Ricardo Lacerda
O presente texto é um extrato de capítulo elaborado em dezembro de 2025 para compor o Relatório de Atividades de 2025 do Governo de Sergipe. A íntegra do capítulo pode ser acessada no link a seguir https://www.se.gov.br/anexos/uploads/download/filename_novo/16989/83409a27c0e88836a1d649b13a4cb01e.pdf
Introdução
O
ano de 2025 foi marcado por tensões geopolíticas, desaceleração do crescimento
global e elevado grau de incerteza quanto aos rumos da economia mundial. Ainda
assim, o Brasil tem conseguido sustentar um processo de retomada do crescimento
econômico, com inflação mais comportada e melhora consistente dos principais
indicadores do mercado de trabalho. Sergipe, inserido nesse ambiente de
incertezas, acompanhou esse movimento, apresentando desempenho favorável, confirmando o início de um novo ciclo de crescimento econômico.
Um
vetor central dessa retomada tem sido o aquecimento do mercado de trabalho, que
tem sustentado a expansão da renda, do consumo e das atividades de comércio e
serviços. Em paralelo, o estado retomou investimentos relevantes em
infraestrutura, ao tempo em que vem se consolidando a viabilização de projetos
estratégicos para o seu desenvolvimento, com destaque para a reabertura das
operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) e o anúncio do
início da exploração pela Petrobras do projeto Sergipe Águas Profundas,
iniciativas que ampliam as perspectivas de médio e longo prazo para a economia
sergipana. Não obstante, o cenário permanece cercado de riscos importantes,
seja no plano externo, diante da intensificação das tensões geopolíticas
globais, seja no plano nacional, onde a manutenção de uma política de juros
elevados segue representando uma ameaça concreta à sustentação do ritmo de
crescimento econômico.
1. Cenário Mundial de crescentes incertezas
A
edição de outubro de 2025 do relatório World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI),
destacou que a economia mundial entrou em uma fase marcada por grande incerteza,
acompanhada por crescimento moderado e por riscos econômicos e políticos mais
pronunciados. A primeira observação relevante é de que as condições do comércio
internacional mudaram de forma significativa no início de 2025, quando os
Estados Unidos elevaram tarifas de importação sobre diversos produtos. Mesmo após recuos parciais, essas tarifas
permaneceram altas, entre 10% e 20%, sobre uma ampla variedade de bens.
Segundo
o relatório, as respostas dos países que sofreram as sanções não resultaram em
regras claras para as transações econômicas internacionais. Na verdade, as
negociações encetadas teriam sido fragmentadas e pouco coordenadas, o que teria
o efeito de reduzir a previsibilidade para empresas e governos nas suas
relações internacionais. Esse ambiente de respostas pontuais criou um quadro de
maior volatilidade na economia mundial e dificulta a organização de cadeias
produtivas globais que dependeriam para o bom funcionamento de fluxos estáveis
e de acordos comerciais duradouros.
O
FMI destacou também dois outros movimentos relevantes e que estariam sendo
relativamente poucos discutidos: a redução dos fluxos migratórios entre os
países e o recuo da ajuda internacional aos países pobres. Ambas as variáveis
são importantes como mecanismos de ajuste global, e sua queda em 2024 e em 2025
limitaria a capacidade de países mais vulneráveis reagirem a choques econômicos
adversos. A combinação de tarifas elevadas, retração migratória e menor apoio
financeiro internacional resultaria em um novo cenário internacional marcado
por os fluxos econômicos globais mais fragmentados, com impactos diretos sobre
decisões de investimento das grandes empresas, elevação dos custos logísticos e
perda de produtividade econômica na economia mundial.
O
FMI enfatizou que os impactos das medidas tarifárias norte-americanas deverão
estabelecer um novo cenário duradouro na economia mundial, porque que não se
trataria de um ajuste passageiro, e sim de uma tendência de médio prazo,
reforçada por fatores estruturais. Ainda que não aponte para nenhuma
catástrofe, o relatório do FMI não é otimista sobre o cenário mundial de médio
prazo: em 2030, dois terços da economia mundial estariam operando com níveis de
crescimento inferiores aos estimados antes da pandemia do Covid-19. Isso
significa que a recuperação da economia mundial no pós-Covid corrigiu
desequilíbrios imediatos, mas não alterou a tendência de desaceleração do crescimento
econômico já percebida nas últimas décadas.
Entre as causas da desaceleração recente, o FMI aponta fatores conjunturais e estruturais. No curto prazo, os principais elementos são as tarifas elevadas, que interrompem cadeias produtivas, aumentam custos para indústrias dependentes de insumos importados, enquanto o quadro de incertezas desestimula novas decisões de investimentos. Soma-se a isso a redução da demanda interna nas maiores economias, após um período de antecipação de investimentos e estímulos aplicados no início de 2025. Um terceiro fator é crítico para o médio prazo: os níveis historicamente elevados de endividamento público, especialmente nos Estados Unidos, na China e em parte da Europa.
* O presente texto foi elaborado em dezembro de 2025 para compor o Relatório de Atividades de 2025 do Governo de Sergipe. Ele é composto pela introdução e pelo início da seção 1- Cenário Mundial de crescentes incertezas. O capítulo contém mais duas seções: Seção 2- Cenário Nacional: Mercado de trabalho aquecido, mas atividade em desaceleração e a seção 3- A consolidação do crescimento em Sergipe.
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