produção aos mercados, fortalecendo a economia dos munícipios, e o deslocamento mais adequado das pessoas.

As melhorias dos perímetros irrigados e dos distritos industriais concorrerão para o desenvolvimento das atividades produtivas, impulsionando a geração de emprego e a elevação da renda e do bem estar da população. Muitos investimentos se destinarão à melhoria da mobilidade e do ordenamento mais adequado dos centros urbanos, na região metropolitana e em cidades do interior.

O fato é que esses investimentos em infraestrutura e na formação profissional vão criar condições mais favoráveis para a economia sergipana, concorrendo para a elevação da produtividade agrícola e industrial, influenciando positivamente na sua competitividade.

Apenas para ilustrar, a estimativa feita com base na matriz de insumo-produto do Banco do Nordeste indica que cada R$ 1 investido em infraestrutura resulta em R$ 1,64 que é injetado na economia sergipana (já descontados os vazamentos para outros estados). Ainda devem ser somados a esses, outros benefícios derivados dos impactos do Proinveste nos estados vizinhos, que estimularão também a produção sergipana.

Com base nesta mesma metodologia, foram projetados 27 mil empregos criados direta e indiretamente pelo Proinveste. Sinceramente, não acredito que serão negados tais benefícios ao povo sergipano, em condições de crédito tão favoráveis.

Publicado no Jornal da 28/10/2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Proinveste, o investimento e o Brasil



Ricardo Lacerda

Não há muita controvérsia hoje sobre a urgência em recuperar o investimento no Brasil. Todos analistas e forças políticas, independentemente de coloração partidária, entendem que retomar os investimentos é o principal desafio que o país tem para enfrentar, sem efeitos mais dramáticos,as turbulências da economia mundial que vêm provocando desemprego em massa e perda de direitos da população nos países mais diretamente afetados pela crise financeira.

O Gráfico apresentado sintetiza a trajetória declinante do investimento brasileiro desde que o agravamento da crise na Zona do Euro gerou uma onda de pessimismo impactando esse investimento de forma direta e incisiva.  Após apresentar recuperação vigorosa na passagem de 2009 para 2010, a taxa de crescimento do investimento se manteve em patamar elevado até o 2º trimestre de 2011. Daí em diante, a reversão no cenário internacional levou o investimento a um estágio de prostração, o que tem restringido a capacidade recuperação da economia brasileira, apesar de todos os esforços envidados para estimular o consumo das famílias.  No segundo trimestre de 2012, último dado disponível, o investimento no Brasil caiu 3,7%, na comparação com o mesmo trimestre de 2011.



Fonte: IBGE. Contas trimestrais.

Um conjunto muito amplo de medidas, que incluiu a redução das taxas de juros, a mudança no patamar da taxa de câmbio, a forte redução das tarifas de energia elétrica a partir de 2013, dentre muitas outras, foi adotado com o objetivo de sinalizar para o setor privado a determinação do governo em reanimar o investimento privado, enquanto outras providências foram tomadas para impulsionar o investimento público.

No quarto trimestre de 2012, a economia brasileira já começa a se reanimar, como resultado, principalmente, dos estímulos ao consumo, projetando-se um crescimento entre 3,5% e 4% para o PIB de 2013. Mas o desafio de ampliar o investimento público e privado permanece como prioritário na agenda do desenvolvimento brasileiro.

O PROINVESTE

Não há como efetuar os investimentos públicos necessários ao desenvolvimento do país de forma centralizada em Brasília. Não é possível ampliar significativamente os investimentos na melhoria da infraestrutura econômica e social de todo o país sem contar com a capilaridade dos estados e municípios.

Estimativa elaborada pelo professor João Sicsú, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, assinala que mais de 2/3 do investimento público no país é diretamente executado pelos estados e municípios. Em 2010, estados e municípios efetuaram 71,9% dos investimentos públicos, enquanto a União respondeu por 28,1%.

No lançamento do PROINVESTE, a presidente Dilma Rousseff fez um chamamento aos 17 estados então habilitados a ampliar os investimentos públicos e, assim, ajudar na retomada da economia brasileira, aumentando o nosso potencial de crescimento e superando importantes gargalos de infraestrutura. Hoje já são 21 estados aptos a receberem recursos do BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para realizarem investimentos em estradas, hospitais, escolas técnicas, distritos industriais e melhoria na mobilidade urbana, com recursos emprestados em condições de crédito muito favoráveis.

Sergipe

O PROINVESTE, ao lado de recursos complementares para viabilizar obras do PAC, destinou R$ 727 milhões para o estado de Sergipe, que possui uma capacidade de endividamento de até R$ 1,4 bilhão. Os recursos serão utilizados em investimentos estruturantes, em construção de rodovias, urbanização, nos perímetros irrigados e distritos industriais em vários municípios, ampliando a infraestrutura produtiva necessária ao aumento da competitividade da economia sergipana.

Parcela dos recursos será destinada à infraestrutura social, nas áreas de educação, saúde e segurança públicas e outra parcela permitirá substituir uma dívida anterior que fora contratada a juros mais altos, reduzindo o ônus para o estado de Sergipe. São recursos expressivos. Os estados que ficarem de fora da operação atrasarão a modernização de suas infraestruturas e perderão atratividade em relação aos seus vizinhos.

Todos os estados convocados para esse esforço em prol do desenvolvimento do Brasil estão respondendo positivamente ao chamado da primeira mandatária do país.


*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Novas projeções para 2012 e 2013


Ricardo Lacerda

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu na semana que passou as projeções para a economia mundial em 2012 e 2013. A instituição constatou a lentidão da recuperação da economia norte-americana, a instabilidade de sua situação fiscal e as indefinições em relação a essa questão para 2013. Revelou ainda preocupações com as finanças do sistema bancário e os riscos de fuga de capitais em países na Europa e indicou que o agravamento recente do cenário europeu deverá contaminar a saúde financeira de economias emergentes. Em conjunto, apresentou um quadro de deterioração em relação a projeções feitas em relatórios anteriores para 2012, sem perspectivas de melhorias expressivas para 2013.

Surpreendentemente, considerando a postura adotada pela instituição nas crises que atingiram o terceiro mundo nos anos oitenta e noventa, o FMI tem observado que os países em posições mais críticas hoje enfrentarão enormes dificuldades para cumprir os compromissos de saneamento fiscal se medidas para reanimar suas economias não forem implementadas.

Em relação ao Brasil, especificamente, o FMI alertou, no relatório de estabilidade financeira, para os riscos de o elevado endividamento comprometer a capacidade de pagamento das famílias caso os desdobramentos da crise na Europa impactem negativamente o mercado de trabalho e os rendimentos internos. Reconhece, todavia, que o país não corre os mesmos riscos de outros países ditos emergentes no que tange à fragilidade das contas externas.

Projeções

A nova projeção do FMI é de que a economia mundial deverá crescer 3,3%, em 2012, e 3,6%, em 2013.  Apesar da desaceleração geral das taxas de crescimento nos últimos dois anos, a China e outros países emergentes continuarão empurrando para cima a média mundial enquanto as economias avançadas, muito especialmente as dos países da endividados da Zona do Euro, a puxarão para baixo.   


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Crescimento e inclusão social em Sergipe



Ricardo Lacerda

A década de 2000 marcou o reencontro da economia brasileira com o crescimento, depois dos percalços das duas décadas anteriores. Os anos oitenta foram marcados pela crise do endividamento externo e o conseqüente descontrole inflacionário e os anos noventa pela economia de baixo dinamismo, apesar da conquista da estabilização.

A trajetória da economia sergipana durante todo esse longo período não se desviou muito do comportamento geral do país. Depois de ter se arrastado nos anos noventa, registrando taxa média anual de crescimento do PIB de 2,4%, na década de 2000 o Produto Interno Bruto sergipano apresentou taxa média de crescimento de 4,3%, deixando para trás o período de baixo dinamismo.

Com a taxa média de crescimento obtida nos anos noventa, a economia sergipana somente dobraria o PIB a cada trinta anos, enquanto que a taxa média registrada na década de 2000 o duplica em dezessete anos.  
Apresentar uma taxa robusta de crescimento médio anual é requisito mas não é garantia para as conquistas sociais. Em ciclos expansivos anteriores predominaram os objetivos voltados para o desenvolvimento da base produtiva.  

Inclusão pela renda

Recentemente, publicação do IPEA caracterizou o período 2001-2011 como sendo a Década Inclusiva do desenvolvimento brasileiro, marcado que foi pelo crescimento expressivo dos rendimentos das famílias mais pobres (Comunicado IPEA 155. A Década inclusiva (2001-2011): Desigualdade, pobreza e políticas de renda, de 25 de setembro de 2012). O estudo mostra que “entre 2001 e 2011, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 16,6% em termos acumulados, enquanto a renda dos mais pobres cresceu notáveis 91,2% no período”.

Segundo o IPEA, mais da metade da melhoria da distribuição de renda no Brasil entre 2001 e 2011 se deveu à expansão do emprego de qualidade e à elevação dos salários. Mas outros fatores como a melhor cobertura de políticas sociais, como a previdência, e as transferências associadas ao programa Bolsa Família e aos Benefícios da Prestação Continuada (BPC) também foram importantes para reduzir a desigualdade e retirar milhões de brasileiros da pobreza extrema.  As regiões mais pobres apresentaram ritmo mais intenso de crescimento da renda do que as mais ricas.

Sergipe

A melhoria dos indicadores sociais em Sergipe se deveu a uma combinação do crescimento econômico com a ampliação das políticas sociais, inclusive de transferência de renda. Entre 2001 e 2009, trezentos e cinquenta e sete mil sergipanos deixaram a pobreza e entraram para Classe C, enquanto a Classe E encolhia. 

A melhoria do mercado de trabalho, com a geração de mais postos de trabalho, foi uma das principais forças inclusivas. A PNAD de 2011 revela que o número de pessoas ocupadas em Sergipe cresceu 27% na comparação com 2001, contra a média de 23% no Brasil, ambas as taxas superiores ao crescimento da população economicamente ativa. Foi o resultado mais elevado entre os estados do Nordeste. Entre 2001 e 2011, mais 204 mil pessoas passaram a ter ocupação, formal ou informal, em Sergipe.

No período mais recente, entre 2006 e 2011, os indicadores socioeconômicos de Sergipe registraram avanços significativos. Com o aumento do emprego de qualidade, a renda do sergipano se elevou.  A renda média familiar per capita de Sergipe passou a ser a mais alta do Nordeste, frente ao segundo lugar que ocupava em 2006, quando se situava atrás do Rio Grande do Norte.

O rendimento médio da família sergipana, por membro familiar, vem crescendo acima da taxa média do Brasil e do Nordeste, fazendo com que melhorasse a sua situação relativa. Enquanto em 2006 esse rendimento representava 67% da média brasileira, em 2011 ele havia subido 9 pontos e alcançado 76%.  Na comparação com o Nordeste, Sergipe que superava o rendimento médio da região em 13%, em 2006, já se situava 22% acima, em 2011 (ver Gráfico).



Fonte: IBGE-PNAD

Acesso a bens

Com mais emprego, maior estabilidade no trabalho, melhores salários, acesso ao crédito e, ao mesmo tempo, sendo beneficiários de programas sociais, mais domicílios brasileiros, notadamente aqueles situados nos estados mais pobres, passaram a contar com serviços públicos e ter acesso a bens de consumo duráveis, dados que sintetizam as novas condições proporcionadas pelo ciclo de crescimento inclusivo.

O numero de famílias sergipanas com computadores em casa e acesso a internet pulou de 71 mil para 176 mil, entre 2006 e 2011, crescimento de 149%. Eram apenas 8,5% dos domicílios em 2006 e são 26,9% em 2011. O número de domicílios com TV saltou de 524 mil para 637 mil, ou seja, o bem está presente em mais 113 mil domicílios. Mais 147 mil famílias passaram a ter acesso à geladeira. Eram 81,6% dos domicílios, em 2006, e são 93,4% em 2011. O número de famílias com máquina de lavar se restringia a 75 mil, em 2006, e passou para 178 mil, em 2011, ou seja, mais 103 mil famílias tiveram acesso ao bem, crescimento de 137%. 

Publicado no Jornal da Cidade em 07/10/2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Desenvolvimento regional para quê e para quem




Ricardo Lacerda

Em um país campeão de desigualdades regionais de desenvolvimento como o nosso devem-se louvar os esforços que vêm sendo feitos desde 2003 para retomar o planejamento regional. Naquele ano foi instituída a chamada Nova Política de Desenvolvimento Regional, que se encontra em processo de reformulação nesse momento. O caminho é árduo. Não tem sido fácil passar das intenções para as realizações e as questões atinentes ao desenvolvimento regional são muitas e de difícil encaminhamento no que tange construir consenso e angariar apoio social e político para que sejam disponibilizados recursos no montante exigido pelo desafio.

Partindo-se do princípio geral de que se deve promover a redução das desigualdades regionais emerge toda uma série de questões relativas aos objetivos e estratégias que devem ser priorizados. Destacamos dois tipos de questões: o primeiro diz respeito à necessidade de equilibrar as políticas voltadas para buscar a convergência no potencial produtivo das regiões e aquelas direcionadas a promover uma maior equidade na renda e no acesso às políticas públicas; o segundo refere-se às diversas escalas espaciais em que devem ser operadas as políticas.

O PIB e a renda


terça-feira, 25 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

O Nordeste e a Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional



Ricardo Lacerda

Nos próximos dias 26 e 27 realizar-se-á no auditório da Didática V da UFS a rodada de Sergipe da I Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional. O evento é promovido pela Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional (SNDR), do Ministério da Integração, com o objetivo de levantar subsídios para reformular a Política Nacional de Desenvolvimento Regional. 

Segundo o texto de referência, elaborado pela SNDR, a proposta de construção da política regional está norteada pelo duplo objetivo de “i. Sustentar uma trajetória de reversão das desigualdades inter e intrarregionais, valorizando os recursos endógenos e as especificidades culturais, sociais, econômicas e ambientais; ii. Criar condições de acesso mais justo e equilibrado aos bens e serviços públicos no território brasileiro, reduzindo as desigualdades de oportunidades vinculadas ao local de nascimento e moradia.”

O primeiro eixo diz respeito ao fato de que, apesar dos progressos apresentados pelas regiões mais pobres e de menor densidade econômica que têm logrado reduzir a distância em relação às regiões mais desenvolvidas, as desigualdades entre as regiões brasileiras e internamente a elas se mantêm muito acentuadas em praticamente todas as dimensões relevantes. As regiões Norte, Nordeste e, em menor grau, Centro-Oeste continuam apresentando amplas desvantagens em termos infraestrutura, base produtiva, renda, escolaridade, ciência & tecnologia e nos indicadores de educação e saúde. As desigualdades entre os estados de uma mesmo região também são muito acentuadas.

O segundo eixo trata das desigualdades de acesso a políticas públicas que penalizam as populações residentes nas áreas mais pobres.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Crescimento e convergência no desenvolvimento regional



Ricardo Lacerda

As desigualdades de níveis de desenvolvimento entre as regiões permanecem muito amplas no Brasil. Em 2009, o Nordeste respondia por apenas 13,9% do Produto Interno Bruto (PIB) quando contava com 27,8% da população nacional de 2010, enquanto a região Sudeste, com 42,1% da população, produzia 54,4% da riqueza.

Entre 1995 e 2009, o Sudeste apresentou o crescimento mais lento entre as regiões brasileiras, 39,2%, equivalente a uma taxa anual de 2,4%. As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste registraram, por ordem, as taxas mais elevadas do período: 81,3%, 77,8% e 53,4%. A região Sul cresceu 43,7%. Assim, a taxa média anual do Nordeste atingiu 3,1%, superior às apresentadas pelas regiões mais industrializadas, Sudeste e Sul, mas inferior às conhecidas pelas regiões que vêm expandindo a exploração da base de recursos naturais, Norte e Centro-Oeste. 

Convergência

Diante desse diferencial de ritmo médio de crescimento durante um período relativamente longo, a região Sudeste perdeu 3,7 pontos de participação no Produto Interno Bruto brasileiro que foram redistribuídos entre as demais regiões, dos quais 1,6 para o Nordeste, 0,9 para o Centro-Oeste e 0,4 para o Norte.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Independência e a economia



Ricardo Lacerda

Quando refletimos sobre os percalços que o Brasil enfrentou e superou ou vem superando desde o final do regime militar em 1985 encontramos razões substantivas para acreditar no país. Não é difícil elencar as áreas em que o país avançou e os principais desafios e as tarefas que são inadiáveis.   

Em 1982 o Brasil estava quebrado financeiramente e foi constrangido a assinar o primeiro dos acordos de resgate com o Fundo Monetário Internacional, da série cuja vigência se estendeu até 2005. Guardadas as especificidades geográficas e de período, a situação do Brasil nos anos oitenta e boa parte dos anos noventa não era muito diversa da que se encontram hoje alguns países do sul europeu, com a gestão de economia sendo operada, na prática, sob a tutela das agências internacionais.   

A necessidade de fazer frente ao serviço da dívida externa, contratada nas duas décadas anteriores, desorganizou a economia brasileira, provocou o descontrole inflacionário, desestabilizou as finanças públicas e interditou por duas décadas o crescimento mais vigoroso e sustentado (ver Gráfico sobre a evolução da dívida externa líquida como proporção do PIB). Não apenas o desenvolvimento econômico desandou como não se conseguia avançar na área social.
Fonte: Banco Central

Pacto pela cidadania

A promulgação da Constituição de 1988 selou um novo pacto nacional e estabeleceu compromissos sociais para nortear a atuação dos governos.

É notável o preâmbulo da Constituição de 1988 em que se afirma a determinação de “...instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos individuais e sociais, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida na ordem interna e internacional com a solução pacífica das controvérsias...”.



Estabilização e desenvolvimento

Nos anos noventa, a estabilização da inflação e o posterior estabelecimento dos marcos da gestão macroeconômica foram conquistas fundamentais para os progressos subseqüentes, ainda que tenham sido acompanhados por concessões e opções que causaram impactos desestruturantes na matriz industrial e que limitaram a retomada de taxas de crescimento mais expressivas.

Foi na primeira década do novo século que o Brasil fez as pazes com o crescimento econômico, agora em nova feição, compatibilizando prosperidade econômica e inclusão social. Fatores externos e internos se combinaram para promover o mais vigoroso período crescimento econômico desde os anos setenta, incorporando ao mercado de consumo mais de 30 milhões de brasileiros que emergiram para a chamada Classe C. O Nordeste e Sergipe, especificamente, foram muito beneficiados no novo ciclo virtuoso de crescimento.

Desafios

Em meados de 2011, o ciclo expansivo da economia brasileira foi atropelado pelo agravamento da crise internacional. A resposta do governo brasileiro focou dois objetivos: impulsionar a demanda interna de modo a assegurar o crescimento nos próximos semestres a taxas superiores a 3% ao ano para enfrentar com menor dano possível os efeitos da crise prolongada; estimular as forças de oferta para tornar a economia Brasileira mais competitiva no longo prazo.

Nessa última agenda, formou-se quase um consenso a respeito das tarefas fundamentais, que são custosas e vão demandar tempo e inventividade política: destravar os investimentos em infraestrutura produtiva; simplificar o sistema tributário e desonerar o investimento e a produção; reduzir de forma sustentada o patamar dos juros praticados e desvalorizar o câmbio; fazer valer mecanismos regulatórios que induzam a redução das tarifas de serviços que afetam os custos industriais; avançar na desindexação dos preços e tarifas; multiplicar os esforços na capacitação de recursos humanos com ênfase na área tecnológica e elevar o nível geral de escolaridade e a qualidade do sistema educacional, sem o que é não é possível explorar as oportunidades para desenvolver os setores intensivos em conhecimento.

Na área social, apesar dos avanços promovidos e da importância de ter focalizado as ações nos segmentos mais pobres da população, estamos ainda entre os campeões de desigualdade de renda.
Há sempre a opção de não se deter nos resultados positivos alcançados, sempre imperfeitos e muitas vezes inacabados, e prestar mais atenção em nossas mazelas mais endêmicas, que não são poucas, ou destacar retrocessos incorridos. Essa posição de questionamento crítico certamente contribui para minimizar imperfeições e avançar, desde que não se perca a capacidade de reconhecer as conquistas, pois configuraria um passo em direção a abrir mão delas.


Publicado no Jornal da Cidade em 09/09/2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A economia dos juros baixos.



Ricardo Lacerda

Com a redução da taxa Selic para 7,5% ao ano na reunião da semana passada do Conselho de Política Monetária do Banco Central, a taxa de juros real ex-ante atingiu patamar inferior a 2% ao ano, quando em agosto de 2011 se situava em torno de 7%, também em termos reais. Foram nove rodadas seguidas que reduziram em 5 p.p. a taxa básica que remunera o financiamento no mercado interbancário brasileiro (ver Gráfico).  

Ainda que o custo das operações de crédito para as famílias e empresas não tenha caído proporcionalmente e se mantenha absurdamente elevado por conta dos spreads bancários praticados, o novo patamar da taxa básica de juros, muito mais baixo do que em qualquer período posterior à estabilização da inflação em meados dos anos noventa, trará importantes implicações para a economia brasileira dos próximos anos.  

Fonte: Banco Central. Extraído da exposição do Ministro da Fazenda na reunião do CDES de 30/08/2012.
* Em relação a SWAP –DI de 360 dias.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O IDH e outros indicadores



Ricardo Lacerda

O debate sobre desenvolvimento remete aos fundadores da economia política, desde os fisiocratas e Adam Smith, no século XVIII, a David Ricardo e Karl Marx, no século XIX. É no século XX, em plena grande depressão dos anos trinta, que foi elaborado o primeiro indicador abrangente de desenvolvimento dos países e regiões, o PIB. A medição do Produto Interno Bruto foi desenvolvida pelo economista Simon Kuznets, em 1934, e foi adotada de forma generalizada pelos países no após segunda guerra mundial. A série do PIB brasileiro se inicia em 1947. O PIB e o seu derivado, o PIB per capita, se estabeleceram como medidas do nível de bem estar das sociedades.

IDH e IPM

O Índice do Desenvolvimento Humano- IDH foi elaborado em 1990 pelo paquistanês Mahbubul Haq com a colaboração do Prêmio Nobel de Economia Amartya Sen, com o intuito de focar nas pessoas, e não na riqueza gerada, o parâmetro de avaliação do desenvolvimento econômico e social. Assim como o PIB eo PIB per capita têm importantes limitações e imperfeições, dentre as quais duas se destacam: não levar em conta as desigualdades de renda entre as pessoas e não descontar da valoração da riqueza os impactos negativos (as externalidades negativas) gerados pela atividade econômica sobre o bem estar, o IDH também as tem.

Do ponto de vista formal, a principal limitação do IDH, diferentemente do que ocorre com o PIB per capita, é que um índice de 0,800 não significa que um país ou estado apresenta o dobro do desenvolvimento humano de outro com 0,400. Em outras palavras, o valor do índice em si não tem grande significado, a não ser que o IDH de 0,800 é bem melhor do que o de 0,400. Isso decorre do caráter multidimensional do IDH que procurou traduzir em um único indicador o poder aquisitivo, o desenvolvimento educacional e as condições de saúde de uma população. Para superar tal limitação, foram criadas faixas de IDH indicando se um país se encontra em situação de alto, médio ou baixo desenvolvimento humano. As faixas não consideram os valores absolutos do IDH e sim a posição relativa na escala dos países.

Desde 2010, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em seu Relatório de Desenvolvimento Humano, vem adotando, ao lado do IDH, o índice de Pobreza Multidimensional – IPM que confere, segundo a instituição, uma visão mais adequada das privações que as famílias estão sujeitas, incluindo variáveis como o acesso a saneamento e as condições ambientais. Atua, portanto, no sentido de orientar as políticas públicas na superação das privações que afetam as parcelas mais pobres da população.

IDH Sergipe

A primeira medição do IDH dos estados brasileiros foi elaborada em 1998, com dados fornecidos pelo censo demográfico de 1991, a partir do cálculo dos IDHs municipais (IDH-M). Em 1991, Sergipe apresentava o IDH-M de 0,597, na 3ª posição do Nordeste, atrás de Pernambuco e Rio Grande do Norte.  Naquele ano, nosso estado se situava em 2º lugar em renda, 3º lugar em educação e 3º lugar em longevidade.

Com os dados do censo demográfico de 2000, o PNUD voltou a calcular o IDH-M. Sergipe, como os demais estados, avançou nas três dimensões. O IDH-M de 2000 referente a Sergipe alcançou 0,682, mas sua posição no ranking ao longo da década de noventa recuou para o 5º lugar, com a ascensão da Bahia e do Ceará aos 3º e 4º lugares, respectivamente. O PNUD efetuou outra medição com dados de 2005, com o IDH de Sergipe atingindo de 0,742, o 2º da região Nordeste, depois da Bahia. 

Em 2009, o Banco Central do Brasil, utilizando a metodologia do PNUD, calculou a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar os IDHs dos estados brasileiros referentes ao ano de 2007, mostrando conquistas importantes. Sergipe apresentou o IDH de 0,770, a 1ª posição no ranking regional, seguido pela Bahia e Rio Grande do Norte. Sergipe se apresenta como 2º lugar em renda, depois do Rio grande do Norte, 1º em escolaridade e 2º em longevidade, depois da Bahia. Em 2013, o PNUD publicará o IDH-M com os dados do censo demográfico de 2010, que poderão ser comparados com os resultados de 2000, também calculado com dados censitários.



Fonte:Boletim Regional do Banco Central do Brasil. Janeiro de 2009


Do ponto de vista prático, a ampla disseminação do IDH constitui em ganho importante por que colocou no centro do debate democrático o desenvolvimento humano e o IDH passou a orientar as políticas públicas em um número crescente de países. A sua força e a sua debilidade decorrem de sua simplicidade. Se o IDH permite a comparação entre os países e regiões, ele se apoia em apenas algumas poucas das variáveis que podem ser consideradas relevantes na avaliação do desenvolvimento humano.

Com muito caminho ainda a trilhar, Sergipe, a exemplo de outras unidades da federação, vem avançando a passos firmes no desenvolvimento humano, seja quando são consideradas as dimensões do IDH, seja em outras dimensões de privações das famílias mais pobres.



Publicado no Jornal da Cidade em 27/08/2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O pior já passou (?)



Ricardo Lacerda

O ministro Guido Mantega deve ter respirado aliviado. Na semana que passou foram publicados indicadores que deram alento ao seu otimismo arraigado. Os dados sobre emprego e rendimentos referentes ao mês de julho, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do MTE, o resultado das vendas no varejo do IBGE e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), referentes a junho, sinalizam que o mecanismo econômico pode ter começado a operar no sentido de acelerar o crescimento, depois de meses da baixa rotação que frustrava a esperança de que as medidas que vinham sendo adotadas tivessem eficácia.
Os resultados de junho e julho podem ser os primeiros sinais de que o ritmo de crescimento alcançou um patamar sustentado acima de 3% ao ano, deixando para trás o período de descrença e desânimo dos agentes econômicos.
Indicadores
A expansão do volume de vendas no varejo atingiu 1,5% em junho na comparação com maio, livre de efeitos sazonais, no melhor resultado desde janeiro (ver Gráfico 1).  Na comparação com junho de 2011, o volume de vendas no varejo atingiu 9,5% e nos últimos doze meses cresceu 7,5%. O mais significativo é que a aceleração do crescimento nas vendas não se limitou aos setores recentemente incentivados pela redução de impostos, como alguns analistas apostavam que o resultado de junho revelaria. A expansão das vendas no varejo foi abrangente, atingindo nove dos dez setores pesquisados. Aponta-se que as melhorias nas condições do crédito finalmente superaram os entraves à reaceleração das vendas no varejo. 
O comportamento do mês de junho confirmou que o consumo das famílias continua sendo uma das forças que empurram para cima o crescimento econômico, sepultando algumas crenças pouco aderentes com a realidade de que seu poder de empuxe já teria chegado ao limite.
 Fonte: IBC-BR, Banco Central do Brasil. Volume de vendas no varejo, IBGE.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

100 mil acessos

Na semana que passou, o blog Cenários de Desenvolvimento completou 100 mil acessos desde sua criação em maio de 2008. O recorde de acesso se deu em maio último, 12 mil e quebrados, uma média diária superior a 400.

Atribuo  à greve dos sistema federal de ensino superior e, em menor grau, às ferias escolares, a queda abrupta que ocorreu em junho e em julho, quando o acesso diário caiu para a faixa de 120 a 150. Agora em agosto os acessos começam a se recuperar, tendo atingido  280 no dia de ontem. (P.S. 358 acessos no dia 14.)

Enfim, acredito que superados os eventos que contiveram a demanda, retornaremos em breve ao patamar de abril e maio, com possibilidade de retomar a trajetória de expansão dos acessos.  Penso que mudanças estruturais no mercado, como o aumento da audiência do facebook frente à visitação de blogs, e restrições do lado da oferta que limitam o crescimento da produtividade do blog, não têm sido os principais limitantes da expansão (rsrsrs).

Gracias a todos!






segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O que esperar de 2012 e 2013



Ricardo Lacerda

É notório o empenho do governo brasileiro em deixar para trás o baixo dinamismo em que se arrasta a economia brasileira. Desde meados de 2011, quando ficou claro que a deterioração do cenário europeu contaminaria as perspectivas de crescimento doméstico,o governo fez uso de um amplo leque de ações com o propósito de aquecer a economia por meio do aumento da demanda das famílias e das empresas preservando, todavia, os gastos públicos.

Apesar dos reiterados anúncios do Ministério da Fazenda de que a retomada da economia já estaria em curso, sinais mais consistentes são ainda esparsos e convivem com a piora de alguns indicadores. A persistente turbulência na Zona do Euro, de desfecho imprevisível, e a titubeante recuperação do nível de atividade da economia americana, somadas a restrições internas, têm segurado a reaceleração do nível de atividade, gerando dúvidas sobre o que é possível esperar da economia brasileira no segundo semestre de 2012 e em 2013.

Estímulos

As medidas de estímulo ao crescimento contemplaram todo um arsenal de instrumentos para recuperar a capacidade de endividamento das famílias, para desonerar o consumo, reduzir o custo dos empréstimos e elevar a competitividade da produção interna frente aos produtos importados.

Vários instrumentos foram utilizados para alcançar esse objetivo: desvalorização cambial, desonerações tributárias e redução do custo do dinheiro, prioridade de fornecimento interno nas compras públicas.


domingo, 5 de agosto de 2012

Ocupação em Aracaju e em alguns dos maiores municípios sergipanos



Ricardo Lacerda

Os dados sobre a estrutura da ocupação da força de trabalho nos municípios sergipanos em 2010 oferecem um cenário que confirma alguns fatos já conhecidos, mas traz também novidades. Assim, reafirma-se o perfil acentuadamente comercial do município de Itabaiana, que lidera em termos de participação da força de trabalho ocupada nessa atividade, 23,7%, quase uma em cada quatro pessoas ocupadas no comércio ou em reparação de veículos.

O município agrestino também se situa entre os primeiros na ocupação de pessoas nas atividades de transporte e armazenagem, 6% da força de trabalho local, mas quem lidera em termos proporcionais é Carmópolis, com 9,7% das pessoas dedicadas a esta atividade, certamente por conta da demanda gerada pela Petrobras. Alerta-se que as informações dizem respeito ao local de residência das pessoas e não do município onde desenvolvem as atividades.

Uma síntese da composição da ocupação em 2010 nos vinte principais municípios nesse critério se encontra na Tabela 1. A Lista completa para os 75 municípios sergipanos pode ser acessada no endereço eletrônico que se segue. http://www.4shared.com/office/wb_byCLT/Anexo-_Ocupao_Municipios_2010.html.

Setorial

Entre os vinte municípios selecionados, Poço Redondo, Porto da Folha e Poço Verde contam com as maiores participações de sua população ocupada no setor agropecuário. Itabaianinha, Tobias Barreto, Nossa Senhora do Socorro, Capela e Itaporanga apresentam as participações mais elevadas no setor industrial, sendo que na indústria de transformação Itabaianinha e Tobias Barreto lideram, enquanto na construção civil são os municípios da região metropolitana, Nossa Senhora de Socorro e São Cristóvão, seguidos por Canindé do São Francisco, Itaporanga e Capela, que abrigam as maiores proporções de trabalhadores ocupados (ver Tabela 1).


Fonte: Censo demográfico de 2010


segunda-feira, 30 de julho de 2012

A ocupação nos territórios sergipanos

Ricardo Lacerda

Com a publicação de resultados da amostra do censo demográfico de 2010, disponibilizou-se um conjunto de dados muito amplo sobre a situação econômica e social nos municípios, permitindo a agregação de indicadores de desenvolvimento em níveis de microrregiões e territórios de Sergipe. 

Em 2010, havia 832.455 habitantes de 10 anos ou mais de idade ocupados na semana de referência da pesquisa, com ou sem vínculos empregatícios formais.

Ocupação 

A distribuição dos residentes em Sergipe entre as ocupações está apresentada na Tabela 1. Mais da metade da população ocupada (55,3%) tinha como principal atividade o setor de serviços, frente aos 22,8% que trabalhavam no setor agropecuário e 16,7% no setor industrial. 

Eram cerca de 460 mil nas atividades de serviço, cerca de 189 mil na agropecuária e 139 mil na indústria. Há ainda um contingente de 43.604 pessoas, equivalentes a 5,2% em atividades maldefinidas, em geral vinculadas ao setor de serviços. 

 No setor secundário, a construção civil concorria com a indústria de transformação pela liderança da ocupação, essa última com 62.996 pessoas ocupadas e a primeira já alcançando 60.674 pessoas. A indústria extrativa mineral, que inclui a extração de petróleo e gás natural, ocupava diretamente apenas 7.097 trabalhadores, 0,9% do total, apesar de responder por quase a mesma parcela da indústria de transformação no PIB estadual e por demandar ocupações em outros segmentos. 

No setor de serviços, destacavam-se o comércio, a administração pública e os serviços domésticos. Vale destacar os segmentos de alojamento e alimentação, que já ocupavam 24.803 pessoas, em parte por conta das atividades vinculadas ao turismo, em parte pelo crescimento do hábito de fazer refeições fora de casa. Os contingentes de pessoas ocupadas nas atividades de educação e de saúde e serviços sociais também eram muito expressivos (ver Tabela 1). 
 Fonte: Censo demográfico de 2010 


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cenários de Desenvolvimento no Facebook

Abri uma página anexa ao Facebook, intitulada Cenários de Desenvolvimento que é o 1º passo para migrar o Blog para a nova plataforma, sem desativar o blog atual. É uma página de acesso aberto contendo artigos e informações econômicas. Quem quiser acompanhar, basta entrar na página e clicar curtir. Ver o link abaixo. Abs http://www.facebook.com/CenariosDeDesenvolvimento

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O ciclo, a crise e a arrecadação federal


Ricardo Lacerda

 Cada ciclo de crescimento econômico tem uma combinação própria de fatores que o impulsiona. O início do ciclo expansivo pode ser motivado por uma força externa, como a expansão na procura mundial por produtos em que o país é especializado, ou em razão da exploração de uma nova fronteira de recursos naturais que crie oportunidades para ampliar os investimentos voltados para as exportações. 

 Os ciclos de crescimento também podem ser movidos pela ampliação do mercado interno, seja em função de inovações institucionais como aquelas que propiciem a expansão do crédito, seja por conta do incremento da renda da população, ampliando o poder de compra interno. Ou ainda engendrados por investimentos que expandam e diversifiquem a capacidade do parque produtivo, acompanhados de melhorias na infraestrutura econômica ou impulsionados pelas inovações tecnológicas que habilitem a explorar oportunidades em novos segmentos. 

Ciclo virtuoso 

Em sua essência, o crescimento tende a provocar desequilíbrios porque altera as proporções entre setores e as posições relativas das classes sociais, alguns setores crescendo mais rapidamente, outros mais lentamente, criando oportunidades e estrangulamentos, e novas demandas sociais. 

O ciclo de crescimento da economia brasileira iniciado em 2004 contou com uma combinação de melhoria no cenário externo, proporcionada principalmente pelo efeito da ascensão da China sobre os preços das commodities alimentícias e minerais, com a expansão do poder de compra interno, movida pelos incrementos dos salários, pela ampliação do crédito para as famílias e pelo aumento das transferências de rendas aos grupos mais vulneráveis. 

Depois de encetado o crescimento, formou-se um ciclo virtuoso em que o aumento do emprego, da renda e do crédito e o desempenho das exportações propiciaram a expansão do mercado interno e a melhoria das contas públicas e das contas externas, o que em conjunto elevou as expectativas e a confiança das famílias e empresas. Como esses movimentos contam com mecanismos de autoreforço, atinge-se uma situação em que a própria expansão da economia motiva o crescimento nos períodos seguintes.