Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O perfil do emprego criado na economia sergipana em 2010

Ricardo Lacerda

A geração de emprego na economia sergipana alcançou patamar inusitado em 2010. Para efeitos de comparação, serão analisados os dados de doze meses, entre dezembro de 2009 a novembro de 2010, em razão da mudança procedida pelo MTE na sistemática de apuração dos dados do CAGED no mês de dezembro de 2010. Nos doze meses acumulados até novembro, foram criados 20.674 empregos com carteira assinada, resultado 64,5% superior à maior geração de emprego anterior, que havia sido nos doze meses acumulados até novembro de 2008, de 12.571 empregos formais.

O objetivo do presente artigo é o de apresentar o perfil desse emprego criado, em termos da escolaridade dos novos empregados e tipos de ocupação que foram mais demandados. Ainda que o espaço disponível não permita uma análise mais exaustiva, serão apresentadas algumas características importantes de novo emprego que tem surgido na economia sergipana.

Escolaridade

Há alguns fatos muito interessantes, referentes ao grau de instrução das pessoas empregadas nesse período, em que 60,6% dos novos empregos foram ocupados por pessoas com ensino médio completo e incompleto, sendo que, em mais da metade de todos os empregos, 51,6%, as pessoas contratadas detinham o ensino médio completo. Esse dado sinaliza para a importância do grau de escolaridade para aumentar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho formal, mesmo que a função ocupada possa ter como requisito um grau de instrução inferior. Dos 20.674 empregos criados no período, 12.534 foram ocupados por pessoas com ensino médio, dentre as quais, 10.677 contavam com o ensino médio completo. (Ver Tabela 1).


Um outro dado muito significativo é o de que o número de pessoas contratadas com nível superior, completo e incompleto, ultrapassou os novos empregados com grau de instrução de 1ª a 5ª-serie do ensino fundamental ou da 6ª a 9ª série do fundamental. No período, foram contratadas mais 2.806 pessoas com nível superior, entre completo e incompleto, frente a 2.570 com até a 5ª série do ensino fundamental e 2.352, com ensino fundamental da 6 ª a 9 ª série.

Perfil ocupacional 
O registro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego classifica, também, os empregos gerados segundo grupos e subgrupos ocupacionais. Cerca de 1/3 dos empregos gerados no período (36,6%) se concentrou no grupo ocupacional 7, que abrange os trabalhadores da construção civil e da indústria de calçados e de têxteis. (Ver Tabela).

O emprego gerado nesse grupo alcançou o contingente de 7.561, com destaque para os 2.272 postos de trabalho criados na construção civil e, subsidiariamente, na indústria extrativa. A ocupação de trabalhadores da indústria de caçados e têxteis somou 1.938 novas vagas. O grupo ocupacional de trabalhadores de serviços e do comércio gerou 4.362 empregos formais, sobressaindo-se os empregos de vendedores e representantes comerciais, e o de trabalhadores na administração de edifícios e logradouros.



Entre as ocupações típicas de profissões científicas, grupo ocupacional 2, e de técnicos de nível médio, grupo ocupacional 3, o setor de saúde liderou a geração de empregos. Neste segmento foram ocupados 1.203 profissionais em áreas cientificas, além de 1.657 técnicos de nível médio.

Na área técnica, foram expressivos, ainda, os empregos gerados nas ocupações em engenharia e nos serviços técnico-administrativos. Outros destaques foram os empregos formais criados na agropecuária, que alcançaram o número de 1.907 no período, associados à implantação de novas usinas, e a intensa demanda por eletricistas para a indústria e para oficinas. (Ver a tabela 2).

A análise das duas tabelas aponta para algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar, que o grau de instrução tem sido importante para um número expressivo de ocupações na indústria sergipana e de que a obtenção do ensino médio abre novas oportunidades para o trabalhador. Em segundo lugar, a demanda por ocupações científicas tem sido basicamente gerada pelo setor público, especificamente por meio dos concursos realizados pelas fundações de saúde. Há ainda uma forte demanda da construção civil e da indústria por ocupações técnicas.

Publicado no Jornal da Cidade, em 30/01/2011


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O comércio exterior sergipano em 2010 (2)

Ricardo Lacerda


A análise do comércio exterior sergipano não deve perder de vista o peso limitado que essa atividade tem para o conjunto da economia sergipana, muito mais integrada nos fluxos comerciais internos do que a média dos estados da federação. Em 2008, o peso do Produto Interno Bruto (PIB) sergipano no total nacional era 6,7 vezes superior à participação do fluxo comercial externo de Sergipe no total brasileiro.
Importações
No período recente, o comercio exterior sergipano, soma das exportações e importações, atingiu seu ponto de máximo em 2008, quando atingiu US$ 315 milhões. Com a crise financeira internacional, as empresas sergipanas procuraram concentrar ainda mais as suas vendas no mercado interno, enquanto as compras externas também recuavam, fazendo com que o fluxo comercial de 2010, mesmo superior ao de 2009, tenha se situado 18,7% abaixo do verificado em 2008. O fluxo de compras de produtos importados vem se intensificando nos últimos meses, impulsionado pela valorização cambial e pelo aquecimento do mercado interno.

O gráfico 1, a seguir, apresenta os dados das importações acumuladas em doze meses, entre 2008 e 2010. Nesta série, as importações sergipanas chegaram ao ponto mais baixo no período pós-crise em janeiro de 2010. Em dezembro de 2010, as importações sergipanas haviam aumentado para US$ 179,8 milhões, 19,8% acima dos US$ 153,3 milhões de dezembro de 2009.


Fonte: MDIC-SECEX 
Produtos


Um aspecto importante no perfil das importações sergipanas é o de que cerca de 95% do total importado em 2010 são direcionados para a produção e apenas em torno de 5% seguem diretamente para o consumo das famílias. Isso não significa que o consumo de produtos importados pelos sergipanos seja muito baixo, por que parte expressiva dele pode estar sendo abastecido por empresas importadoras de outros estados, sendo transferida para Sergipe como vendas internas.

Naquele ano, os principais produtos importados eram o trigo, para a fabricação de pães e massas, o coque para a indústria de cimento e alguns tipos de insumos para complementar a oferta do nosso pólo de fertilizantes, além de insumos para a indústria têxtil. As maiores importações de 2010 foram realizadas, por ordem, por Fertilizantes Heringer, Moinho de Sergipe, Petrobras, Cimento Poty, Ematex, G. Barbosa e o estaleiro H Dantas.
As compras externas de insumos, os chamados bens intermediários, representaram 66,6% do total importado por Sergipe em 2010, dos quais 16% foram adquiridos pela indústria de alimentos, com destaque para o trigo, e o restante pelos demais setores industriais. A aquisição de máquinas e equipamentos externos, os chamados bens de capital, responderam por 28,3% do total importado.
A expansão da produção industrial de Sergipe ao longo de 2010 estimulou o aumento da aquisição de insumos importados. O valor dos insumos importados pelo setor produtivo aumentou de US$ 88 milhões, em 2009, para 119,8 milhões, em 2010, um incremento de 36%, com as compras de insumos para a indústria de alimentos tendo aumentado 25%, enquanto a compra de insumos para os demais setores industriais cresceu 38%.

O ciclo expansivo


Mesmo com pequena participação no conjunto das compras totais de Sergipe, as importações podem sinalizar o comportamento de variaveis importantes da economia. As importações de equipamentos e insumos refletem parcialmente o andamento do ciclo de atividade produtiva. Enquanto as variações das compras de insumos se relacionam com o nível de atividade produtiva e de consumo da economia, a evolução na aquisição de equipamentos retrata o comportamento dos investimentos.

As importações de de bens de capital pela economia sergipana passaram de US$ 21 milhões, em 2006, para US$ 29 milhões,em 2007, até alcançarem US$ 60,8 milhões em 2009. Em 2010, elas se situaram em US$ 50,8 milhões. (Ver gráfico 2). A aquisição de insumos produtivos também vem conhecendo uma evolução favorável, passando de US$ 69,6 milhões, em 2006, até atingir US$ 160 milhões, em 2008. Recuaram para US$ 88 milhões, em 2009, e, em 2010, atingiram US$ 119,8 milhões. Assim ao longo do período 2006-2010, as importações de bens de capital tiveram um incremento de 140%, e as importações de insumo, de 72%.
O comportamento das importações sergipanas no ano de 2010 apontam para a retomada do comercio exterior, depois do recuo em 2009 provocado pela desaceleraçaõ da atividade econômica. Em uma perspectiva de prazo mais longa, o crescimento nas aquisições externas de insumos e equipamentos espelha o ciclo de crescimento da economia de Sergipe.
Fonte: MDIC-SECEX



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             Publicado no Jornal da Cidade, em 23/01/2011


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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O comércio exterior sergipano em 2010 (1)

Ricardo Lacerda

A combinação de crise no mercado mundial, valorização cambial e forte expansão no mercado interno fez mudar o papel do comércio exterior na dinâmica de crescimento da economia brasileiro e dos espaços subnacionais. Um número crescente de setores buscou redirecionar maior parcela de sua produção para o mercado interno.

Depois de ter despencado de US$ 197,4 bilhões em 2008 para US$ 153,0 bilhões em 2009, retração de 22,7%, as exportações brasileiras cresceram 32,0%, em 2010, atingindo um novo recorde, US$ 201,9 bilhões. A recuperação das exportações em 2010 confirma a retomada paulatina do comércio mundial, após a etapa mais aguda da crise financeira internacional, agora com maior presença dos mercados emergentes nos fluxos comerciais.

Ainda assim, as exportações nacionais de 2010 se situaram apenas em 2,01% acima do valor de 2008. Além disso, depois do pico de 2006, o saldo do comércio exterior brasileiro vem caindo aceleradamente, significando a diminuição da importância do comércio externo no crescimento do PIB nacional, enquanto a expansão do mercado de consumo interno vem ampliando o seu peso.

As exportações sergipanas também foram fortemente atingidas pela crise internacional, seguindo o padrão nacional, ainda que o impacto tenha sido relativamente maior em Sergipe, tanto em razão das dificuldades enfrentadas no mercado internacional do seu principal produto, o suco de laranja congelado, quanto pelo redirecionamento de outros bens, como o cimento e os têxteis, para o mercado interno. Depois de se retraírem em 45,6%, em 2009, as exportações sergipanas ensaiaram um início de recuperação em 2010, com expansão de 26,1%.

Produtos

As exportações sergipanas estão concentradas em alguns poucos grupos de produtos, com destaque para o suco de laranja congelado, que respondeu por 44,7% do total das vendas externas de 2010. Outros grupos de produtos importantes são o de calçados e couros e o de açúcar. Sucos, calçados e couro, açúcar e produtos assemelhados respondiam por 93,3% da pauta exportadora de Sergipe naquele ano. Produtos têxteis e material elétrico são ainda itens merecedores de menção no perfil exportador.

Entre os principais produtos da pauta de exportação sergipana, o suco de laranja é que tem encontrado maior dificuldade de deixar a crise para trás, seja por que não há a alternativa de redirecionar as vendas para o mercado interno, seja porque depende essencialmente do consumo dos países ricos, ainda enredados em processos recessivos.

As exportações de calçados e couros apresentaram uma notável recuperação em 2010, impulsionadas pelo aumento da produção das unidades industriais que foram instaladas no interior do Estado. As exportações sergipanas deste setor, depois de subirem de US$ 7,6 milhões, em 2006, para US$ 9,5 milhões, em 2007, alcançaram US$ 14,9 milhões em 2008. Com a crise financeira internacional, em 2009 elas recuaram para US$ 7,6 milhões, mas, em 2010, saltaram para US$ 18,2 milhões, o melhor resultado da série histórica. (Ver Tabela). As exportações sergipanas de açúcar, que haviam sofrido descontinuidade em 2006 e 2007, ganharam um novo fôlego nos últimos três anos, saltando de US$ 6,5 milhões, em 2008, e para US$ 9,8 milhões, em 2010.

Fonte: MDIC/SECEX/ ALICE

Suco de Laranja

O valor das exportações do suco congelado de laranja também iniciou uma recuperação em 2010, mas ainda muito parcial frente à perda dos anos anteriores. Depois de alcançarem US$ 71 milhões, em 2007, recuaram nos dois anos seguintes, atingindo US$ 20,1 milhões em 2009. O valor exportado em 2010 ficou 70% acima do registrado em 2009, ainda que muito abaixo dos resultados obtidos em 2007 e 2008. (Ver Tabela). Mesmo considerando o caráter parcial da melhoria, há motivos para otimismo em relação à recuperação das exportações sergipanas de suco de laranja no futuro próximo.

No gráfico a seguir, a linha demarca o valor médio anual recebido por tonelada de suco congelado exportada por Sergipe e as colunas representam o valor exportado. Em 2007, no melhor ano de exportações sergipanas de suco congelado, o valor médio da tonelada exportada do produto alcançou US$ 1,9 mil. Já em 2008, o preço médio da tonelada exportada de suco caiu para US$ 1,4 mil, despencando novamente, em 2009, para US$ 886/ tonelada.


Fonte: MDIC/SECEX/ ALICE

Em 2010, o valor médio do suco exportado teve uma forte reação, alcançando US$ 1,6 mil/tonelada. Observando-se a trajetória dos anos recentes, nos melhores anos o preço da tonelada exportada se situou acima de US$ 1 mil. Cabe indagar, então, se com a recuperação do preço médio, 2010 terá marcado o inicio de uma nova recuperação das exportações sergipanas de suco de laranja? E com isso, as exportações sergipanas deixarão para trás, em breve tempo, as vicissitudes que as acompanham desde o início da crise financeira internacional?

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

Publicado no Jornal da Cidade em 16/01/2011.


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Crescimento populacional dos municípios sergipanos

Ricardo Lacerda

O IBGE publicou no final do ano passado os primeiros números do Censo Populacional de 2010. Entre os resultados, o que mais chamou a atenção foi o encolhimento da taxa de crescimento da população brasileira, de 1,80%a.a, na década de noventa, para 1,17% a.a, na primeira década do novo século, o que significa que, enquanto nos 10 anos anteriores a população cresceu 19,5%, o incremento restringiu-se a 12,3% na última década. A taxa de crescimento anual da população do Nordeste, de 1,07% a.a., ficou abaixo da média brasileira, mas acima das registradas nas regiões Sul e Sudeste. As expansões mais expressivas na população se verificaram nas regiões Norte e Centro-Oeste, 2,0% a.a e 1,90% a.a., respectivamente.

A população sergipana,em 2010, era de 2.068.031 habitantes, crescimento de 15,9%,em relação aos 1.784.475 residentes em 2000, taxa bem acima das médias nordestina e brasileira. Na região, Sergipe apresentou a segunda maior taxa de crescimento populacional, inferior apenas ao estado do Maranhão.

Municípios

Os municípios que apresentaram maior crescimento populacional na década foram Carmópolis, Barra dos Coqueiros e Canindé do São Francisco, com impressionantes 44,4%, 40,5% e 39,1%, respectivamente. Há importantes forças por trás do crescimento demográfico desses municípios, como a expansão dos gastos públicos impulsionados pelas receitas de royalties de petróleo e gás, no primeiro, de royalties de geração de energia elétrica, no terceiro, e, no caso da Barra dos Coqueiros, a maior integração com Aracaju.

Entre as 15 maiores populações, em 2010, foram pequenas as modificações no ranking municipal, com Itabaianinha ascendendo da 8ª para a 9ª posição, em razão da perda de quatro povoados de Simão Dias para o município baiano de Paripiranga, e a queda de quatro posições de Propriá, superado por Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Capela e Itaporanga d'Ajuda, municípios que conheceram importantes avanços nas atividades agrícolas ou industriais, no período. Aracaju alcançou o notável crescimento de 23,7%, superior mesmo à taxa de Nossa Senhora do Socorro, de 22,1%, e São Cristovão, também na Grande Aracaju, 22,0%.

Fonte: IBGE. Censo Demográfico. Resultado preliminar de 23/11/2010. OBS. O crescimento populacional de Simão Dias foi de fato maior do que esse registrado, considerando a perda de 4 povoados para Paripiranga, na Bahia.

Grandes e médios

O Quadro a seguir associa o ritmo de crescimento populacional e o porte dos municípios, estabelecendo quatro faixas de tamanho e cinco faixas de taxas de crescimento populacional entre 2000 e 2010. Entre os municípios maiores, com 40 mil habitantes ou mais, três apresentaram crescimento populacional superior a 15% na década, todos na região metropolitana, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristovão. Itabaiana, Lagarto e Tobias Barreto registraram expansão populacional superior a 10% mas inferior a 15%, enquanto Estância, com 9,3%, teve a menor taxa de crescimento nesse segmento.

Entre as cidades-pólo, Propriá, com 28.457 habitantes, apresentou o menor incrementopopulacional no período, 3,9%. No segmento entre 20 mil e 40 mil habitantes, oito municípios se situaram nas faixas de crescimento de 10% a 15% ou de mais de 15%, e cinco tiveram incremento entre 5% e 10%.

Pequenos

Entre os pequenos municípios, as situações são mais diversas, com alguns deles tendo apresentado elevadas taxas de crescimento populacional, como São Francisco, Divina Pastora, Rosário do Catete, Gen. Maynard, Carmópolis, Indiaroba, Monte Alegre e Japaratuba, eoutros com baixas taxas ou mesmo redução, comoItabi, Arauá, Japoatã, Canhoba, Neópolis e Santa Luzia. 
Alguns municípios de pequeno porte apresentaram taxas intermediárias de crescimento, entre 5% e 10%,como Malhador, Maruim, Santo Amaro, Brejo Grande, entre outros. Ver a lista completa no quadro citado.


Fonte: IBGE. Censo Demográfico. Resultado preliminar de 23/11/2010. Obs: * O crescimento populacional de Simão Dias foi de fato maior do que esse registrado, considerando a perda de 4 povoados para Paripiranga, na Bahia.

O ritmo de expansão populacional dos municípios pode estar associado a uma diversidade de fatores, como o crescimento econômico do período, a mudança do grau de articulação com centros urbanos mais dinâmicos, ou a implantação de projetos agrícolas ou habitacionais, ou ainda a diferentes taxas de fecundidade. Na primeira década do século, os municípios sergipanos responderem de formas diferenciadas aos estímulos econômicos e sociais: alguns apresentaram expansão notável de população, enquanto outros apresentaram baixo crescimento populacional ou mesmo pequena retração.

Publicado no Jornal da Cidade em 09/01/2011

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Desafios e perspectivas para 2011

Ricardo Lacerda

Confirmando-se a previsão de mercado da semana passada, o crescimento do PIB brasileiro de 2010, de 7,61%, será o mais elevado desde 1985, quando atingiu 7,85%. A produção industrial deverá encerrar o ano com taxa de crescimento acima de 10%, a maior desde 1993, ainda no Governo Itamar. A geração do emprego formal se situará em torno de 2,13 milhões de empregos, o segundo melhor resultado da série histórica do CAGED/MTE, inferior apenas ao de 2007, quando forem criados 2,45 milhões de empregos.

O crescimento do volume de vendas no varejo, 11,09% até outubro, é o melhor da serie histórica iniciada em 2000. A taxa de desocupação de novembro passado atingiu 5,7%, e é também a melhor da série histórica. Muitos outros indicadores do nível de atividade econômica poderiam ser apresentados para caracterizar a excepcionalidade do ano de 2010.

A inquietação natural é se o Brasil poderá repetir em 2011 resultados tão positivos. Um primeiro aspecto a destacar é o de que, após uma expansão exuberante no inicio do ano, o PIB brasileiro vem se desacelerando ao longo de 2010. Depois de ter crescido 2,3% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2009, na série livre de efeitos sazonais, a expansão do PIB desacelerou para 1,8% no segundo trimestre, e para 0,5% no terceiro trimestre.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a expansão do PIB, que havia atingido 9,3% no primeiro trimestre e 9,2% no segundo trimestre, desacelerou para 6,6% no terceiro trimestre. (Ver gráfico 1). A projeção de mercado para o crescimento do PIB em 2011 é de 4,5%.

Fonte: IBGE- Contas Nacionais Trimestrais.

Crescimento potencial
A mudança de patamar de expansão do PIB de 7,61%, em 2010, para 4,5%, em 2011, suscita uma série de questões, relacionadas ao chamado crescimento potencial da economia brasileira. Deve-se considerar que o crescimento de 2010 se deu sobre a base rebaixada de 2009, quando o PIB recuou 0,6%, e o crescimento projetado para 2011 incidirá sobre um patamar elevado.
A noção de crescimento potencial diz respeito à expansão que a economia pode ter sem provocar pressão inflacionária que fuja ao controle ou desequilíbrio que ameace a sustentabilidade das contas externas. Quando o crescimento verificado extrapola esse limite, nem sempre claramente definido, resta às autoridades econômicas puxar o freio de mão da economia por meio das políticas fiscal e monetária, provocando a desaceleração do nível de expansão da atividade.

O crescimento excepcional da economia brasileira em 2010, quando a economia dos países avançados continua estagnada, refletiu às medidas adotadas pelo governo para se contrapor à onda recessiva que a ameaçava. No momento agudo da crise de confiança, ainda em 2008, o governo respondeu com aumento dos gastos públicos e com a redução de impostos sobre o consumo.

Na sequência, a expansão da demanda das famílias empurrou o crescimento da economia. Essa resposta, a única possível naquele contexto, fez com que a demanda corresse à frente da oferta, refletida, no front interno em uma piora nas contas públicas, e, no front externo, em uma deterioração do saldo da conta corrente. Mais recentemente, o governo respondeu com medidas restritivas ao crédito e acenos de redução nos gastos públicos para 2011 para enfrentar o aumento de pressões inflacionárias. O gráfico 2, a seguir, mostra como o déficit nas transações correntes do Brasil com o exterior em doze meses vem se ampliando e os efeitos da pressão de demanda sobre o comportamento do IPCA.

Fonte: IBGE- IPCA; Banco Central do Brasil- Déficit em Transações Correntes

O grande desafio da política econômica brasileira em 2011 é o de manejar gastos públicos, juros e câmbio de forma a assegurar a continuidade nas trajetórias de expansão do emprego e do mercado interno, quando limites externos e internos mais estreitos precisam ser observados.

A conjuntura econômica internacional ainda fragilizada não ajuda, mas o passado recente mostrou que, com responsabilidade, a expansão do mercado interno pode continuar sendo o sustentáculo do crescimento da economia brasileira nos próximos anos. O próximo passo é o de desenvolver inovações financeiras que assegurem a expansão sustentada dos investimentos a fim de alargar o potencial de crescimento brasileiro.

Publicado no Jornal da Cidade, em 02/01/2011
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Crédito e felicidade

Ricardo Lacerda


Economistas podem ser pessoas pretensiosas. Depois de se arvorarem em calcular o nível de bem-estar das comunidades agora se propõem a medir a Felicidade Interna Bruta- a FIB. São muitas as críticas feitas ao Produto Interno Bruto (PIB) como indicador de desenvolvimento. Ele mede a riqueza gerada, mesmo assim parte da riqueza gerada, muitas atividades não são consideradas; mas não necessariamente a riqueza a que as pessoas têm acesso. Entram no cálculo do PIB, essencialmente, fatos econômicos que geram dispêndio. Assim, o tempo dedicado pelos pais à educação dos filhos não é computado, ainda que essa atividade seja importante na formação deles.

Como medido hoje, penso que as variáveis de renda são sempre melhores do que as de produção, como o PIB, quando se trata de avaliar o desenvolvimento em âmbito subnacional. O PIB pode ser um indicador do estágio de desenvolvimento das forças produtivas em um estado ou região, e é importante por isso, mas pode também ser um fetiche, porque nem sempre expressa adequadamente o grau de desenvolvimento sócio-econômico.

Esforços estão sendo realizados pelos cientistas sociais, economistas inclusive, para incorporar na avaliação do desenvolvimento outras dimensões além do desempenho econômico, como as dimensões da qualidade de vida e a da sustentabilidade do crescimento. Alguns sugerem a inclusão de variáveis sobre percepção pela população da qualidade de vida nesse novo indicador. A intenção é boa, mas as dificuldades metodológicas envolvidas são imensas para compatibilizar, no mesmo cálculo, os dispêndios econômicos, as variáveis que não envolvem dispêndios, como as externalidades negativas e positivas da atividade econômica sobre os recursos ambientais, e as variáveis subjetivas, como a satisfação das pessoas com a vida que têm e a percepção de elevação ou queda do padrão de vida material.

Consumo e crédito

Retornando à medição mais tradicional, o acesso a bens e serviços, ainda que não seja tudo, é uma dimensão importante do desenvolvimento, principalmente em uma região como o Nordeste, em que cerca de 30% da população se encontram em situação de pobreza extrema. A expansão do mercado de consumo no Brasil tem cumprido um duplo papel nos últimos anos: de um lado, significa mais acesso das famílias a alimentação, eletrodomésticos, informações, transporte e lazer; de outro lado, consistiu no principal motor de crescimento do emprego e da renda, engendrando mecanismos virtuosos de auto-reforço sobre o crescimento do mercado interno.

A expansão do crédito foi um dos instrumentos mais importantes na ampliação do mercado do consumo da economia brasileira e cumpriu papel ainda maior nos estados nordestinos. Em um segundo momento, o crescimento do emprego e da massa de renda reforçou a expansão creditícia, tanto da oferta de crédito ao consumo das famílias, quanto da oferta de crédito às empresas.

Em dezembro de 2008, o saldo de operações de crédito na economia sergipana alcançou R$ 4,5 bilhões, equivalentes a 23% dos R$ 19,6 bilhões do PIB daquele ano. O gráfico 1 apresenta os saldos de operação de crédito na economia sergipana, classificando-os em Saldo de Operações de Pessoa Física e Saldos de Operações de Pessoal Jurídica. Em setembro de 2010, a soma dessas operações atingiu o montante de R$ 7,3 bilhões, dos quais cerca R$ 3,96 bilhões resultavam de operações com as famílias e R$ 3,32 bilhões, com empresas.

Quatro anos antes, em setembro de 2006, em valores corrigidos pelo IPCA do período, as operações com as famílias se limitavam a R$ 1,28 bilhão e as operações com as empresas, em 1,37 bilhões. Neste intervalo de tempo, o crédito às famílias mais do que triplicou (210%) e o crédito às empresas aumentou 2,4 vezes. O saldo total de operações em setembro de 2010 se apresentou 2,75 vezes superior ao resultado de setembro de 2006. (Ver gráfico 1).


Fonte: Banco Central do Brasil

Nordeste

Um fato significativo é que as operações de crédito se expandiram mais rápido no Nordeste do que nas demais regiões do país, tanto no que se refere às operações com as famílias quanto nas operações com as empresas. No Nordeste, entre setembro de 2007 e setembro de 2010, Sergipe foi o primeiro lugar em crescimento nas operações com pessoa física e o segundo lugar nas operações totais, atrás apenas de Pernambuco. O gráfico 2 apresenta as evoluções dos saldos totais de Sergipe, Nordeste e Sudeste, neste período.

O ciclo expansivo recente retirou milhões de brasileiros da pobreza extrema e formou um novo mercado de consumo de massa. O crescimento das operações de crédito foi um dos principais instrumentos do ciclo expansivo. Trouxe felicidade para milhões de lares brasileiros que, certamente, estão passando o melhor final de ano de suas vidas. Aumentou nossa Felicidade Interna Bruta, ainda que os economistas não tenham chegado a um consenso a respeito deste novo conceito. Feliz Natal para todos.



Fonte: Banco Central do Brasil


Publicado no Jornal da Cidade, em 26/12/2010

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A especialização relativa da economia sergipana (Final)

Ricardo Lacerda


A especialização dosterritórios de desenvolvimento é o tema desse quinto artigo, que encerra a série sobre especialização relativa da economia sergipana. Com ele, completa-se um ano, sem descontinuidade, que ocupamos semanalmente este espaço nobre do Jornal da Cidade para tratar de questões que julgamos relevantes para o desenvolvimento de Sergipe. Agradecemos à direção do jornal, pela oportunidade, e aos leitores, pela paciência.

Em 2007, o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria do Planejamento, deu início à implantação de um Plano de Desenvolvimento Territorial Participativo- PDTP, a partir da constituição de territórios de desenvolvimento.Em linhas muito gerais, a proposta do desenvolvimento territorial visou mobilizar pessoas e recursos para reforçar vocações existentes e criar novas especializações no território sergipano.

A diferença em relação aos programas mais tradicionais de desenvolvimento local, é que o desenvolvimento territorial, além de participativo, tem como pressuposto o empoderamento das forças sociais e a mobilização da população residente em torno da proposta de desenvolvimento, pensadanão apenas em termos econômicos, mas, igualmente, em termos sociais ede sustentabilidade dos recursos naturais.

Os territórios

A proposta de territorialização do espaço sergipano conformou a constituição de oito territórios de desenvolvimento, o Agreste Central, o Alto Sertão, o Baixo São Francisco, o Centro Sul, a Grande Aracaju, o Leste, o Médio Sertão e o Sul, configurados a partir de características econômicas, sociais, ambientais, políticas e culturais (Ver figura).

Figura. Territórios Sergipanos

Fonte: SEPLAN-SE


Coordenados pela Seplan, foram elaborados estudos e planos detalhados para cada um dos territórios. No espaço limitado do presente artigo, são apresentadas,a seguir,algumas características mais gerais de suas especializações relativas. Em termos da riqueza gerada, apenas em três territórios sergipanos a agropecuária representou, em 2007, mais de 10% do total: o Médio Sertão, com 18,3%; o Baixo S. Francisco, com 14,2%; e o Centro-Sul, 11,5%. (Ver quadro).

Dois territórios são fortemente marcados pela presença de grandes unidades industriais que fazem com que os setores secundáriosdelas alcancem elevadas participações na riqueza gerada: o Leste Sergipano, em virtude da presença da extração de petróleo& gás natural e de sais de potássio, que explicam os 2/3 (66,1%) de riqueza gerada no setor secundário; e o Alto Sertão, por conta da operação da Usina Hidrelétrica de Xingó, que faz com que 58,9% da riqueza tenham sido provenientesdesse segmento.

O Agreste Central e a Grande Aracaju, com importantes centros urbanos, se destacam pelas elevadas presenças do setor de serviços, abrangendo as atividades de comércio e os serviços prestados às famílias e às empresas, ainda que a Grande Aracaju sedie, também, a maior parte da atividade industrial.

Agropecuária

No que tange às especializações agrícolas, o quadro a seguir resume as principais especializações dos territórios sergipanos: No Agreste Central as principais culturas são o milho, com 66% do valor da produção do setor, a mandioca, a banana e a batata-doce. O território respondia, também, por mais de 1/3 da produção de ovos do Estado.

No Alto Sertão destacam-se o milho, com 63% do valor da produção agrícola do território, o feijão, a goiaba e mandioca. Trata-se, também, do território de maior produção pecuária, com 51% da produção de leite, além de 48% do mel do Estado. O Baixo S. Francisco Sergipano é especializado na produção de coco, cana, arroz, mandioca e o cultivo de frutas, como banana e manga.

O Centro-Sul conta também com uma agricultura diversificada, em que se sobressaiam, em 2009, a laranja, com 27% do valor da produção agrícola do território, o milho (26%), a mandioca (20%), o maracujá (13%), além do fumo e do feijão. Esse território respondia, em 2009, por 7% da produção de leite e de ovos e 23% da produção estadual de mel.

No Leste Sergipano, com predomínio da cana, 78% do valor da produção, éimportante ainda o cultivo da banana (7%), além de 23% da produção estadual de mel, e 7% do leite e dos ovos produzidos.

Na Grande Aracaju, principal pólo industrial e de serviços do Estado, algumas atividades agropecuárias também são importantes, como os cultivos da cana e do coco, e a produção de ovos e de mel.

O Médio Sertão é marcado pela presença de novas unidades de processamento de cana. As principais culturas agrícolas, em 2009, eram o milho, com 48% do valor da produção do território, cana, 17%, mandioca, 10%, e feijão, 5%. Tratava-se, também, da segunda maior bacia leiteira estadual, representando 19% do total produzido.

Finalmente, a região Sul, que conta com um importante parque industrial nos segmentos de produção de alimentos, produtos têxteis, produtos metalúrgicos e distribuição de energia, é o território em que é maior a presença da citricultura, com 52 % do total do valor da produção da laranja do Estado.



A principal vantagem do desenvolvimento territorial é o de potencializar as vocações locais e agregar novas atividades à estratégia de desenvolvimento. Promove o desenvolvimento a partir da mobilização da população local. Além disso, permite conjugar os investimentos estruturantes de âmbito macro às iniciativas locais.

Publicado no Jornal da Cidade em 19/12/2010

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A especialização relativa da economia sergipana (4)

Ricardo Lacerda

A análise da estrutura do setor de serviços guarda dificuldades não encontradas no exame dos setores agropecuário e industrial. O próprio caráter intangível,que está na essência da caracterização das atividades de serviços,torna menos exata amensuração das quantidades produzidas e da riqueza criada. Para alguns subsetores de serviços, a apuração do valor pelo IBGE é feita com base em indicadores indiretos.

Acrescente-se a isso, as dificuldades causadas na agregação de uma diversidade de atividades abrangidas por esse setor da economia, que inclui desde a renda gerada nas três esferas de governo, o pagamento de aposentadorias e pensões, a prestação de serviços às empresas, como consultorias e serviços de engenharia, a prestação de serviços às famílias, como cuidados de higiene e beleza, os serviços financeiros, o comércio, os serviços privados de saúde e educação, a alimentação fora de casa e a hospedagem, entre outros.

De maneira geral, a evolução do setor de serviços acompanha a expansão do processo de urbanização. As cidades são o local, por excelência, da prestação de serviços. A atividade tende a ganhar peso na riqueza gerada na medida em que a economia de um país ou de uma região cresce e a população urbana aumenta.

Com a abrangência citada, o setor de serviços, em 2008, respondia por 61,8% da riqueza gerada na economia sergipana, cerca de 7 pontos percentuais a menos do que na média da economia brasileira (66,7%) e da média da região Nordeste (66,8%).Como vimos no primeiro artigo dessa série voltada para a análise da especialização da economia sergipana, esta participação menor do setor serviços decorre do peso acima das médias nacional e regional que as atividades industriais apresentam no caso de Sergipe.

Administração Pública

Em 2008, o subsetor Administração Pública, incluindo a seguridade social, respondia por 24,5% da riqueza gerada em Sergipe. Ou seja, cerca de um em cada quatro reais gerados na economia sergipana são originados no setor público, contando com os gastos dos governos federal, estadual e dos municípios e as aposentadorias, pensões e outras transferências de recursos.

Se forem consideradas ainda as atividades de extração de petróleo e gás, 9,8% do Valor Adicionado Bruto, e parte expressiva dos Serviços Industriais de Utilidade Pública, como os serviços de fornecimento de água, saneamento e a energia gerada pela Usina Hidroelétrica de Xingó, 7,9% no total, pode-se inferir a importância das atividades da administração pública e do setor produtivo estatal para a economia sergipana. O gráfico a seguir apresenta os pesos do setor serviços e do subsetor administração pública nos estados do Nordeste e na média da região e do Brasil, sem considerar, nesse caso, a contribuição das empresas públicas na geração do Valor Adicionado Bruto.

Ainda que o peso das atividades da administração pública no Valor Adicionado da economia sergipana, 24,5%, se situe muito acima da média do Brasil, 15,8%, e um pouco superior à do Nordeste, 22,2%, ele não distoado resultado da maioria dos outros estados do Nordeste, em que a participação chega a alcançar 31,3%, no caso da Paraíba, e 28,3%, no Piauí. (Ver gráfico).
Fonte: IBGE-Contas regionais de 2008. Obs. A participação do Subsetor de Administração Pública abrange também a Saúde e Educação Públicas e a Seguridade Social.

As especializações

Excluindo a participação da administração pública, para evitar distorções na comparação com as médias do Nordeste e do Brasil, as atividades de maior peso no total do Valor Adicionado do setor de serviços sergipano, naquele ano,eramo comércio, com 30,6%, as atividades de aluguel e administração de imóveis, 20,4%, o subsetor de transporte, 11,8%, o subsetor financeiro, 9,4% e a prestação de serviços às empresas, 7,0%. A lista completa está apresentada na tabela. Essas participações não divergem muito dos resultados encontrados para o Nordeste, embora possam ser bastante diferentes dos obtidos para a média do Brasil.

Em relação à média do país, as atividades de comércio, de aluguel e administração de imóveis, de transporte e de alojamento e alimentação fora de casa, além dos serviços domésticos, apresentavam, em 2008, maiores pesos na economia sergipana. Por outro lado, os serviços financeiros, as atividades de prestação de serviços às empresas, os serviços de informação, os serviços financeiros e os serviços privados de saúde e educação tinham menor participação na economia sergipana do que na média do país.

Comparativamente ao Nordeste, Sergipe era relativamente especializado nas atividades de transporte, nos serviços financeiros e nas atividades de aluguel e administração de imóveis. Situava-se em posição próxima ou igual a do Nordeste nas atividades de serviços às empresas e nos serviços de informação. Nas atividades de saúde e educação mercantis, alojamento e alimentação e nos serviços às famílias e comércio, situava-se abaixo da média regional.

Ainda que as estatísticas sobre as atividades de serviços sejam menos precisas do que as dos demais setores, os indicadores de especialização relativa propiciam umavisão panorâmica dos segmentos em que Sergipe tem se destacado mais do que as médias do Nordeste e do Brasil.

Assim, chamam a atenção as atividades de aluguel e de administração de imóveis, de transporte e mesmo as do setor financeiro, estas últimas relativamente mais desenvolvidas em Sergipe do que na média regional.No próximo artigo, serão examinadas as especializações relativas dos territórios sergipanos, com o que será encerrada essa série sobre as especializações produtivas de Sergipe.

Fonte: IBGE-Contas regionais de 2008.
Obs. Participação calculada extraindo os valores da administração pública.
Publicado no Jornal da Cidade em 12/12/2010


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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A especialização relativa da economia sergipana (3)

Ricardo Lacerda

Sergipe conta com uma estrutura industrial relativamente diversificada, na qual a indústria extrativa mineral e a indústria de transformação repartem, com peso similar, a geração do valor de transformação. Na indústria extrativa se destacam a exploração de petróleo e gás natural e a de minerais não-metálicos. Essas atividades de extração das riquezas minerais são as bases das cadeias produtivas de petróleo & gás e de fertilizantes no Estado. Tais atividades, como se sabe, ganharam expressão em Sergipe entre o final da década de setenta e o início dos anos oitenta, a partir de investimentos de empresas estatais.

Na indústria de transformação, as atividades mais importantes, em termos de Valor da Transformação Industrial (VTI), são as indústrias de alimentos e bebidas; a produção de minerais não metálicos, em que se destacam a produção de cimento e produtos cerâmicos; têxteis e confecção; calçados e couros; e a fabricação de produtos químicos, incluindo a produção de fertilizantes, cosméticos e de álcool.

Esse perfil diversificado da indústria de transformação inclui desde empreendimentos muito tradicionais, como os de fabricação de tecidos e de açúcar, aos de fabricação de concentrados de sucos, implantados nos anos setenta, a indústria de confecção, até outros segmentos, relativamente mais recentes, como os de torrefação de café, fabricação de calçados e a indústria de etanol. Atividades ainda mais recentes são a fabricação de materiais elétricos, de cosméticos, produtos metalúrgicos, máquinas e equipamentos e linhas variadas de produção de alimentos.

Estrutura Industrial

A Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, informa que o Valor da Transformação Industrial da Indústria Geral de Sergipe, abrangendo a indústria de transformação e a indústria extrativa, alcançou o montante de R$ 3,5 bilhões, em 2008, repartidos em 50% para cada uma das atividades. O VTI da indústria de transformação somou R$ 1,74 bilhão e o da Indústria Extrativa, R$ 1,72 bilhão.

Na indústria de transformação, destacam-se a produção de alimentos e a do setor de minerais não metálicos cujos VTIs alcançaram em 2008, respectivamente, R$ 392 milhões e R$ 387 milhões. No patamar seguinte encontravam-se a produção têxtil com R$ 218 milhões, e a de bebidas, com R$ 194 milhões. No terceiro pelotão, as atividades de produção de calçados e couros, produtos químicos e vestuário que registraram, em 2008, VTI acima de R$ 80 milhões e inferior a R$ 100 milhões. Entre as atividades de maior peso, caberia ainda destacar os segmentos de produção de máquinas e equipamentos, de material elétrico e o de fabricação de plásticos e borracha, cujos VTIs se situaram entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões. (Ver Gráfico)


Fonte: IBGE- Pesquisa Industrial Anual de 2008.


As especializações

Em 2008, cinco atividades industriais apresentavam mais do que o dobro da participação no VTI da indústria de transformação em Sergipe do que na média da região Nordeste: a fabricação de minerais não-metálicos, por conta da indústria de cimentos, cujo VTI pesava 4,9 vezes mais em Sergipe que na média da região; a indústria têxtil, 4,53 vezes; máquinas e equipamentos, 4,38; fabricação de móveis, 2,49, e a produção de bebidas, 2,24. (Ver Tabela). Dignas de menção são, também, as especialização relativas de Sergipe na produção de máquinas e equipamentos elétricos, vestuário, fumo e na produção de alimentos.

Na comparação com a média brasileira, as especializações relativas na produção de minerais não metálicos e na fabricação de produtos têxteis são ainda mais acentuadas. São significativas, também, as especializações relativas da indústria na produção de bebidas, calçados, vestuário, produtos alimentícios e móveis.


A especialização relativa da indústria de transformação sergipana nos segmentos destacados informa uma certa divisão de trabalho entre os estados da federação, em que Sergipe participa com mais peso naqueles segmentos do que na média da indústria de transformação. A especialização indica, desta forma, vantagens competitivas do presente ou do passado persistente. No próximo artigo, examinaremos a especialização relativa de Sergipe nas atividades de serviço.



Publicado no Jornal da Cidade em 05/12/2010

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domingo, 28 de novembro de 2010

A especialização relativa da economia sergipana (2)

Ricardo Lacerda

A Pesquisa Agrícola Municipal- PAM, do IBGE, referente ao ano de 2009, trouxe alguns resultados muito positivos para a agricultura sergipana. A cultura do milho, que tem sido a principal atividade agrícola do semi-árido sergipano, manteve sua trajetória de crescimento dos anos anteriores, alcançando o montante de 784,4 mil toneladas, 20,3% acima da safra de 2008.

Entre as principais culturas sergipanas, cabe ainda destacar em 2009 o crescimento de 7,3% na produção da cana-de-açúcar, de 1,6% na da laranja e 27,5% na produção de feijão. A mandioca teve recuo de 3,6% e o arroz de 2,4%, enquanto a produção de coco da baía se manteve estabilizada, -0,8%.

Em uma perspectiva de tempo um pouco mais longa, entre 2001 e 2009, a produção de laranja cresceu 35%, a cana-de-açúcar, 96%, o coco da baía, 209%, e a produção de milho, simplesmente 1.405%, ou seja, ampliou-se 15 vezes no período. A produção de arroz cresceu 24% e a de feijão 64%. A expansão dessas culturas atesta a evolução favorável da agricultura de Sergipe ao longo da década.

Principais culturas

Em 2009, o valor da produção da agricultura sergipana alcançou a cifra de R$ 1,05 bilhão. Desse total, as culturas permanentes responderam por R$ 538,8 milhões, um pouco acima dos 507,4 milhões das culturas temporárias. (Ver gráfico). As principais culturas permanentes, que são praticadas na Mesorregião Leste Sergipano, eram a laranja, cujo valor de produção somou R$ 276,7 milhões, o coco da baía, com R$ 136,2 milhões, o maracujá, R$ 45,6 milhões e a banana, R$ 37,9 milhões. Novas culturas permanentes tem se desenvolvido no solo sergipano, como a produção de manga, mamão, goiaba, entre outras.

Dentre as culturas temporárias, em geral praticadas no semi-árido, com a notória exceção da cana-de-açúcar, as mais importantes são o milho, cujo valor de produção, em 2009, atingiu R$ 188,1 milhões, a cana-de-açúcar, 134,8 milhões, a mandioca, R$ 95,3 milhões, o feijão, o arroz, a batata-doce e o fumo. (Ver gráfico). As culturas permanentes respondiam por 51,5% do valor da produção agrícola estadual, frente aos 48,5% das culturas temporárias. Tal equilíbrio de participação dos dois tipos de cultura é uma característica muito específica do território sergipano.


Fonte: IBGE- Pesquisa Agrícola Municipal de 2009.

As especializações
Sergipe é a segunda unidade da federação em termos de participação das culturas permanentes no valor da produção agrícola, somente superado pelo Estado do Espírito Santo, em que essa participação atinge 88,1% do total. Nos demais estados, as culturas temporárias superam as culturas permanentes. Em média, as culturas permanentes respondiam, em 2009, tão somente por 19% do valor da produção agrícola brasileira e por 31,8% da do Nordeste. A maior participação das culturas permanentes na economia agrícola sergipana deve-se, essencialmente, ao peso mais elevado da laranja e do coco da baía em sua estrutura agrícola do que nas médias do país e da região.

A tabela abaixo resume a participação das culturas no valor da produção agrícola de 2009. Entre as culturas permanentes, observa-se que a participação da laranja e do coco, alem de outras, é muito mais alta no valor da produção de Sergipe do que nas médias do Nordeste e do Brasil. Mais especificamente, o peso do valor da produção do coco em Sergipe é 24 vezes maior do que na média do Brasil e 5,29 vezes superior a média nordestina. No caso da laranja, o índice de especialização de Sergipe mostra que o seu peso no valor da produção é cerca de 8 vezes superior ao da média brasileira e 10 vezes superior à media nordestina.

Entre as culturas temporárias, Sergipe é relativamente especializado na cultura do milho, da mandioca, da batata-doce e do amendoim, tanto em relação à media brasileira quanto à média nordestina. Na comparação com o Nordeste, é ainda especializado na cultura do fumo.

Os resultados da Pesquisa Agrícola Municipal de 2009 confirmam a evolução favorável das principais culturas agrícolas em Sergipe. Revelam, também, uma especialização agrícola muito própria. No próximo artigo, examinaremos a especialização relativa da indústria de transformação sergipana.


Publicado no Jornal da Cidade em 29/11/2010

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A especialização relativa da economia sergipana (1)

Ricardo Lacerda

O conceito de especialização relativa procura captar quais são aquelas atividades que, comparativamente, têm um maior peso para aquele espaço determinado do que em outros, representando, assim, uma vantagem comparativa. O IBGE apresentou na semana que passou os resultados das contas regionais referentes ao ano de 2008. O Produto Interno Bruto- PIB de Sergipe alcançou, naquele ano, o montante de R$ 19,5 bilhões, equivalentes a 0,6% do total nacional e a 4,9% do PIB regional.

O PIB per capita, que representa a riqueza média gerada no ano por pessoa residente no Estado, somou R$ 9.778,96, em 2008. Sergipe manteve o 1º lugar no ranking do PIB per capita do Nordeste, seguido pelos estados da Bahia e de Pernambuco. O diferencial do PIB per capita de Sergipe em relação aos demais estados da região é muito significativo. Esse indicador, em 2008, se situou 30,6% acima dos R$ 7.487,55 anuais por habitantes da média regional.

Em relação aos R$ 8.378,41 da Bahia, o segundo da região, o PIB per capita de Sergipe era 16,7% superior. O PIB per capita de Sergipe ficou em 39% e o do Nordeste, em 53%, abaixo da média nacional, revelando o quanto é ainda necessário caminhar para reduzir as disparidades de renda no território brasileiro.

As especializações

As contas regionais permitem, também, medir a participação dos setores na riqueza e, assim, conhecer as especializações produtivas das unidades da federação. Em 2008, o setor agropecuário representou tão somente 5,9% do Valor Adicionado Bruto- VAB, conceito próximo ao do PIB, da economia brasileira. Essa baixa participação não diminui a importância da agropecuária no desenvolvimento do Brasil, posto que uma parcela expressiva da produção industrial utiliza como matéria-prima recursos provenientes da agricultura, mas a agregação trazida pela transformação desses produtos é caracterizada como riqueza industrial.

O setor industrial participou, em 2008, com 27,9% do PIB nacional e um amplo setor caracterizado como de serviços, abrangendo desde serviços financeiros, serviços pessoais, administração pública, saúde, educação, turismo e outras atividades, respondeu por cerca de 2/3 do total (66,2%).

Sergipe Industrial

Uma característica importante da economia sergipana é o elevado peso do setor industrial no sentido amplo, abrangendo a indústria extrativa mineral, a indústria de transformação, os serviços industriais de energia, gás e água, e a construção civil na geração do Valor Adicionado Bruto. Em 2008, essa participação atingiu 33% do total, a quinta maior porcentagem entre os estados brasileiros e um patamar bem superior ao da média nacional, de 27,9%. (Ver gráfico). O peso do setor industrial na economia sergipana é o mais elevado do Nordeste, situando-se cinco pontos percentuais acima do da Bahia, o segundo estado da região nesse quesito, e oito pp em relação ao Rio Grande do Norte, o terceiro lugar.


Fonte: IBGE- Contas Regionais

Participação tão expressiva do setor industrial na riqueza gerada em Sergipe deve-se, essencialmente, à presença de dois subsetores que têm peso muito maior no Estado do que na média do Brasil e, em particular, do que nos demais estados nordestinos: a indústria extrativa mineral, que conta com a produção de petróleo e gás e a extração de sais de potássio, e a produção e distribuição de energia, em que se inclui a Usina Hidroelétrica de Xingó. (Ver tabela).


Fonte: IBGE- Contas Regionais

Os Índices

A última coluna da tabela apresenta o Índice de Especialização Relativa da economia sergipana, em 2008. Em todos os setores e subsetores cujos índices são maiores do que 1, a participação da atividade na economia sergipana é maior do que na média nacional. Esse indicador mostra que as mais fortes especializações sergipanas, em 2008, eram na indústria extrativa mineral (3,02), na produção e distribuição de energia elétrica (2,51), na administração pública (1,55), a exemplo da maioria dos estados do Norte e do Nordeste, e na construção civil (1,31). No próximo artigo, detalharemos a natureza da especialização nas principais atividades e procuraremos entender suas implicações para o desenvolvimento de Sergipe.
Publicado no Jornal da Cidade, em 21/11/2010

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

O FPE em uma perspectiva de longo prazo

Ricardo Lacerda

O Fundo de Participação dos Estados- FPE- e o Fundo de Participação dos Municípios- FPM-são mecanismos cooperativos previstos na constituição Federal de 1988, com o objetivo de reduzir o desequilíbrio econômico e social no território brasileiro. Tais fundos são supridos por parte das receitas do Imposto de Renda de Qualquer Natureza - IR e do Imposto sobre Produtos Industrializados- IPI.

Atualmente, o FPE se constitui em uma importante fonte de receita para a maioria dos estados brasileiros, especificamente para os das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que recebem 85% do total dos recursos provenientes desse fundo.Em 2009, os recursos do FPE alcançaram, em todo o país, a soma de R$ 36,2 bilhões. Para o Estado de Sergipe, o repasse do FPE, em 2009, atingiu R$ 1,88 bilhão, equivalente a 41,5% da receita corrente e 39,1% da receita total do Governo do Estado de Sergipe.

O FPE é, com grande margem de diferença, a mais importante fonte individual de receita do Estado. Para efeitos de comparação, o Imposto sobre Circulação de Bens e Serviços- ICMS, principal receita tributária de competência do Estado, somou, em 2009, o montante de R$ 1,43 bilhão, 31,5% da receita corrente daquele ano e valor 24% abaixo do resultado do FPE.

Com esse significado para as finanças estaduais, o comportamento do FPE, em 2009 e 2010, ficou muito abaixo das expectativas dos Estados, inclusive de Sergipe. Em 2009, em valores nominais, sem corrigir a inflação, o FPE destinado a Sergipe recuou 3,6%. Com a forte recuperação da economia brasileira em 2010, havia a expectativa dos estados de crescimento expressivo nas receitas desse fundo, o que, infelizmente, não vem ocorrendo.

Evolução

A evolução das receitas do FPE de Sergipe foi muito favorável no período 2004- 2008, quando registrou crescimento médio anual de 9,8% já descontada a inflação do período. (Ver gráfico 1). Depois de subir 3,4% em 2004, o FPE em termos reais aumentou 17%, em 2005, desacelerou a expansão em 2006, com taxa de crescimento de 6,3%, voltando a acelerar o ritmo de incremento em 2007, com taxa de 9,5%, e em 2008, com 13,5%.


Fonte: STN. Obs. Valores corrigidos pelo IPCA de outubro de 2010.

A crise financeira internacional impactou de forma profunda a provisão de recursos do Fundo, seja em função da queda do nível da atividade industrial e da adoção de isenções parciais ou totais do IPI sobre a arrecadação desse tributo, seja em função dos seus efeitos sobre a rentabilidade das empresas, afetando as receitas do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas.

Frente a essas dificuldades, a evolução do FPE de Sergipe, em 2009, foi muito desfavorável, com recuo real de 10% em relação ao resultado de 2008. Para o ano de 2010, havia expectativas de recuperação nos repasses do Fundo para os estados, em razão da forte recuperação do nível atividade econômica verificada desde o primeiro trimestre do ano.

2010

Essa expectativa, todavia, não se confirmou. Até setembro de 2010, o total do Imposto de Renda arrecadado pela Receita Federal, que responde por cerca de 85% dos recursos destinados constitucionalmente para o FPE, cresceu, em termos reais, apenas 3,88%, enquanto a receita tributária total, excluindo a previdência, aumentou 12,61 %. Esse comportamento ruim do IR decorre da queda da rentabilidade das empresas durante a crise e de posteriores compensações tributárias. Em termos práticos, isso significa que as receitas do governo federal vêm reagindo fortemente ao longo do ano, mas o mesmo não aconteceu com a principal fonte de recursos da ampla maioria das unidades da federação.

O gráfico 2 apresenta uma comparação entre o comportamento do FPE de Sergipe em 2010 e os resultados de 2009 e 2008, todos os valores corrigidos pelo IPCA de outubro de 2010. É possível perceber, a partir da observação das curvas apresentadas, como a recuperação do FPE de Sergipe vem ocorrendo em ritmo muito lento, frustrando a expectativa gerada pelo intenso crescimento do PIB em 2010.


Fonte: STN. Obs. Valores corrigidos pelo IPCA de outubro de 2010.

A linha descontínua, que representa a comparação entre o FPE de Sergipe acumulado ao longo de 2010 e o de 2009,mostra que o montante transferido para Sergipe até outubro de 2010 representa 101,9% do valor acumulado de outubro do ano anterior, equivalente a um incremento de apenas 1,9%, em termos reais. Observe-se também que até o mês de julho, o FPE de 2010 se situava abaixo, 99,4%, do resultado já bastante ruim de 2009.

A linha contínua, mais embaixo, apresenta a comparação entre os valores acumulados do FPE de 2010 e de 2008. Mostra, entre outras coisas, que a receita do FPE de Sergipe entre janeiro e outubro de 2010 ficou 9,9% abaixo do valor de 2009, para o mesmo período.

Em síntese, de um lado, ao longo de 2010 o FPE vem registrando uma recuperação ainda débil, não conseguindo se distanciar substancialmente, em temos reais,dos valores obtidos no ano de 2009, ainda que o comportamento do segundo semestre seja mais favorável do que o do primeiro semestre. De outro, as transferências do FPE de 2010 se mantêm muito abaixo do resultado de 2008, revelando que não se logrou ainda superar as perdas provocadas pela crise econômica.

Publicado no Jornal da Cidade em 14 de outubro de 2010
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Nível de atividade da economia sergipana no 3º trimestre de 2010

Ricardo Lacerda*

Depois de uma forte aceleração no primeiro trimestre de 2010, quando o PIB cresceu 2,7% em relação ao trimestre anterior, na série livre de efeitos sazonais, apontando para taxas anualizadas de 11%, o nível de atividade da economia brasileira sofreu uma desaceleração nos meses seguintes. No segundo trimestre do ano, a expansão do PIB foi de 1,2% em relação ao trimestre anterior, na série sem efeitos sazonais, equivalentes a 4,9% em termos anualizados. Na comparação entre o primeiro semestre de 2010 com o mesmo período de 2009, o crescimento do PIB brasileiro alcançou 8,8%.

A previsão das autoridades econômicas é de que o ano de 2010 deverá encerrar com uma expansão entre 7,5% e 8%, o melhor resultado nos últimos 24 anos.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador coincidente da atividade econômica, vem se mostrando estável nos últimos meses. A média do trimestre junho-agosto desse indicador é exatamente a mesma do trimestre anterior, março-maio, na série sem efeitos sazonais, apontando estabilidade no nível de atividade da economia brasileira. A desaceleração do crescimento nos últimos meses não se contrapõe ao fato de que a economia brasileira segue aquecida, com um nível de atividade elevado, apenas informa que ela tem crescido mais devagar.

No caso específico do setor industrial, a produção brasileira do setor no terceiro trimestre de 2010 cresceu 7,9% em relação ao mesmo período de 2009, mas o resultado foi negativo na comparação com o segundo trimestre (-0,5%) na série ajustada sazonalmente, conforme informou o IBGE.

Sergipe

Os indicadores disponíveis no nível de atividade da economia sergipana não são tão conclusivos a respeito da desaceleração do ritmo de crescimento nos últimos meses. No caso específico do setor industrial, os indicadores mais gerais apontam para uma manutenção do ritmo de expansão produtiva.

A soma do consumo industrial de energia elétrica e do consumo livre efetuado por grandes empresas comerciais e industriais na área de abastecimento da Energisa vem se mantendo em expansão, ampliando, inclusive, a diferença em relação aos mesmos meses dos anos anteriores. Apenas no mês de setembro, que costuma apresentar uma queda em relação a agosto, o recuo foi um pouco mais acentuado do que nos anos anteriores, mas apenas um evento não configura uma tendência. (Ver gráfico 1). Esse consumo no terceiro trimestre de 2010 ficou 16,2% acima do realizado no mesmo período de 2009, e 10,1% superior ao de 2008, antes do impacto da crise financeira internacional.















Fonte: Energisa

O consumo de gás natural pela indústria sergipana em 2010 também vem mantendo larga diferença na comparação com os mesmos meses de 2009. No terceiro trimestre de 2010, esse consumo se situou 16% acima do nível do mesmo período de 2009 e 3% acima do de 2008. (Ver gráfico 2).

A arrecadação do Imposto sobre Produto Industrial – IPI, na economia sergipana também confirma o aquecimento do setor, pulando de R$ 14,9 milhões no terceiro trimestre de 2009 para R$ 22,2 milhões no mesmo período de 2010, incremento de 48,7% em termos nominais.













Fonte: Abegas

Crédito e vendas

As evoluções do volume de crédito e de vendas no varejo não têm registrado desaceleração nos últimos meses na economia sergipana. O volume de vendas nos últimos 12 meses encerrados em agosto se situou 13,52% superior ao montante dos 12 meses anteriores. Ao longo do ano, essa série tem se mantido relativamente estável, revelando a robustez da expansão das vendas no mercado local.

A trajetória do crédito total em Sergipe tem se mostrado ainda mais favorável. O saldo total de crédito em poder do público, em agosto de 2010, estava 28,22% acima do montante de agosto de 2009. A expansão das operações de crédito tem se mostrado sustentável ao longo do ano e não sinaliza para uma desaceleração nos últimos meses, mesmo considerando que a base de comparação tenha crescido a cada mês. (Ver gráfico 3)















Fonte: IBGE- PMC. Banco Central.

A economia sergipana, diferentemente da média nacional, não tem mostrado sinais claros de desaceleração nos últimos meses. Indicadores de produção, consumo e crédito sinalizam para a persistência de um mercado aquecido e em forte expansão. É necessário aguardar a evolução dos indicadores nos próximos meses para avaliar se os efeitos da perda de ritmo no âmbito nacional se refletirão na mesma proporção internamente.

Publicado no Jornal da Cidade 07 de novembro de 2010


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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Petróleo na economia sergipana

Ricardo Lacerda

Na última quarta-feira, 27 de outubro, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, apresentou palestra em Seminário sobre o Petróleo do Pré-Sal no auditório da reitoria da Universidade Federal de Sergipe. Na ocasião, Gabrielli fez importante anúncio sobre a descoberta de uma nova área de exploração na bacia de Sergipe e Alagoas, destacando ser o evento muito relevante, por abrir “uma enorme perspectiva para a exploração e desenvolvimento da produção em áreas de Sergipe". Os primeiros testes indicaram a presença de petróleo leve, de qualidade semelhante ao da bacia de Campos.

Águas ultraprofundas

Além da qualidade da descoberta, chamou a atenção o fato de que o bloco exploratório anunciado, o SEAL-M-426, situado a 58 quilômetros da costa de Sergipe, possui lâmina d’água de 2,34 mil metros, portanto, maior do que a do campo de Tupi, na Bacia de Santos, que gira em torno dos 2,1 mil metros. Piranema, nosso único campo produtor em águas profundas, apresenta lâmina d’água de 800 metros.

Ainda que o dimensionamento das reservas dependa de pesquisas adicionais, os dirigentes da empresa asseveram que as informações já obtidas atestam a descoberta de uma nova província petrolífera na região, a primeira em águas ultraprofundas.

Petróleo em Sergipe

Desde a entrada em operação, em 1963, do campo terrestre de Carmópolis, a exploração do petróleo tem sido um dos principais vetores de desenvolvimento da economia sergipana. Os investimentos na cadeia produtiva de petróleo e gás têm se constituído, nos últimos 40 anos, em um dos fatores de diferenciação da economia sergipana em relação à média dos estados nordestinos e são um dos responsáveis (ao lado da maior taxa de urbanização, da menor faixa de semiárido e da menor concentração relativa de terra), por Sergipe apresentar indicadores sociais e econômicos significativamente superiores à maioria dos estados da região.













Fonte. Petrobras e Agência Nacional de Petróleo.

A evolução da produção do petróleo em Sergipe nos anos setenta foi extremamente favorável, com a descoberta de novas reservas na plataforma continental, impulsionada pelo inicio da exploração do campo de Guaricema em 1968.

Nesse ciclo expansivo, a produção alcançou seu ponto de máximo em 1984, a partir do qual entrou em preocupante trajetória declinante, fazendo com que a produção de 1997 se situasse cerca de 1/3 abaixo do resultado daquele ano. Entre meados dos anos oitenta até 2002,com algumas oscilações, a exploração de petróleo em Sergipe se manteve rebaixada. (Ver gráfico 1).

Com isso, ainda que permanecesse como uma importante atividade econômica, responsável por parcela significativa da renda gerada no Estado, o petróleo perdeu, durante esse período, seu poder impulsionador do crescimento da economia sergipana.

Novo ciclo em 2003

Somente em 2003, em parte por conta da recuperação dos preços internacionais do petróleo, que viabilizou a retomada da exploração de campos maduros e a realização de investimentos em novos campos, em parte em função de mudança de estratégia por parte da empresa em direção à retomada de um papel mais atuante no desenvolvimento brasileiro, a produção de petróleo em Sergipe iniciou um novo ciclo de expansão. (Ver gráfico 1)

Peso no PIB

Em 2007, último ano com dados disponíveis para as contas regionais, a indústria extrativa mineral, que abrange a atividade de exploração de petróleo e gás, respondia por 6,22 % do PIB sergipano. O peso da cadeia de petróleo e gás ultrapassa muito essa porcentagem, considerando-se os efeitos multiplicadores da massa de salário paga e dos contratos de fornecimentos de bens e serviços e dos tributos e royalties.

A forte presença dessa atividade em Sergipe faz com que a participação do setor extrativo mineral no PIB seja a quinta maior dentre as unidades da federação, abaixo apenas do peso que apresenta no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Pará (esta por conta da extração do minério de ferro). A participação dessa atividade na economia sergipana é 2,6 vezes superior ao da média do Brasil. (Ver gráfico 2).





















Fonte. IBGE: Contas regionais.

A retomada atual do crescimento da produção petrolífera em Sergipe se deveu especialmente a um novo ciclo de exploração petrolífera inaugurado com a exploração do campo de Piranema, em águas profundas, secundada pela retomada dos investimentos nos campos maduros. A descoberta da nova fronteira de exploração em águas profundas, anunciada essa semana, abre um novo capítulo da história do petróleo em Sergipe e confirma o papel determinante que a atividade deverá continuar a representar na economia estadual.

Publicado no Jornal da Cidade em 31/10/2010


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