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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

domingo, 3 de maio de 2026

Cenário prospectivo do emprego em Sergipe*

 Ricardo Lacerda

Observou-se uma inflexão positiva consistente da expansão do PIB sergipano a partir de 2023. O PIB estadual cresceu 3,1%, em 2023, 3,2%, em 2024 e estima-se em 1,8% o crescimento de 2025, com média trienal de 2,9%, sinalizando aceleração em relação ao triênio anterior. Desse ponto de vista, Sergipe parece ter entrada em uma etapa de crescimento econômico mais estável, em sintonia com o movimento geral da economia brasileira (Figura 1).

Esse novo ciclo tem sido acompanhado por forte expansão do emprego formal, como evidenciado nos dados do Novo CAGED, acompanhado por aumento dos rendimentos médios e redução dos indicadores de pobreza, em linha com a melhora do mercado de trabalho nacional.

Ainda que o ritmo de crescimento atual seja mais modesto quando comparado ao ciclo expansivo 2004–2014, marcado por forte crescimento do investimento, do crédito e do consumo, o atual momento pode revelar bases mais sólidas, com recuperação gradual da atividade produtiva e recomposição do mercado interno, com importante impacto no mercado de trabalho.

As expectativas para os próximos anos são consistentes com um conjunto de “fatos portadores do futuro”, com potencial de alterar aspectos estruturais da economia sergipana. Nesse sentido, destaca-se a decisão da Petrobras de iniciar, ainda em 2026, os investimentos na exploração do projeto Sergipe Águas Profundas II (SEAP II), com previsão de início da produção em 2030. Trata-se de empreendimento de grande escala, capaz de mobilizar investimentos significativos, gerar empregos diretos e indiretos e dinamizar cadeias produtivas associadas à indústria de petróleo e gás.

Somam-se a isso a reabertura da Fábrica de Fertilizantes do Nordeste e as perspectivas de atração de investimentos em data centers, vinculados à economia digital, e a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura pelo Governo do Estado, elementos que podem ampliar a capacidade produtiva e a competitividade regional.

Não obstante, o horizonte permanece cercado de incertezas relevantes. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio e o recente ataque ao Irã introduzem riscos significativos à estabilidade da economia mundial, com potencial de afetar preços internacionais de energia e dos alimentos, fluxos de comércio e condições financeiras globais. Em um cenário de maior volatilidade externa, economias periféricas como a brasileira tendem a enfrentar desafios adicionais, seja via taxa de câmbio, inflação ou restrições ao financiamento.

Ainda assim, o fato central é que o Brasil retomou um ciclo de crescimento e Sergipe acompanha esse movimento. A combinação entre recuperação do PIB, expansão do emprego formal, melhora dos rendimentos e perspectivas de novos investimentos estratégicos gera expectativas positivas para a economia sergipana no médio prazo, ainda que as incertezas externas possam ameaçar esse cenário mais virtuoso.

Figura 1. Sergipe. Taxa média trienal móvel do PIB: 2013-2025 (%)

Fonte: IBGE. Contas regionais até 2023 e LCA Consultoria para estimativa 2024 e projeção para 2025

Ao lado da retomada do crescimento do PIB a partir de 2023, os dados do Novo CAGED evidenciam que o mercado de trabalho formal em Sergipe também vem apresentando desempenho expressivo, consolidando um novo ciclo de expansão do emprego (Tabela 1 e Figura 5).

Tabela 1. Sergipe. Estoque, Saldo gerado e Taxa anual de crescimento do emprego formal 2020-2025

Anoso

Estoque

Saldo

Taxa anual (%)

2020

286.114

-

-

2021

301.939

15.825

5,5

2022

313.773

11.834

3,9

2023

327.139

13.366

4,3

2024

342.686

15.547

4,8

2025

358.143

15.457

4,5

Fonte: MTE. Novo CAGED

Após o período mais agudo da pandemia, o estoque de empregos formais no estado passou de 286.114 vínculos para 301.939 em 2021, com geração líquida de 15.825 postos e crescimento anual de 5,5%. Em 2022, mesmo com alguma desaceleração do ritmo de crescimento de novos empregos formais, o saldo permaneceu positivo em 11.834 empregos (3,9%), elevando o estoque para 313.773 vínculos. Esses números já indicavam um movimento consistente de recuperação do mercado de trabalho.

A partir de 2023, contudo, observa-se um novo patamar de expansão, em linha com a aceleração do PIB estadual. Em 2023, Sergipe gerou 13.366 empregos formais, com crescimento de 4,3%, alcançando estoque de 327.139 vínculos. Em 2024, o saldo foi ainda mais expressivo: 15.547 novos postos, com taxa anual de 4,8%, elevando o estoque para 342.686 empregos formais. Em 2025, a geração líquida manteve-se elevada, com 15.457 vagas adicionais (4,5%), totalizando 358.143 vínculos ativos.

No acumulado de 2021 a 2025, a economia sergipana criou mais de 56 mil empregos formais, o que representa uma expansão significativa da base de trabalhadores com carteira assinada no estado. O crescimento anual do emprego formal tem se mantido de forma relativamente estável em torno de 4% a 5% desde 2021, indicando que a retomada não foi episódica, mas sim parte de um movimento mais estruturado de recuperação econômica.

Ainda que o cenário externo apresente incertezas relevantes e que o ritmo de crescimento econômico seja mais moderado do que o observado em ciclos expansivos anteriores, os dados do Novo CAGED indicam que o mercado de trabalho sergipano vem respondendo de maneira robusta ao novo contexto macroeconômico, consolidando uma trajetória de recuperação iniciada no pós-pandemia e intensificada a partir de 2023.

Figura 2. Sergipe. Saldo gerado e Taxa anual de crescimento do emprego formal 2021-2025

Fonte: MTE. Novo CAGED

À luz desse desempenho recente, o cenário prospectivo para os próximos anos parte da hipótese de que esse ciclo moderado de crescimento do PIB deverá se estender nos próximos anos, acompanhando, ainda que com oscilações conjunturais, a trajetória provável da economia brasileira.

Nesse contexto, projeta-se a manutenção de taxas positivas de crescimento da atividade econômica em Sergipe, com expansão robusta do mercado de trabalho formal e incremento do estoque de empregos, sustentados pela recuperação do mercado interno, pela maturação de investimentos estruturantes e pela continuidade das políticas públicas voltadas à infraestrutura e ao desenvolvimento produtivo.

Assim, o exercício de construção de cenários para o futuro do trabalho no estado parte de um ambiente de crescimento moderado, no qual a dinâmica do emprego será influenciada não apenas pelo ritmo da economia nacional, mas também pelo perfil desse crescimento, em que as classes de rendimento mais baixo têm sido favorecidas, o que vem estabelecendo um multiplicador de emprego robusto, que no caso do emprego formal em Sergipe tem se situado acima de 4% ao ano.

O desafio será consolidar o ciclo de crescimento recente, transformando a recuperação conjuntural em trajetória sustentada de desenvolvimento, com diversificação produtiva, aumento da produtividade e redução das desigualdades sociais e territoriais.

* o presente artigo faz parte do relatório Cenários prospectivos e perfil das novas ocupações em Sergipe, elaborado no âmbito do estudo Diagnóstico do Mercado de Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Sergipe da SETEEM - Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo.