Ricardo Lacerda
Observou-se uma
inflexão positiva consistente da expansão do PIB sergipano a partir de 2023. O PIB
estadual cresceu 3,1%, em 2023, 3,2%, em 2024 e estima-se em 1,8% o crescimento
de 2025, com média trienal de 2,9%, sinalizando aceleração em relação ao
triênio anterior. Desse ponto de vista, Sergipe parece ter entrada em uma etapa
de crescimento econômico mais estável, em sintonia com o movimento geral da
economia brasileira (Figura 1).
Esse novo ciclo tem
sido acompanhado por forte expansão do emprego formal, como evidenciado nos
dados do Novo CAGED, acompanhado por aumento dos rendimentos médios e redução
dos indicadores de pobreza, em linha com a melhora do mercado de trabalho
nacional.
Ainda que o ritmo de
crescimento atual seja mais modesto quando comparado ao ciclo expansivo 2004–2014,
marcado por forte crescimento do investimento, do crédito e do consumo, o atual
momento pode revelar bases mais sólidas, com recuperação gradual da atividade
produtiva e recomposição do mercado interno, com importante impacto no mercado
de trabalho.
As expectativas para
os próximos anos são consistentes com um conjunto de “fatos portadores do
futuro”, com potencial de alterar aspectos estruturais da economia sergipana. Nesse
sentido, destaca-se a decisão da Petrobras de iniciar, ainda em 2026, os
investimentos na exploração do projeto Sergipe Águas Profundas II (SEAP II),
com previsão de início da produção em 2030. Trata-se de empreendimento de
grande escala, capaz de mobilizar investimentos significativos, gerar empregos
diretos e indiretos e dinamizar cadeias produtivas associadas à indústria de
petróleo e gás.
Somam-se a isso a
reabertura da Fábrica de Fertilizantes do Nordeste e as perspectivas de atração
de investimentos em data centers, vinculados à economia digital, e a retomada
dos investimentos públicos em infraestrutura pelo Governo do Estado, elementos
que podem ampliar a capacidade produtiva e a competitividade regional.
Não obstante, o
horizonte permanece cercado de incertezas relevantes. O agravamento dos
conflitos no Oriente Médio e o recente ataque ao Irã introduzem riscos
significativos à estabilidade da economia mundial, com potencial de afetar
preços internacionais de energia e dos alimentos, fluxos de comércio e
condições financeiras globais. Em um cenário de maior volatilidade externa,
economias periféricas como a brasileira tendem a enfrentar desafios adicionais,
seja via taxa de câmbio, inflação ou restrições ao financiamento.
Ainda assim, o fato central é que o Brasil retomou um ciclo de crescimento e Sergipe acompanha esse movimento. A combinação entre recuperação do PIB, expansão do emprego formal, melhora dos rendimentos e perspectivas de novos investimentos estratégicos gera expectativas positivas para a economia sergipana no médio prazo, ainda que as incertezas externas possam ameaçar esse cenário mais virtuoso.
Figura 1. Sergipe. Taxa média trienal móvel do PIB: 2013-2025 (%)
Fonte: IBGE. Contas regionais até 2023 e LCA
Consultoria para estimativa 2024 e projeção para 2025
Ao lado da retomada
do crescimento do PIB a partir de 2023, os dados do Novo CAGED evidenciam que o
mercado de trabalho formal em Sergipe também vem apresentando desempenho
expressivo, consolidando um novo ciclo de expansão do emprego (Tabela 1 e
Figura 5).
Tabela
1. Sergipe. Estoque, Saldo gerado e Taxa anual de crescimento do emprego formal
2020-2025
|
Anoso |
Estoque |
Saldo |
Taxa anual (%) |
|
2020 |
286.114 |
- |
- |
|
2021 |
301.939 |
15.825 |
5,5 |
|
2022 |
313.773 |
11.834 |
3,9 |
|
2023 |
327.139 |
13.366 |
4,3 |
|
2024 |
342.686 |
15.547 |
4,8 |
|
2025 |
358.143 |
15.457 |
4,5 |
Fonte: MTE. Novo CAGED
Após o período mais agudo da
pandemia, o estoque de empregos formais no estado passou de 286.114 vínculos
para 301.939 em 2021, com geração líquida de 15.825 postos e crescimento anual
de 5,5%. Em 2022, mesmo com alguma desaceleração do ritmo de crescimento de
novos empregos formais, o saldo permaneceu positivo em 11.834 empregos (3,9%),
elevando o estoque para 313.773 vínculos. Esses números já indicavam um
movimento consistente de recuperação do mercado de trabalho.
A partir de 2023, contudo,
observa-se um novo patamar de expansão, em linha com a aceleração do PIB
estadual. Em 2023, Sergipe gerou 13.366 empregos formais, com crescimento de
4,3%, alcançando estoque de 327.139 vínculos. Em 2024, o saldo foi ainda mais
expressivo: 15.547 novos postos, com taxa anual de 4,8%, elevando o estoque
para 342.686 empregos formais. Em 2025, a geração líquida manteve-se elevada,
com 15.457 vagas adicionais (4,5%), totalizando 358.143 vínculos ativos.
No acumulado de 2021 a 2025, a economia sergipana criou mais de 56 mil empregos formais, o que representa uma expansão significativa da base de trabalhadores com carteira assinada no estado. O crescimento anual do emprego formal tem se mantido de forma relativamente estável em torno de 4% a 5% desde 2021, indicando que a retomada não foi episódica, mas sim parte de um movimento mais estruturado de recuperação econômica.
Ainda que o cenário externo
apresente incertezas relevantes e que o ritmo de crescimento econômico seja
mais moderado do que o observado em ciclos expansivos anteriores, os dados do
Novo CAGED indicam que o mercado de trabalho sergipano vem respondendo de
maneira robusta ao novo contexto macroeconômico, consolidando uma trajetória de
recuperação iniciada no pós-pandemia e intensificada a partir de 2023.
Figura 2. Sergipe. Saldo
gerado e Taxa anual de crescimento do emprego formal 2021-2025
Fonte:
MTE. Novo CAGED
À luz desse desempenho recente, o
cenário prospectivo para os próximos anos parte da hipótese de que esse ciclo
moderado de crescimento do PIB deverá se estender nos próximos anos,
acompanhando, ainda que com oscilações conjunturais, a trajetória provável da
economia brasileira.
Nesse contexto, projeta-se a
manutenção de taxas positivas de crescimento da atividade econômica em Sergipe,
com expansão robusta do mercado de trabalho formal e incremento do estoque de
empregos, sustentados pela recuperação do mercado interno, pela maturação de
investimentos estruturantes e pela continuidade das políticas públicas voltadas
à infraestrutura e ao desenvolvimento produtivo.
Assim, o exercício de construção de
cenários para o futuro do trabalho no estado parte de um ambiente de
crescimento moderado, no qual a dinâmica do emprego será influenciada não
apenas pelo ritmo da economia nacional, mas também pelo perfil desse
crescimento, em que as classes de rendimento mais baixo têm sido favorecidas, o
que vem estabelecendo um multiplicador de emprego robusto, que no caso do
emprego formal em Sergipe tem se situado acima de 4% ao ano.
O desafio será consolidar o ciclo de crescimento recente, transformando a recuperação conjuntural em trajetória sustentada de desenvolvimento, com diversificação produtiva, aumento da produtividade e redução das desigualdades sociais e territoriais.
* o presente artigo faz parte do relatório Cenários prospectivos e perfil das novas ocupações em Sergipe, elaborado no âmbito do estudo Diagnóstico do Mercado de Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Sergipe da SETEEM - Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo.