Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

domingo, 30 de novembro de 2014

O PIB e o ajuste, sem tragédias




Ricardo Lacerda

O cenário econômico se deteriorou acentuadamente desde meados de 2013. Do ponto de vista do nível de atividade, o PIB estagnou, a produção industrial registrou recuo expressivo e o consumo, que vinha sustentando o crescimento econômico até então, apresentou sinais de exaustão. Do ponto de vista do equilíbrio macroeconômico, o baixo crescimento repercutiu na arrecadação de receitas, pressionando as contas públicas, e o déficit na conta de transações correntes continuou aumentando, mesmo que em ritmo menos acentuado.

Esse conjunto de resultados sinalizou que as medidas anticíclicas encontraram seu limite diante da perda de confiança de empresas e famílias em relação à condução da política macroeconômica, em uma situação de nova deterioração das perspectivas da economia mundial.

A economia brasileira começou a girar no mesmo lugar, sem encontrar ponto de apoio para impulsionar o crescimento do nível de atividade. A presidente da república entendeu a mensagem que emanava dos indicadores econômicos e do ânimo dos agentes econômicos e procedeu a mudança no comando da economia. Seria pouco frutífero insistir nos estímulos à demanda quando ela já não respondia às medidas adotadas, enquanto os indicadores macroeconômicos se deterioravam.

Ajuste gradual

Em seu primeiro pronunciamento, antes mesmo da posse, o novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, defendeu a necessidade de um ajuste fiscal que deve contemplar tanto a elevação de tributos como corte de despesas. A meta apresentada é de elevar o superávit primário, o esforço fiscal que o país realiza para pagar juros, de 0,56% do PIB em doze meses alcançados em outubro de 2014 para 1,2%, em 2015, até alcançar 2%, o patamar que se avalia como necessário para que a dívida bruta não cresça enquanto proporção do PIB, em 2016 e 2017.  

“Não temos pressa de fazer um pacote com medidas relâmpago. Algumas coisas vêm sendo discutidas no caminho de diminuir as despesas, mas acho que a capacidade de cooperação entre os diversos órgãos deve levar a gente a fazer medidas. Elas vão ser, não digo graduais, mas sem pacotes, sem nenhuma grande surpresa”, declarou o novo ministro.

Ortodoxia

Muita tinta foi gasta em uma discussão pouco objetiva a respeito de uma rendição da política econômica ao receituário ortodoxo. Entendo que trata-se apenas de bom senso para entender que o baixo crescimento dos últimos trimestres impôs restrição à política expansionista e o seu custo já superava os benefícios esperados. Ver Gráfico com dados da perda de dinamismo dos componentes do PIB sob a ótica da demanda.
Fonte: IBGE. CNT.

Os mais exaltados falam em estelionato eleitoral mas, na verdade, quando a presidente anunciou que o ministro Mantega não permaneceria no novo mandato emitiu um sinal claro do seu entendimento a respeito da necessidade de ajustar o rumo da economia.

As medidas anticíclicas foram importantes no pós crise de 2008 mas elas estavam perdendo eficácia. Na medida em que deixaram de impulsionar o crescimento da produção, os sinais de desequilíbrio começaram a se acumular tanto no balanço de pagamentos quanto, em um segundo momento, nas contas públicas.

As medidas a serem implementadas pela nova equipe econômica ainda não foram apresentadas. Do lado das receitas, cogita-se o retorno da CIDE sobre os combustíveis e o fim das isenções parciais na aquisição de bens duráveis de consumo. Do lado das despesas, deverão ser elaboradas propostas para restringir o pagamento do abono salarial pago anualmente aos cadastrados no PIS e a revisão no pagamento de pensões e de auxílio desemprego. O novo ministro já anunciou que serão interrompidos os aportes do tesouro aos BNDES para financiar créditos subsidiados às empresas.

A mudança na gestão da política econômica não decorre de uma crise que exija medidas de emergências e sim da necessidade de redirecionar rumos.  A proposta é fazer a transição da forma mais suave possível para mitigar os impactos das medidas de ajuste fiscal sobre o nível de atividade e sobre o emprego, posto que, antes de melhorar, o nível de atividade pode declinar nos próximos trimestres.

A expectativa é de que a implementação das medidas de ajustes nas contas públicas seja acompanhada pela retomada de investimentos em infraestrutura e na exploração de petróleo e pela correção progressiva da taxa de câmbio, a fim de mudar os termos da competitividade da produção de bens e serviços no mercado interno e no mercado externo.


Publicado no jornal da Cidade, em 30/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A publicação Um olhar territorial para o desenvolvimento: Nordeste já está disponível no portal do BNDES na internet.

A publicação do BNDES, Um olhar territorial para o desenvolvimento: Nordeste já está disponível no portal do BNDES na internet. Pode ser acessada no link

https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2801/3/Um%20olhar%20territorial%20sobre%20o%20desenvolvimento_2014_P.pdf

https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/2801




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Um olhar territorial sobre o Nordeste


Ricardo Lacerda

Nos dias 17 e 18 de novembro, o BNDES realizou na cidade de Recife seminário para lançamento do livro Um olhar territorial sobre o desenvolvimento: Nordeste. A publicação integra coleção que abrange as cinco macrorregiões brasileiras.

Os cincos volumes, dos quais dois já lançados (Amazônia e Nordeste), foram elaborados com o propósito de orientar o planejamento das ações do banco de desenvolvimento econômico e social, em geral guiado pela perspectiva setorial, a partir de um recorte de desenvolvimento regional, mas as contribuições da publicação certamente vão muito além desse objetivo institucional.

O Olhar territorial

Cada volume está estruturado em três partes. Uma parte introdutória que buscou sistematizar as principais contribuições dos capítulos e os desafios que afloram das reflexões.

A segunda parte é dedicada a apresentar as ações do BNDES nos últimos dez anos em um recorte regional, detalhando os financiamentos que foram realizados segundo cada uma das suas áreas operacionais. Essa seção traz uma riqueza de informações, contemplando os investimentos em energia e logística, na área industrial, na infraestrutura social (educação, saúde, saneamento, mobilidade urbana), nas atividades agropecuárias e sociais e as ações voltadas para o meio ambiente.

Dada a importância do banco de desenvolvimento no financiamento dessas áreas no Brasil, os relatos setoriais com recorte espacial desenham um cenário consistente dos investimentos mais estruturantes que foram realizados, cujo conhecimento a respeito é fundamental para compreender as transformações por que passaram as regiões no período.

A parte final é constituída por capítulos elaborados por profissionais convidados  vinculados à academia, agências federais ou estaduais de desenvolvimento ou ainda relatos de experiências empresariais. São reflexões sobre o significado e limites do progresso social e econômico das regiões e sobre os desafios que se colocam para a sua continuidade.

O Seminário

No seminário de lançamento do livro dedicado ao desenvolvimento territorial do Nordeste, coordenado pela professora Maria Helena Lastres, da assessoria da presidência do banco, e pelo Chefe do Departamento Regional Nordeste, Paulo Ferraz Guimarães, foram apresentadas análises e reflexões apoiadas nos capítulos publicados e avaliações mais recentes sobre as perspectivas para a região.

Foram debatidos temas de grande relevância para o desenvolvimento da região, desde as oportunidades  de expansão da oferta de energias renováveis (eólica, solar e biomassa) aos investimentos programados para os próximo anos em infraestrutura de transporte, em seus vários modais.

A professora  Maria Lúcia Falcón, da Universidade Federal de Sergipe, apresentou uma síntese do capítulo que elaborou para o livro sobre o papel do estado e do planejamento regional para o desenvolvimento do Nordeste, destacando as várias escalas espaciais e os horizontes temporais das ações de planejamento.  

Participei de mesa com as honrosas presenças de especialistas em economia regional, a professora Tânia Bacelar, da UFPE, e o professor  Jair Amaral, da UFC, e de técnicos  da área de planejamento do BNDES sobre os Desafios e as Oportunidades para o Desenvolvimento do Nordeste.

Perspectivas para o Nordeste

Parte do debate focou o abrangente progresso social e econômico que marcou a evolução da região nos últimos doze anos. Procurou-se avaliar o significado das transformações, afastando-se  de explicações simplistas que procuram atribuir o recente desenvolvimento social e econômico da região unicamente às transferências de recursos federais para famílias e governos da região.

Para além dos mitos consagrados, firmou-se no seminário a avaliação de que os investimentos públicos em infraestrutura econômica e social, os investimentos privados induzidos para a região pelas políticas de desenvolvimento ou pelo crescimento da renda, a abrangente inclusão social, a incorporação de largas parcelas da população ao mercado de consumo provocaram transformações estruturais que colocaram o Nordeste em novo patamar de desenvolvimento. Com isso, novos desafios se colocam para a região que permanece como a mais pobre e a mais carente de infraestrutura física e de conhecimento. Enfatizou-se a urgência de se propor uma política de envergadura suficiente para mudar a realidade da sub-região semiárida.

Destaco duas dimensões do mercado de trabalho que revelam o quanto a região avançou e como as carências se mantêm muito elevadas. Entre 2002 e 2013, o contingente de empregos formais da região saltou de 4,85 milhões para 8,9 milhões, incremento de notáveis 83%, equivalentes a crescimento médio anual de 6,3%. Apesar disso, o censo demográfico de 2010 ainda constatou que 59% da força de trabalho ocupada na região região se encontrava em atividades informais.

Entre 2000 e 2010, o nível de instrução da população nordestina avançou significativamente, mas o quadro geral é ainda muito ruim. O número de profissionais com grau de doutor na região saltou de 3.705, em 2000, para 15.446 em 2010. A participação das pessoas de 25 anos ou mais que possuíam curso superior multiplicou catorze vezes, passando de inexpressivos 0,5%, em 2000, para 7,1%, em 2010, da população com 25 anos ou mais. Também foi muito expressiva a expansão da força de trabalho com curso médio completo ou superior incompleto, que representava 4,7% das pessoas com 25 anos ou mais em 2000 e alcançou 21,1%, em 2010 (ver Figura).

Somando essas duais faixas de escolaridade, quase 30% da população em 2010 contavam com curso médio ou superior, o que habilita a região a receber investimentos de maior complexidade técnica e em novos setores de atividade. De outra parte, quase seis em cada dez pesssoas de 25 anos ou mais de idade não contavam com ensino fundamental completo, demonstrando a dimensão do esforço necessário para elevar a escolaridade da população regional.


Nível de instrução da população de 25 anos ou mais (%)



Fonte: IBGE. Censos demográficos de 2000 e 2010.

A publicação sobre a Amazônia já está disponível no portal do BNDES na internet e, em breve, o volume sobre o Nordeste também poderá ser acessado no link https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/2801


Publicado no Jornal da Cidade, em 23/11/2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sergipe cresceu 3,6% em 2012



Ricardo Lacerda

O IBGE publicou na última sexta-feira, com a usual defasagem de quase dois anos, as contas regionais referentes ao ano de 2012. O PIB sergipano somou R$ 27,2 bilhões, dos quais cerca de 2/3 (66,9%) do valor adicionado bruto ou R$ 16,4 bilhões correspondem a riquezas geradas no setor de serviços, 28,9% ou R$ 7,1 bilhões no setor industrial e apenas 4,2%, ou R$ 1,03 bilhão no setor agropecuário.

Em relação ao ano anterior, o PIB sergipano cresceu 3,6% em 2012, puxado pela expansão da atividades industriais que apresentaram incremento de 5,6%, seguidas pelas atividades de serviço, 3,0%, enquanto o setor agropecuário, ainda penalizado em 2012 pela longa estiagem, recuou 6,8%, somente se recuperando no ano de 2013.

Construção civil e serviços

O principal destaque no PIB de 2012 foi o setor de construção com notáveis 12,8% de incremento. Em uma perspectiva de prazo mais longo, cabe assinalar que o setor de construção civil no estado apresentou desempenho extraordinário entre 2005 e 2012.

O chamado consumo aparente de cimento, diferença consolidada entre o que é produzido localmente e o que é enviado para os demais estados ou exportado, saltou de 222 mil toneladas, em 2005, para 646 mil toneladas, em 2012, o que equivale a um incremento médio de simplesmente 16,5% ao ano. Em 2013, o consumo aparente de cimento recuou para patamar próximo ao de 2011. Ainda assim, o consumo de cimento em Sergipe em 2013 foi 2,7 vezes o consumo verificado em 2005 (ver Gráfico 1).  

Gráfico 1. Consumo aparente de cimento portland em Sergipe. 2013-2013
(Em mil toneladas)

Fonte: SNIC. Sindicato Nacional da Indústria de Cimento

A nova dimensão alcançada pela construção civil no estado pode ser percebida pelo salto do emprego com carteira assinada de 13.484, em 2005, para 29.872, em 2013, quase tres vezes mais.
A indústria de transformação também apresentou em 2012 crescimento muito acima da média histórica dos últimos anos, incremento de 9,5%.
Entre as atividades de serviços, aquelas que apresentaram crescimentos mais elevados no ano de 2012 foram o comércio, 6,4%, transporte e armazenagem, 6,2%, e as atividades financeiras, 5,4%. O setor público, que respondeu por 27% do valor adicionado naquele ano, registrou crescimento modesto, de 2,0%.

Trajetória
A expansão do PIB sergipano em 3,6%, mais de trez vezes superior ao 1% do incremento do PIB nacional de 2012, apenas confirmou a tendência mais longeva.

Nos últimos dez anos, a economia sergipana vem registrando expansão mais rápida do que a média do país, tanto nos períodos de intensa expansão da economia nacional, quanto nos anos marcados pela desaceleração econômica, como os mais recentes.

Em oito dos dez anos contados entre 2003 e 2012, a economia sergipana cresceu em ritmo superior à média nacional. No período, a taxa média de crescimento do PIB sergipano alcançou 4,5% ao ano, frente aos 3,6% da média nacional.

São Paulo

As contas regionais de 2012 confirmaram a tendência de desconcentração da atividade econômica no território brasileiro, notadamente a queda de participação da região mais rica, o Sudeste, e do estado mais rico, São Paulo, no total da riqueza produzida no país.

Na comparação entre 2002 e 2012, as regiões mais ricas, Sudeste e Sul, perderam respectivamente, 1,5 e 0,7 ponto percentual de participação, enquanto as regiões mais pobres, Nordeste, Norte e Centro-Oeste, aumentaram suas participações em 0,6 pp nos casos das duas primeiras, e 1pp no caso do Centro-Oeste. Entre os cinco estados de maior participação na riqueza nacional (São, Rio de Janeiro,  Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) apenas Minas Gerais aumentou seu peso no PIB, enquanto os outros quatro perderam participação.

O Gráfico 2 mostra a trajetória de perda de participação de São Paulo, o estado mais rico da federação, no total do PIB nacional. Entre 2002 e 2012, aquele estado perdeu 2,5 pontos percentuais de participação. É importante destacar que a queda de participação foi acentuada a partir da crise financeira internacional de 2008 que afetou mais diretamente os estados que possuem maior base industrial.

Finalizando, destaque-se também que Sergipe manteve em 2012 o PIB per capita mais elevado da região Nordeste, seguido por Pernambuco e Rio Grande Norte.



Gráfico 2. Participação de São Paulo no PIB nacional. 2002-2012. (%)


Fonte: IBGE. Contas regionais 2012. Extraído da apresentação das contas regionais de 2012.



Publicado no Jornal da Cidade, em 16/11/2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

2015



Ricardo Lacerda

Concluído o processo eleitoral e 2014 se aproximando do final, o país se prepara para enfrentar em 2015 um período de ajuste econômico, com a expectativa de construir ao longo do ano as condições de transição para um novo ciclo crescimento.

Há grandes desafios a serem enfrentados. O principal deles é dispersar a atmosfera de pessimismo em relação às possibilidades de crescimento da economia brasileira no curto prazo.  

A questão central que tem pautado os analistas é identificar as forças capazes de retirar a economia da situação atual de letargia e impulsionar o mecanismo econômico em direção a taxas anuais de crescimento entre 2% e 3%.  Não é tão difícil assim.

Cenário externo

Um dos maiores entraves decorre da perspectiva de manutenção de um cenário externo muito adverso em 2015 e anos seguintes. Particularmente ruins são as perspectivas da zona do euro que recentemente reverteu o muito frágil ensaio de retomada da economia e poderá enfrentar por tempo indefinido o prolongamento da estagnação econômica.  

Ainda em setembro a zona do euro reviu a projeção de crescimento para 2014 de 1,2% para 0,8%, depois de ter enfrentado dois anos seguidos de queda do PIB. O Fundo Monetário Internacional tem emitido repetidos alertas para o risco concreto de a economia da região enfrentar um processo de deflação de preço nos próximos meses. A projeção é de que os preços aos consumidores variem 0,54% em 2014, com a deflação se instalando na Espanha e na Grécia, enquanto Portugal deverá registrar zero de inflação em 2014 e a França, 0,7%.

Para o FMI, a zona do euro não voltará a apresentar crescimento robusto até o final da presente década. Mesmo o desempenho do PIB alemão deverá se situar abaixo de 1,5% em 2014 e em 2015. Em tal cenário externo, a queda nas cotações de nossas principais commodities adiciona dificuldades à retomada do crescimento.

Vetores do crescimento

Do ponto de vista da demanda agregada, a retomada de um ciclo de crescimento pode ser impulsionada pelo aumento do consumo das famílias, pelo incremento dos investimentos, por meio de um drive de exportações ou por uma combinação entre eles. Dadas as dificuldades no front externo, o país deve buscar internamente os estímulos que poderão acionar tais componentes, até que um novo ciclo de crescimento da economia mundial possa alargar o nosso potencial de crescimento.

Em relação ao consumo das famílias, componente que representa cerca de 2/3 da demanda agregada, a sua expansão é determinada pelo crescimento do emprego, do rendimento médio das famílias, pelo volume de crédito, transferências sociais e por uma dimensão menos tangível que é a expectativa das famílias em relação a sua própria situação financeira e a do país no futuro próximo.

Como se sabe, o consumo das famílias tem sido o principal sustentáculo do crescimento do mercado interno nos últimos anos, tendo registrado taxas de crescimento superiores às do PIB em todos os anos depois que a economia desacelerou em 2011 (ver Gráfico).


Fonte: IBGE. CNT.

Esse empuxe aparentemente encontrou seu teto, seja do ponto de vista macroeconômico, como indicam as pressões inflacionárias, seja do ponto de vista microeconômico, referente ao grau de endividamento das famílias.

O desempenho dos investimentos tem sido limitado pela instabilidade do cenário internacional e pelo agravamento do cenário interno desde junho do ano passado. Há, todavia, expectativas razoáveis para que, afastada a crise de confiança atual, tenha início um novo ciclo de investimentos de proporção moderada, impulsionado pelas oportunidades e pelos efeitos multiplicadores gerados pelo aumento da produção de petróleo no pré-sal e pelas concessões de infraestrutura nos segmentos de rodovia, aeroportos e energia. Há poucas discordâncias de que são enormes as oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil.

Outra linha de impulso ao crescimento pode advir de ajustes na taxa de câmbio. É sabido que o hiato criado entre a velocidade de expansão do consumo e o da produção, notadamente da produção industrial, vem sendo preenchido pelo crescimento das importações.  Além disso, a desvalorização consistente do real, ainda que cuidadosa por conta do seu impacto sobre os preços internos, poderia abrir um drive de crescimento das exportações nacionais, com importante efeito multiplicador sobre o conjunto da economia.

Os novos investimentos em infraestrutura e as mudanças nas condições de competividade da atividade industrial não apenas concorrerão para reverter o declínio do nível de atividade que vem rondando a economia nos últimos meses como serão fundamentais para elevar a produtividade média de nossa economia, ampliando o produto potencial.
Nas últimas semanas que restam em 2014 e nas primeiras do ano vindouro, o país tem por desafio espantar o mau humor do mercado e apresentar um caminho consistente no médio prazo para o reequilíbrio das contas públicas, sem recorrer a armadilha da recessão. As oportunidades de investimentos em infraestrutura, o tamanho do nosso mercado de consumo e o impulso de um novo drive exportador podem mover a economia brasileira para um novo ciclo virtuoso.

Publicado no Jornal da Cidade em 09/11/2014



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os desafios da presidente



Ricardo Lacerda

São muitos os desafios que a presidente vai enfrentar para recolocar a economia brasileira nos trilhos do desenvolvimento sustentado, entendido como aquele capaz de: a) manter a geração de emprego; b) reverter a queda da atividade industrial e retomar a expansão do PIB em ritmo robusto; ao tempo em que c) dispersa as pressões inflacionárias; e d) reduz os déficits em transações correntes enquanto proporção do PIB. Como um cobertor curto, a priorização de um objetivo conspira contra outro.

A atividade econômica interna perdeu dinamicidade desde o segundo semestre de 2011, quando a economia mundial entrou no segundo estágio da crise iniciada em 2008. Na série em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, desde o terceiro trimestre daquele ano que o crescimento do PIB apresenta resultados abaixo de 2,5%, com exceção do 2º trimestre de 2013 (ver Gráfico 1).


Fonte: IBGE. CNT.

O ensaio de retomada iniciado no final de 2012 foi abortado pela nova deterioração do cenário externo em meados de 2013 e pela crise de confiança que se estabeleceu internamente, em parte por conta dos efeitos dos anúncios de reversão da política de expansão quantitativa  pelo Banco Central norte-americano, em parte por conta dos efeitos das mobilizações que tomaram as ruas do país, em parte por conta do acúmulo de dificuldades internas. O crescimento do PIB em 2014 tem sido especialmente ruim. 

Imperativo

A retomada do crescimento é um imperativo nesse momento e a superação da crise de confiança que se instalou no país é a tarefa mais imediata. A questão é o preço que o país está disposto a pagar para recuperar a confiança do mercado financeiro. O mercado exige atitudes convincentes de que o governo vai tomar medidas visando reequílibrar as finanças públicas e trazer a inflação para patamar mais confortável, sem recorrer à contenção dos preços regulados, como energia elétrica e combustíveis.  

Com o cenário externo ainda muito adverso, sem perspectivas de retomada consistente do crescimento nas economias centrais nos próximos trimestres, a margem de manobra do governo permance muito estreita para entregar o que o mercado exige sem adotar medidas que, inevitavelmente, aprofundarão a desaceleração da economia, com riscos de provocar desemprego e perda de poder de compra das famílias.  

Inflação

Otaviano Canuto, assessor sênior para assuntos dos BRICS do Banco Mundial, tem alertado para o descasamento entre as evoluções dos preços livres e dos preços regulados (ver Gráfico 2). Para o economista sergipano, o realinhamento dos preços dos bens e serviços monitorados (regulated) é o principal desafio na gestão da política macroecômica, quando a inflação anualizada já encostou no teto superior superior da meta de inflação e a atividade econômica se encontra debilitada.

A correção dos preços monitorados teria que ser acompanhada pela desaceleração dos preços livres, o que somente poderia ser alcançado por meio de medidas fortes de contenção do gasto público e de elevação das taxas de juros, o que o governo resiste  em fazer porque jogaria a economia em uma recessão aberta.

Para Canuto, a retomada de um novo ciclo virtuoso de crescimento e de inclusão social vai depender da capacidade do país em ampliar os investimentos em infraestrutura, preferencialmente por meio de concessões, e em educação profissional que propiciem a elevação da produtividade econômica no médio prazo.



Fonte: IBGE. Extraído da apresentação de Canuto in Brazil – U.S. Business Council,
 Washington, 30 de outubro de 2014.

Nelson Barbosa, ex-secretário executivo do ministério da fazenda e um dos nomes mais cotados para assumir a titularidade da pasta, tem destacado um outro aspecto a respeito da gestão do nosso sistema de metas de inflação. Ele lembra que em oito dos onze anos em que o Brasil cumpriu a meta inflacionária, no limite das bandas, desde que o sistema foi introduzido em 1999, a valorização do real cumpriu papel decisivo e nos outros três anos (1999, 2012 e 2013), o Banco Central recorreu a instrumentos não convencionais de gestão macroeconômica.

Ou seja, o controle da inflação desde o início do sistema de metas inflacionárias tem exigido, regularmente, a valorização de nossa moeda, que, se proporciona elevação do poder de compra das famílias e das empresas, compromete a competitividade da produção industrial tanto no mercado externo quanto no mercado doméstico. Em outras palavras, troca-se produção por consumo.

Para ele, o país deve procurar alternativa de controlar a inflação sem recorrer a um novo ciclo de apreciação do real que ameaça a sobrevivência do setor industrial.

Perspectivas

Com as medidas que deverão ser anunciadas nas próximas semanas, o governo vai procurar superar a desconfiança dos agentes econômicos em relação à gestão macroeconômica, iniciando um período de ajustes que pode ser mais duro ou mais suave.

Em algumas situações, a dose do remédio faz a diferença entre recuperar o paciente ou matá-lo. Ao lado do anúncio de controle das contas públicas, o governo deverá buscar destravar os investimentos em infraestrutura, que são fundamentais para retomar o crescimento o mais cedo possível.  A correção do câmbio, imprescindível para recuperar a competitividade de nossa economia, aparentemente, vai ser adiada mais uma vez ou será realizada muito diluída no tempo.

Publicado no Jornal da Cidade, em 02/11/2014 


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Como a economia do Nordeste descolou da crise nos últimos três anos


Ricardo Lacerda

O principal êxito da política econômica nesses seis anos em que já se estende a crise financeira internacional foi manter a geração de emprego formal e o crescimento da renda do brasileiro, mesmo diante de um quadro externo muito desfavorável.

A economia mundial saiu dos trilhos em setembro de 2008 e desde então os seguidos ensaios de retomada do crescimento não têm se mostrado sustentáveis. Depois de uma recuperação importante, entre o final de 2009 e primeiro semestre de 2011, a expansão do nível de atividade tornou-se anêmica nas economias avançadas, contaminando as possibilidades de crescimento dos chamados mercados emergentes, Brasil inclusive, que enfrentam em 2014 o quarto ano de crescimento modesto.

Se as medidas de estímulo adotadas foram exitosas em enfrentar as adversidades externas com um mínimo de penalização para população, a atividade industrial vem sendo fortemente afetada desde o primeiro momento da crise, com agravamento nos últimos meses.

Descolamentos

Dois movimentos chamam atenção na comparação entre as trajetórias da produção industrial e do nível geral de atividade nos últimos anos: o primeiro é o descolamento entre a evolução do PIB e da produção industrial, indicando que é a expansão das atividades de serviços, impulsionadas pelo incremento do emprego e da renda, que vem permitindo a economia apresentar crescimento, mesmo que modesto; o segundo descolamento que chama atenção diz respeito às diferentes trajetórias da evolução do nível de atividade entre as regiões ricas e as regiões mais pobres nesse período de contaminação do crescimento nacional pelo agravamento do cenário externo.

Curiosamente, os dois descolamentos não são duas faces de um mesmo processo, ou, caso sejam, há uma larga defasagem temporal entre eles. 

Nos últimos doze meses (até agosto), a economia da região Nordeste cresceu 3,3%. No mesmo período, a economia do Sudeste manteve-se estagnada, oscilou -0,1%, e a média do Brasil cresceu 0,9%, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR e IBC-R). A geração de emprego formal nos doze meses encerrados em setembro também apresentou intensidade muito diferenciada: alcançou 2,5% na região Nordeste e 0,8% no Sudeste e a média no Brasil foi de 1,46%, dados do Caged.

Mas o descolamento do ritmo de atividade da economia do Nordeste em relação à trajetória da média do país e o da atividade industrial do nível de atividade econômica geral são bem anteriores aos últimos doze meses, eles remetem ao impacto direto dos dois momentos da crise mundial sobre a economia brasileira.

O gráfico apresentado é elucidativo sobre os momentos em que se dão esse dois descolamentos. Estão representados os resultados acumulados em doze meses do Índice de Atividade do Banco Central (IBC), nas linhas descontínuas, e a Produção Física da Indústria, nas linhas contínuas, do Brasil, do Nordeste e do Estado de São Paulo entre o final de 2003 e agosto de 2014.

Descolamento industrial

No período anterior à deflagração da crise financeira internacional, em setembro de 2008, as curvas das trajetórias da produção industrial e do nível de atividade se apresentam quase sobrepostas, com exceção da produção física da indústria do Nordeste que evoluía mais devagar. As curvas de crescimento do índice de atividade e da produção industrial do Brasil apresentam trajetória bem aproximadas e assim como as curvas de crescimento do nível de atividade das economias do Nordeste e de São Paulo.

O descolamento do nível de produção industrial foi simultâneo à deflagração da crise internacional em setembro de 2008. Desde então, o nível de produção industrial estagnou, com oscilações, enquanto o crescimento do poder de compra da população assegurou a continuidade da expansão do setor de serviços e da média das atividades econômicas.



 Fonte: IBC-BR e IBC-R do Banco Central do Brasil. Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE.
 * Foram selecionados os resultados em doze meses que finalizam os trimestres
 e o resultado de agosto de 2014, também em doze meses.
 
O descolamento do Nordeste

O segundo movimento a chamar atenção é posterior no tempo. Tanto no mergulho na crise ao final de 2008 quanto na retomada, cerca de um ano depois, o nível de atividade da economia do Nordeste e da economia de São Paulo não descolaram, pelo menos até meados de 2011, enquanto a média da economia brasileira seguiu um pouco abaixo, mas não muito distante (ver linhas descontínuas no Gráfico).

O descolamento de fato da economia do Nordeste em relação às trajetórias de São Paulo e da média do Brasil veio ocorrer a partir do segundo semestre de 2011, quando a deterioração da situação econômica na Europa empurrou o mundo para o segundo estágio da crise e findou comprometendo as possibilidades de crescimento da economia brasileira.

Desde então a evolução da atividade da economia do Nordeste se diferenciou muito da economia de São Paulo e da média do Brasil. Cabe investigar melhor as razões.

Antecipo que respostas fáceis, em geral de natureza preconceituosa, não dão conta de explicar o desempenho diferencial da economia da região. Não é suficiente atribuir a explicação a um peso maior do setor público e menor do setor industrial na economia da região. Tais explicações não se sustentam. 

A minha hipótese é de que o ciclo virtuoso que se instalou na economia da região no período anterior, com a formação de um amplo mercado de trabalho e de consumo, emitiu efeitos multiplicadores de segunda ordem que asseguraram a manutenção do crescimento mais elevado da região nesse período, mesmo quando o quadro geral da economia brasileira se deteriorou.

Publicado no Jornal da Cidade, em 26 de outubro de 2014 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Desenvolvimento e infraestrutura no Nordeste


Ricardo Lacerda

Quem acompanhou os descaminhos da economia do Nordeste nos anos noventa deve lembrar como eram restritas as suas possibilidades. Na década liberal, as perspectivas de desenvolvimento para o Nordeste na prática inexistiam.

O espectro doutrinário predominante rechaçava políticas de desenvolvimento industrial ou regional, sob o pretexto de que elas geravam privilégios para as empresas que recebiam incentivos e afastavam a economia dos preços certos, determinados pelas vantagens comparativas dadas pela dotação de recursos de cada região ou país.

Vocação restrita

O discurso emitido pelo governo federal e repetido pelos governos estaduais e agências regionais de desenvolvimento restringia a dois os eixos de desenvolvimento que os formuladores de políticas recomendavam para o Nordeste: turismo e fruticultura irrigada. Ou pouco além disso.

Ao Nordeste do litoral caberia se transformar em um grande balneário e para o interior a redenção seria a agricultura irrigada. Turismo e fruticultura irrigada são importantes para o Nordeste mas os investimentos nessas áreas são insuficientes para dinamizar uma região com mais de 50 milhões de habitantes.
As disparidades de desenvolvimento entre as regiões eram consideradas como um resultado natural das forças de mercado, que tal como a uma força da natureza, nada poderia ser feito para contrariar.

O Nordeste não precisaria de novas indústrias porque as vantagens comparativas indicavam que elas deveriam ser situadas na região Sudeste que contava com infraestrutura, força de trabalho e proximidade do mercado de consumo. Dotar o Nordeste da infraestrutura para o desenvolvimento industrial e estimular o seu interior a edificar uma economia diversificada era impensável no ideário liberal, pois tudo que foge às vantagens comparativas era carimbado como desperdício de recursos.

Frente ao abandono de políticas nacionais de desenvolvimento regional, coube aos estados adotarem incentivos fiscais por meio da redução do ICMS para atrair empresas, no processo que ficou conhecido por guerra fiscal.

Paralisia

Os investimentos em infraestrutura produtiva e social no Nordeste praticamente paralisaram ao longo da década de noventa: a formação bruta de capital fixo do setor público, nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal) na região despencou, apresentando taxas negativas de 6,3% para cada ano entre 1990 e 1996, período para o qual as estatísticas estão disponíveis (dados da SUDENE).

Na prática isso significava que recursos para estradas, saneamento e habitação minguavam e a expansão das redes federais de ensino técnico e de ensino superior nem era cogitada. O governo federal entrou em guerra aberta com o sistema público de ensino superior, com ataques frontais às universidades federais.

Depois da crise cambial de 1998/1999, quando o Brasil quebrou e teve que ser socorrido pelo FMI, com apoio dileto do governo norte-americano, o projeto liberal começou a naufragar, assim como em outros países.

Anos 2000

As economias dos estados nordestinos somente voltaram a apresentar perspectivas de retomar crescimento robusto com diversificação produtiva após o ciclo de crescimento iniciado em 2004. O crescimento da região acelerou a partir de então, impulsionado pela ampliação das políticas públicas. O Nordeste passou a crescer e a gerar emprego em ritmo superior às médias do país e das regiões mais ricas.

Foram especialmente importantes para a aceleração da expansão da economia do Nordeste a política de elevação real dos salários mínimos, os programas de inclusão social e a retomada dos investimentos em infraestrutura social (com destaque para saneamento e mobilidade urbana) e infraestrtura produtiva.

Estimativa da consultoria econômica Ceplan, de Pernambuco, aponta que todas as sub-regiões do Nordeste apresentaram, entre 2000 e 2011, taxas de crescimento do PIB superiores à média do Brasil. A aceleração do crescimento abrangeu as áreas de expansão da fronteira agrícola, como os cerrados nordestinos situados no oeste da Bahia e no sul do Piauí e Maranhão; o semiárido, a sub-região mais pobre de recursos naturais; e a sub-região úmida da Zona da Mata e Litoral, onde se situa o maior número de capitais com seus polos industriais, comerciais e de serviços.

Investimentos

Com a retomada do crescimento do país, a região Nordeste voltou a receber investimentos expressivos. Entre os principais investimentos realizados na região podem ser destacados as obras de infraestrutura como a Ferrovia Transnordestina, a Ferrovia Oeste – Leste (FIOL); a transposição do Rio São Francisco; a montagem de parques eólicos na região, em praticamente todos estados, iniciando por Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe e Bahia; as obras de duplicação da BR-101; os investimentos nos portos de Suape, Aratu e Pecém; o aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN); projetos ligados ao programa Luz para Todos e de recursos hídricos (Canal do sertão alagoano, a adutora do agreste em Pernambuco e o futuro canal de Xingó).

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou, entre janeiro de 2010 e junho de 2014, operações creditícias para os estados do Nordeste no montante de R$ 60,7 bilhões, considerando apenas a modalidade de operações ditas não automáticas, com créditos superiores a R$ 10 milhões (ver Tabela).

Ná área de infraestrutura produtiva, tais operações alcançaram R$ 25 bilhões, com destaque para investimentos no setor de energia (hidroelétrica, termoelétrica e éolica) e transportes terrestres (rodoviário e ferroviário). No setor industrial, sobressaíram as operações para a indústria automobilística, química, papel e celulose, petróleo e gás e na indústria farmacêutica.

O retorno às políticas liberais não é, definitivamente, uma opção a ser considerada pelo Nordeste.




Áreas operacionais
R$ milhões
Participação (%)
Infraestrutura
25.385,15
41,8
Infraestrutura social
15.282,94
25,2
Insumos básicos
13.447,32
22,1
Industrial
6.404,41
10,5
Agropecuaria e de inclusão social
154,68
0,3
Meio ambiente
81,03
0,2
Pesquisa e acompanhamento econômico
4,83
0,01
Total
60.760,36
100
Fonte: BNDES