Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

terça-feira, 23 de março de 2021

A importância do Curso de Economia para o estado de Sergipe

Ricardo Lacerda

O curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Sergipe não tem rival no que se refere à sua contribuição para o desenvolvimento institucional, econômico e social de Sergipe. A Faculdade de Ciências Econômicas, fundada em 1948, inaugurou o ensino superior em nosso estado no ano de 1950, juntamente com o curso de química. Em 1961, reuniu-se às também isoladas Escola de Química, Faculdade de Direito, Faculdade Católica de Filosofia, Escola de Serviço Social e Faculdade de Ciências Médicas para pleitear a criação da Universidade Federal de Sergipe, o que veio a se concretizar em 15 de maio de 1968.

A construção da cidade Universitária, no município de São Cristóvão, teve por liderança o professor José Aloisio de Campos, reitor entre 1976-1980, que posteriormente veio dar nome ao campus. O economista José Aloísio de Campos foi, desde os anos 1960, a principal liderança intelectual de Sergipe nos debates travados em favor da industrialização do estado e da exploração das nossas riquezas minerais. Presidiu o histórico Conselho de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (CONDESE), que cumpriu papel decisivo na elaboração e execução das políticas voltadas para o desenvolvimento das chamadas indústria de base de Sergipe nos anos 1970 e 1980.

Nesse momento da história, o curso de economia da Universidade Federal de Sergipe foi peça determinante na formação de recursos humanos e no amadurecimento das reflexões sobre as questões mais relevantes para o desenvolvimento do estado de Sergipe, em suas diversas dimensões.

 

A fundação da UFS coincidiu com outras grandes transformações de nosso estado: a exploração intensiva das riquezas minerais, com a produção de petróleo e gás natural pela Petrobras e com a instalação de unidades de produção de amônia e ureia e de produção de potássio, que viriam impactar profundamente a estrutura ocupacional e de renda e acelerar o ritmo de crescimento econômico; o intenso processo de urbanização e a modernização da máquina administrativa pública; o florescimento de Aracaju como uma cidade moderna, com oferta diversificada de bens e serviços. Em todas essas dimensões, os economistas formados pela UFS tiveram participações decisivas.

 

Esse conjunto de transformações correspondia ao movimento intenso de modernização do Brasil, com baixa inclusão social, cujas referências centrais foram os períodos de intenso crescimento do Milagre Econômico e dos Planos Nacionais de Desenvolvimento, nos anos sessenta e setenta, em um regime político fechado.

Três professores honraram o departamento de economia em suas passagens pela reitoria da Universidade Federal de Sergipe. Além de José Aloísio de Campos, os professores Gilson Cajueiro de Holanda (1980-1984) e Josué Modesto dos Passos Subrinho, esse último por dois mandatos conferidos em eleições diretas pela comunidade universitária (2004-2008 e 2008-2012). O professor Gilson Cajueiro de Holanda, com larga experiência administrativa, foi fundamental para a conclusão dos investimentos no recém inaugurado campus universitário, nesse momento de consolidação do ensino superior no Brasil e em Sergipe

O sistema universitário público somente voltou a apresentar um novo ciclo de expansão de grande magnitude nos anos 2000, agora já em plena vigência do regime democrático, quando a melhoria nas finanças e a decisão de ampliar a rede federal viabilizaram os recursos necessários. A redemocratização inseriu definitivamente na agenda do Brasil a preocupação com o progresso social da população brasileira que não poderia mais ser aparteado da perspectiva do desenvolvimento econômico.

Foi nessas circunstâncias que a gestão do Prof. Josué Modesto dos Passos Subrinho (2004-2012) empreendeu um novo grande salto da Universidade Federal de Sergipe, com o estabelecimento, pela primeira vez, de um sistema robusto de pesquisa e de pós-graduação, e de uma grade de cursos de graduação muito ampla, contemplando as mais importantes áreas de conhecimento e de formação profissional, fundamentais para o presente e para o futuro de Sergipe.

 

Ao longo desse período, o departamento de economia também passou por importantes mudanças. Inicialmente contou com um corpo docente composto por técnicos do governo do estado dedicados em tempo parcial ao curso de economia e, como era típico da época, em boa parte com formação em cursos de pós-graduação lato sensu promovidos pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL). Com a expansão do sistema de pós-graduação brasileiro, a partir do final dos anos setenta, o departamento de economia passou a assumir uma feição propriamente acadêmica nos anos oitenta, com a chegada de professores formados em cursos de pós-graduação stricto sensu. É o início de um processo que mesclou a chegada de docentes de fora do estado com a participação do(a)s melhores aluno(a)s egresso(a)s do curso local e que buscaram qualificação em alguns dos mais renomados centros de pós-graduação de economia do Brasil.

O enfoque do curso também tem passado por importantes mudanças, em consonância com o que vem ocorrendo na disciplina. Com o rápido avanço dos métodos quantitativos nas chamadas ciências econômicas, potencializado pelos efeitos da radical transformação das tecnologias de informação sobre os métodos estatísticos e econométricos, o curso de economia da UFS mais recentemente buscou conjugar uma formação teórica sólida e plural, abrangendo os principais paradigmas das chamadas ciências econômicas, com o instrumental técnico propiciado pelas novas tecnologias. Faz isso sem se afastar do seu compromisso fundamental, que vem norteando suas ações desde sua longínqua criação em 1948, o compromisso com o desenvolvimento econômico e social de Sergipe.

Publicado no Jornal da Cidade, em 21/03/2021

segunda-feira, 1 de março de 2021

Vídeo das Aulas do Curso de Economia Regional e Urbana no You Tube





LINK DAS AULAS

- TEORIA DOS LUGARES CENTRAIS

 
- VON THUNEN- ÁREAS DE ABASTECIMENTO
 
- WEBER
 
- ISARD
 
- Industrialização e Desenvolvimento Regional- Parte 1

 
- Industrialização e Desenvolvimento Regional- Parte 2


- O GTDN,  a criação da SUDENE e a política de desenvolvimento regional

https://youtu.be/ALziwSStSpE

O GTDN , A Política de Desenvolvimento Regional e a Nova Indústria do Nordeste
Desenvolvimento regional brasileiro nos anos 1970 E 1980


Desenvolvimento Econômico do Nordeste no início do seculo XXI









A economia brasileira precisa de um pacote de estímulos robusto

Ricardo Lacerda de Melo

 

O ano de 2020 foi guiado pelos impactos da pandemia do Covid-19 sobre a produção e circulação de bens e serviços e pelas respostas dos governos nacionais a fim de atenuar os efeitos de desestruturação econômica e social causada pela disseminação do vírus entre a população global. A Organização Mundial de Saúde reconheceu em 11 março de 2020 a situação de pandemia da doença do Covid- 19. Até o início do dia 25 de fevereiro de 2021, a instituição registrava 111.999.954 casos confirmados de pessoas infectadas pelo vírus da covid-19, com 2.486.679 mortes, distribuídas por todos os continentes.

O Brasil é o terceiro país em número de pessoas com casos confirmados, 10.257.875, abaixo apenas dos EUA e da Índia, mas até a 1ª quinzena de abril o número de casos confirmados no nosso país deverá superar o do Índia, galgando a 2ª posição. Haviam sido registradas no Brasil, até aquela data, 248.529 pessoas mortas pelo Covid-19, número inferior apenas às 499.019 pessoas mortas nos EUA. Desde o início de novembro de 2020, a doença enfrenta uma segunda onda de contaminação no país, voltando a se expandir em ritmo acelerado em parte expressiva do território nacional, atingindo média semanal superior a mil casos diários em meados de fevereiro, sem perspectivas de refluir.

Nos países centrais, a vacinação ampla contra a doença do Covid-19 ganhou impulso a partir do final de 2020, mas não deverá lograr a imunização de parcela significativa da população mundial antes do segundo semestre de 2021. A consequência desse fato é que os impactos da pandemia continuarão marcando a evolução da economia em escala global ao longo do corrente ano e, possivelmente, do ano de 2022.  No Brasil, o início da vacinação foi postergado para o mês de janeiro de 2021, com o agravante de que a o ritmo de vacinação se mantém muito insatisfatório, por conta da falta de uma política clara de aquisição dos insumos no exterior, que persiste até o momento. Salta aos olhos a descoordenação que impera na implementação do programa de vacinação.

Impactos econômicos e sociais

Os impactos econômicos e sociais da pandemia têm sido terríveis. Em meados de dezembro de 2020, o balanço preliminar da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), órgão integrante das Nações Unidas, estimou contração média de 7,7% do PIB do subcontinente latino-americano em 2020, queda sem paralelo desde que as estatísticas começaram a ser registradas. Para aquela instituição, o encerramento temporário de muitas atividades e a perda de rendimentos das pessoas provocaram uma contração acentuada do nível de ocupação em todos os países da região. Em uma estimativa para o segundo trimestre de 2020, abrangendo catorze países da América Latina e Caribe, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicou queda de 10 pontos percentuais na taxa de ocupação, na comparação com igual período do 2019, correspondentes a uma perda de 47 milhões de postos de trabalho.

No início de janeiro de 2021, o relatório Panorama Econômico Mundial, do Banco Mundial, estimou em 6,9% a retração do PIB na América Latina e Caribe e projetou para 2021uma retomada parcial do crescimento na região, com elevação de 3,7% no seu PIB.

O Relatório de Inflação do Banco Central do Brasil assinalou no início de dezembro que a recuperação da economia mundial dependerá principalmente da evolução do Covid-19. O relatório alerta que a ressurgência da pandemia entre algumas das principais economias mundiais poderia interromper ou mesmo reverter, por algum tempo, a recuperação parcial do nível da atividade econômica mundial registrada no terceiro trimestre de 2020, o que veio a se confirmar no início de 2021.

As políticas contracíclicas

As respostas dadas pelos governos nacionais para atenuar os impactos da pandemia sobre a ocupação e os rendimentos das famílias, e assim se contraporem à espiral descendente do poder de compra, assumiram grandes proporções. As medidas implementadas envolveram um leque variado de instrumentos, contemplando políticas monetárias agressivas de adoção de taxas de juros negativas, montantes inéditos de transferência de renda para as famílias que, de uma hora para outra, perderam suas fontes de ganhos e políticas creditícias e de suplementação de salários dos empregados para as empresas em dificuldades, configurando uma das mais abrangentes experiências históricas de políticas anticíclicas e de caráter humanitário.

No Brasil, as medidas contracíclicas alcançaram grande monta, abrangendo, além dos instrumentos citados acima, volumosas transferências federais para os entes subnacionais (estados e municípios), a fim de compensar as abruptas perdas na arrecadação, sem as quais os serviços públicos mantidos por essas esferas de governo teriam entrado em colapso.

Indefinição angustiante

Os governos dos países centrais e as agências multilaterais de desenvolvimento têm expressado enfaticamente a necessidade da continuidade dos estímulos de renda, tanto do ponto de vista humanitário, quanto do ponto de vista da retomada da economia. O recém empossado presidente Biden, dos EUA, anunciou um robusto pacote de estímulo que deve alcançar entre US$ 1,4 e US$ 1,9 trilhão.

O Brasil inicia o ano de 2021 em um ambiente de profunda incerteza, diante do encerramento do período estipulado para a vigência dos diversos programas contracíclicos. Com mais de 50 dias de interregno, o governo federal ainda não foi capaz de aprovar um programa robusto de amparo à população desassistida e que venha se contrapor ao refluxo da demanda. Apegadas a uma retórica de austeridade desconectada com a gravidade da situação econômica e social, as autoridades econômicas retardam a definição das novas medidas de socorro à população sem renda, que venham suprir o vazio de políticas que vige desde o final do ano passado. É importante destacar que, depois da modesta retomada verificada no 3º trimestre de 2020, graças ao vigor dos estímulos concedidos, a economia brasileira já vem perdendo fôlego nos últimos meses.

O citado Relatório da Inflação, do Banco Central constatava em dezembro que as perspectivas sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira continuavam muito incertas, diante da redução do volume de transferências de rendas para as famílias (auxílios emergenciais) já nos últimos meses de 2020.

Para 2021, reina a indefinição e as medidas atualmente em discussão são completamente insuficientes. Do ponto de vista social, a proposta do novo auxílio emergencial encaminhada ao congresso nacional, em quatro parcelas de R$ 250, não atende minimamente as necessidades de sobrevivência das famílias empobrecidas pela pandemia e chega a ser inexpressiva do ponto de vista de impulso da demanda. Ao fim e ao cabo, famílias empobrecidas, empresas fragilizadas e entes subnacionais iniciam o ano de 2021 sem perspectivas definidas em relação ao futuro imediato.  

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Link para a palestra de hoje, quarta-feira , 12 de agosto de 2020 da II Semana de Economia da UFS, a partir das 18 horas

Link para a palestra de hoje da II Semana de Economia da UFS, a partir das 18 horas


https://www.youtube.com/watch?v=RWvjOpq1M90


III SEMANA DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - 12 A 14 DE AGOSTO DE 2020

O Centro Acadêmico Celso Furtado, o Conselho Regional de Economia da 16ª Região e a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia- SE, realizam a III Semana de Economia de Sergipe, entre os dias 12 e 14 de agosto de 2020. Na Sexta-feira, às 18 horas, está programada Mesa de Debates Cultura e Desenvolvimento Regional no Pensamento e na Ação de Celso Furtado, com as participações dos professores Cid Olival, da Universidade Federal de Alagoas, César Bolaño e Ricardo Lacerda, da Universidade Federal de Sergipe.
 Durante o evento, será feito o lançamento em Sergipe do Livro Celso Furtado: Os combates de Um Economistas. Será disponibilizada durante o evento a edição em PDF do livro. 

A trnsmissão será realizada no you tube do Centro Acadêmico Celso Furtado 
https://www.youtube.com/channel/UCwHSQmu1nY7PyOinYhtQ01A

 Os links para acessar o evento serão disponibilizados também nas páginas https://www.facebook.com/CenariosDeDesenvolvimento e http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/ e no Portal do Conselho Regional de Economia da 16ª Região https://corecon-se.org.br/





terça-feira, 11 de agosto de 2020

Mesa de Debates e Lançamento em Sergipe do livro Celso Furtado: Os Combates de Um Economista



O Centro Acadêmico Celso Furtado,  o Conselho Regional de Economia da 16ª Região e a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia- SE, realizam a III Semana de Economia de Sergipe, entre os dias 12 e 14 de agosto de 2020.   Na Sexta-feira, às 18 horas, está programada Mesa de Debates Cultura e Desenvolvimento Regional no Pensamento e na Ação de Celso Furtado, com as participações dos professores Cid Olival, da Universidade Federal de Alagoas, César Bolaño e Ricardo Lacerda, da Universidade Federal de Sergipe. 

Durante o evento, será feito o lançamento em Sergipe do Livro Celso Furtado: Os combates de Um Economistas. Será disponibilizada durante o evento a edição em PDF do livro. 

Os links para acessar o evento serão disponibilizados nas páginas https://www.facebook.com/CenariosDeDesenvolvimento e http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/  e no Portal do  Conselho Regional de Economia da 16ª Região https://corecon-se.org.br/

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Republicação: A gestão da economia sob um governo sitiado

Publicado em 17 de abril de 2016


Ricardo Lacerda
Vivemos tempos extraordinários. Desde as mobilizações de rua de junho de 2013, o Brasil experimenta um processo de ebulição social que vai exigir o transcorrer de muito tempo para ser compreendido em sua inteireza. Muito mais insondáveis são os desdobramentos da crise atual em termos de desenvolvimento econômico e social em um horizonte de 20 ou 30 anos.
Já foi dito que a história é escrita pelos vencedores mas é impossível antecipar qual vai ser a narrativa predominante nas décadas de 2030 e 2040 sobre a crise atual.
Escrevo no calor dos acontecimentos, mais com o intuito de fazer um registro para a posteridade do que com a pretensão de interferir no debate corrente sobre as causas da crise econômica que paralisa o crescimento e joga o país em uma conflagração entre blocos de poder das mais acirradas do seu período republicano. Não tenho a veleidade de estar certo e de que outros estão errados. Faço meramente um registro de minha percepção sobre a crise atual.
O cerco político
A votação do impedimento da presidente Dilma Rousseff pela câmara federal no dia de hoje culmina o sítio que foi formado em torno ao seu governo desde o dia seguinte à eleição para o segundo mandato em outubro de 2014. O agravamento da crise econômica deu o lastro para a disseminação da insatisfação popular.
A questão que se coloca é como a situação política e o quadro econômico foram se deteriorando, em um processo de alimentação mútua, até chegar ao cenário do dia de hoje.
Diria que há duas ordens de questões, uma decorrente da insatisfação gerada pela crise econômica que se estende e outra atinente ao ressentimento que foi se acumulando em segmentos sociais tradicionalmente privilegiados como reação às massivas políticas de inclusão social adotadas pelo bloco político liderado pelo Partido dos Trabalhadores.
Irresignados com o resultado das eleições de 2014, muitos segmentos do empresariado, da classe política, do sistema judiciário e a totalidade da grande mídia, formaram um bloco de ataque ao poder que não deu trégua um só dia, desde antes mesmo de a Presidente tomar posse do seu segundo mandato consagrado pelas urnas.
O cerco formado no parlamento impediu na prática a gestão da economia. Além de não colocar em votação as medidas de ajuste necessárias à retomada da confiança em relação à gestão fiscal, o parlamento acenava a todo momento com a adoção de medidas de uma “pauta bomba”, e outras manobras, com o propósito explícito de erodir a já reduzida capacidade do poder executivo de governar.
Nas semanas mais recentes, a atuação de setores do sistema judiciário atingiu as raias do deboche, com a interdição da possibilidade de uma presidente legitimamente constituída nomear seu ministro da justiça. Frente a um cerco dessa força e abrangência, o governo restou sitiado, sem recursos políticos para se contrapor à maré montante de insatisfação instigada pela mídia, em que escândalos de corrupção eram seletivamente vazados com o claro intuito de atingí-lo.    
Foram desferidos pelo bloco de poder antagônico ataques impensáveis, incompatíveis com o regime democrático e o estado de direito, até o ponto de serem instaladas “escutas oficiais” nas dependências do gabinete presidencial. Nessa quadra, as forças de oposição, apesar de derrotadas nas urnas, estavam prontas para a tentativa do assalto final ao poder. Para tanto, recorreram a artifícios para dar ares de legalidade à derrubada do governo.
Os desequilíbros econômicos
A resposta expansionista da política econômica interna, após a crise financeira internacional atingir fortemente os países emergentes a partir de 2013, acionou uma série de desequilíbrios macroeconômicos, dentre os quais, aqueles de mais graves consequências foram a deterioração da situação fiscal e a fragilização do balanço de pagamentos.
O maior equívoco da gestão da economia, em sua ânsia de amortecer os efeitos recessivos, foi não dar transparência aos desequilíbrios que foram se formando, inclusive pela adoção de uma série de mecanismos ad hoc de estímulos setoriais que concorreram para a fragilização da situação fiscal.
As medidas de ajustes, postergadas para 2015, agudizaram a insatisfação popular na medida que corroeram o poder de compra e atingiram fortemente o mercado de trabalho, enquanto a situação fiscal se agravou muito com a queda da arrecadação.
Por mais graves que tenham sido os descontroles, a crise econômica per si não teria sido causa suficiente para inviabilizar a reorganização das finanças e promover uma retomada moderada do crescimento, não fosse a acelerada deterioração do quadro político. Relativamente ao cenário de 1999, a situação estritamente econômica no início de 2015 poderia ser enfrentada com sacrifícios infinitamente menores, não fosse o ataque sistemático do bloco de oposição, que recorrentemente fez uso de instrumentos inaceitáveis em um regime democrático.
Foi o cerco político que progressivamente asfixiou a capacidade do governo gerir a economia.
Perspectivas
Seja qual for o desfecho do processo impedimento da Presidente, não vai ser fácil reverter a realimentação mútua entre a crise política e a deterioração do quadro econômico. O fosso que foi aberto na sociedade e o esgarçamento do aparato institucional apontam para um cenário ainda nebuloso de como reconstruir a confiança nas instituições.
A construção de uma nação solidária exige, é fato, responsabilidade na condução de assuntos de natureza fiscal. Tampouco prescinde da observação do princípio da soberania popular.



quinta-feira, 9 de abril de 2020

Sergipe no século XXI: crescimento, crise e reposicionamento da estratégia de desenvolvimento econômico (1)

Inicio com o artigo de hoje uma série que pretende examinar a evolução da economia sergipana ao longo das duas primeiras décadas do século XXI. Em sua íntegra, trata-se de um ensaio que busca acompanhar o comportamento da economia de Sergipe durante a ascensão e crise da economia brasileira no período e identificar os principais desafios que se colocam para que Sergipe volte a apresentar um novo ciclo virtuoso de crescimento, com geração de emprego e inclusão social.
Desde a década de 1970, a dinâmica de crescimento da economia sergipana está associada, à semelhança da maioria dos estados da federação, mas com algumas especificidades, ao movimento geral da economia brasileira, acompanhando em linhas gerais os seus períodos de prosperidade e de recessão (Ver GUIMARÃES NETO, 1989; GUIMARÃES NETO, 1993; ARAÚJO, T., 1995). Nesse sentido, o desenvolvimento da economia sergipana tem como seu principal determinante o ritmo e a natureza da expansão da economia brasileira e a incidência regional das políticas nacionais, sejam elas de cortes setorial, social ou de infraestrutura.
Um segundo conjunto de determinantes do crescimento da economia estadual está associado à exploração de suas riquezas minerais. O crescimento da economia sergipana depende, em grande parte, do comportamento das suas atividades de extração mineral, particularmente da produção de petróleo e gás natural, ainda realizada quase exclusivamente pela Petrobras, apesar de importantes novos campos de exploração, que ainda não se encontram em estágio operacional, contarem com investimentos de empresas internacionais. A presença da atividade petrolífera é tão marcante que o sergipano médio tem plena consciência da importância da Petrobras na economia estadual.
Quando, nos anos noventa, a cotação mundial do barril de petróleo despencou, os investimentos na exploração e produção de petróleo sofreram forte retração em Sergipe, com impactos muito significativos sobre o emprego, a renda e as finanças públicas.
A economia sergipana que, nas décadas de 1970 e 1980, havia acelerado seu crescimento e passado por radical transformação na sua estrutura produtiva, com a implantação de grandes plantas produtivas de propriedade estatal para exploração de petróleo e para produção de fertilizantes nitrogenados e de potássio, desacelerou o crescimento nos anos noventa e inverteu ao longo daquela década a marca de crescer sistematicamente acima das médias do crescimento regional e do país. Alguns estudos são fundamentais para compreender as transformações econômicas de Sergipe a partir da década de 1970. Entre outros, Melo, R. (2012a e 2012b), Feitosa, C. (2007), Santana, N. (1991). Melo, M. (2012) e Barreto, D. (2013).
Um terceiro conjunto de determinantes está associado ao desempenho do setor agrícola, em grande parte dependente da combinação de preços favoráveis, disponibilidade de crédito e regime de chuvas.  A esse respeito, é importante destacar que o semiárido sergipano vem enfrentando um longo período de estiagem, à semelhança do que vem ocorrendo em quase toda extensão do polígono da seca, cujo início remete ao ano de 2011, mesmo que de forma intermitente. Os efeitos da estiagem sobre a produção de grãos e oleaginosas foram recorrentemente devastadores, com retração de safra de mais de 70%, como foi o caso de 2016.  O comportamento pluviométrico é ainda fundamental na atividade de geração de energia hidroelétrica, que responde por parcela significativa do PIB estadual. Um regime de chuva desfavorável nas cabeceiras do rio São Francisco pode reduzir em até quatro vezes a participação da geração de energia elétrica no Valor Adicionado Bruto (VAB) da economia sergipana.
Finalmente, a articulação externa da base produtiva sergipana é essencialmente nacional, seja extra regional, seja regional. O peso do setor externo na economia sergipana é muito reduzido. A economia do estado tem um dos menores coeficientes de exportação do país. São orientadas para o comércio exterior apenas as atividades de produção de suco concentrado de laranja, parcelas da produção de calçados e açúcar e, em proporção bem inferior, a fabricação de produtos têxteis.
O ciclo e a crise
Durante a etapa ascendente do ciclo econômico brasileiro, iniciado em 2004, a economia de Sergipe acelerou o crescimento, diversificou sua estrutura produtiva por meio de atração de empresas, intensificou a geração de emprego formal na região metropolitana e no interior e ampliou os investimentos em infraestrutura produtiva e social. Todavia, quando a economia brasileira desacelerou em 2014, o nível de atividade estadual entrou em queda livre, entre 2015 e 2016, e manteve-se estagnado, nos anos de 2017 e 2018. A economia de Sergipe foi duramente atingida: a construção civil e a produção de cimento despencaram; e, a Petrobras desmobilizou ativos, reduziu a produção de petróleo e gás e desativou a unidade de produção de fertilizantes nitrogenados. Com os ventos adversos, a recessão não tardou em contaminar o mercado de trabalho e as finanças públicas.
Perspectivas
Em termos de perspectivas, o principal projeto estruturador do estado de Sergipe está associado à consolidação do seu Complexo Industrial-Portuário, tendo como indústrias-chave a Usina Termoelétrica Porto de Sergipe e a Unidade de Regaseificação de Gás Natural a ela associada, que podem abrir oportunidades de implantação de indústrias e empresas de prestação de serviços em seu entorno.
Também se revelou muito promissora a exploração de petróleo e gás natural em águas profundas na bacia de Sergipe-Alagoas, apontada como a mais importante fronteira de exploração da produção petrolífera no país, depois do pré-sal.
Nos artigos subsequentes, iremos examinar as especificidades que distinguem a economia sergipana das demais economias estaduais da região Nordeste e iniciar a avaliação do comportamento dos principais setores de atividade nas duas primeiras décadas do século XXI

Referências Bibliográficas
ARAÚJO, T. (1995) Nordeste, nordeste: que Nordeste? In: AFFONSO, R. & SILVA, P (Orgs). Desigualdades regionais e desenvolvimento. São Paulo. Fundap/Unesp.
BARRETO, D. (2013). A Construção do Desenvolvimento de Sergipe e o Papel do Condese (1964-1982). Editora Diário Oficial.
FEITOSA. C. As transformações recentes da economia sergipana (1970-2004). 2007. 228 f. Dissertação de Mestrado – Instituto de Economia, Unicamp, Campinas, 2007.
GUIMARÃES NETO, L. (1989) Introdução à formação econômica do Nordeste. Recife. Fundaj.
GUIMARÃES NETO, L. (1995) Desigualdades regionais e federalismo. In: AFFONSO, R. & SILVA, P (Orgs). Desigualdades regionais e desenvolvimento. São Paulo. Fundap/Unesp.
MELO, M. (2012). O legado desenvolvimentista do governo Augusto Franco. Editora Criação.
MELO, R. (2012a)  O ciclo desenvolvimentista em Sergipe:1970-2000. Economia Política do Desenvolvimento, v. 5, p. 10-68.
MELO, R. (2012b). Economia Sergipana Contemporânea (1970/2010). Editora UFS e Editora Diário Oficial.
SANTANA, N. (1991). A INSERÇÃO DO Estado de Sergipe na política de incentivos fiscais do Nordeste:1963-1988. Monografia (Especialização em Ciências Sociais)-UFS. Aracaju.


Publicado no Jornal da Cidade, de Aracaju, em junho de 2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Mercado de trabalho entra 2019 em desaceleração


Ricardo Lacerda

O mercado de trabalho brasileiro vem desacelerando a geração de novas ocupações ao longo dos últimos trimestres. Depois de encerrar o ano de 2017 com as ocupações totais registrando crescimento de 2,05%, o último trimestre de 2018 mostrou incremento de apenas 0,97% nas ocupações totais, sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em termos absolutos, foram criadas 1,89 milhão de novas ocupações na comparação entre os últimos trimestres de 2016 e 2017, e 890 mil novas ocupações na comparação dos mesmos períodos entre 2017 e 2018, menos da metade.
O fato é que em todos os principais tipos de inserção no mercado de trabalho os resultados mais recentes vêm apresentando melhorias mais lentamente do que há um ano atrás, refletindo a desaceleração no ritmo de crescimento econômico. A grande interrogação é se as fortes elevações dos índices de confiança nos últimos meses terão ou não o condão de estimular a retomada do crescimento econômico e, assim, impulsionar a criação de empregos em 2019.
Precarização
Após sete semestres subsequentes de crescimento do PIB, a taxa de desocupação na economia brasileira se mantém muito elevada. No trimestre móvel outubro-dezembro de 2018 a taxa de desocupação se situou em 11,6%, apenas 0,2 pontos percentuais abaixo do resultado do mesmo período do ano anterior. Em relação a quatro anos antes, trimestre outubro-dezembro de 2014, a taxa mais recente se posicionou 5,1 pontos percentuais acima (ver Gráfico 1).

Além da lentidão na queda da taxa de desocupação, chama a atenção a qualidade ruim das novas inserções no mercado de trabalho. O emprego formal no setor privado continuou declinando em 2018, registrando retração de novas 324 mil ocupações com carteira de trabalho. As novas ocupações, por sua vez, revelam inserções precárias: em 2018, a ocupação por conta própria respondeu por quase 50% do total criado e quase 1/3 das novas ocupações correspondem a empregos sem carteira assinada no setor privado.
Em termos de grupamentos de atividades no trabalho principal, chama a atenção a concentração das ocupações criadas nos segmentos de serviços sociais e outros serviços. Permanece grave a situação da ocupação na construção civil, que ainda não estabilizou o contingente de trabalhadores empregados; o setor vem apresentando sucessivas quedas na série que compara com mesmo período do ano anterior desde o trimestre móvel junho-agosto de 2016.



Fonte: IBGE, PNADC

Desaceleração

Além dos fatos relatados acima, relativamente bem conhecidos pelo público, há um dado novo e preocupante: a desaceleração na geração de novas ocupações nos últimos trimestres entre as ocupações consideradas mais precárias.
O Gráfico 2 apresenta as taxas de crescimento da ocupação total e do número de pessoas nos tipos de ocupações de maior de peso no mercado de trabalho, na comparação com iguais trimestres móveis do ano anterior. Observando-se a ocupação total indica-se que depois de crescerem 2,05% no último trimestre móvel de 2017, em relação a igual período de 2016, no trimestre móvel janeiro-março de 2018 essa taxa recuou para 1,84%; no segundo trimestre móvel (abril-junho de 2018), refletindo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, a taxa recuou ainda mais célere, para 1,11%. Na segunda metade do ano, apesar de alguma retomada no incremento na geração de ocupação no trimestre julho-setembro, a linha de tendência é claramente declinante, registrando-se nova forte desaceleração no último trimestre móvel de 2018.
Observando-se as evoluções dos principais tipos de ocupação, contata-se que a desaceleração foi generalizada entre os vínculos precários que vinham sustentando a retomada da ocupação, enquanto a ocupação formal no setor privado não mostrou sinal de animação maior, continuando a apresentar quedas sucessivas e ainda expressivas no número de pessoas ocupadas.
Assim, os empregos sem carteira de trabalho assinada que finalizaram o ano de 2017 apresentando taxa de crescimento de 5,69%, no último trimestre de 2018 registraram incremento de 3,84%; a taxa de crescimento dos empregadores, que cresceu 6,34% no final de 2017, no último trimestre de 2018 revelava forte desaceleração para 2,79%. Mesmo as ocupações por conta própria, último reduto de sobrevivência das famílias empobrecidas pela crise, já não cresciam em 2018 na mesma intensidade de 2017.
A desaceleração da retomada do mercado de trabalho a partir do segundo trimestre de 2018 pode ser atribuída, no primeiro momento, à paralisação dos caminhoneiros e, no segundo semestre, à instabilidade política interna e à piora relativa do cenário internacional. A expectativa para 2019 é de certa retomada no ritmo na geração de ocupações, apesar de todas as incertezas reinantes. 


Fonte: IBGE, PNADC

Publicado no Jornal da Cidade, em 03 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Nuvens no cenário externo


Ricardo Lacerda
Depois de um período, entre 2017 e parte de 2018, de aceleração e de sincronização de crescimento entre as maiores economias mundiais, o ano de 2018 se encerrou com moderação e assincronia no ritmo de crescimento entre os países líderes, limitando a retomada da atividade econômica nos mercados emergentes e países em desenvolvimento. 
Em 2019, China, Estados Unidos e Zona Europeia deverão registrar reduções na taxa de incremento do PIB, enquanto o Japão deverá manter o desempenho já rebaixado de 2018. A moderação no crescimento nas grandes economias, as novas rodadas de elevação nos juros básicos nos Estados Unidos e o recrudescimento das disputas comerciais são as principais ameaças à retomada do crescimento das economias em desenvolvimento, notadamente entre aquelas exportadoras de commodities, como são os casos dos países latino-americanos.
Exportadores de commodities
A edição de janeiro de 2019 do relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Banco Mundial, aponta o aparecimento de horizonte nublado no cenário econômico em 2019, como resultado da combinação de certa moderação no ritmo de crescimento e condições financeiras menos favoráveis no cenário internacional. Os riscos afetariam especialmente Mercados Emergentes e Economias em Desenvolvimento (EMDEs, na sigla em inglês).
Alguns dos principais EMDEs já estariam se ressentindo de substanciais pressões do mercado financeiro, como são os casos da Argentina e da Turquia. A situação externa menos favorável vem afetando o crescimento dessas economias, retirando impulso na retomada do crescimento dos países exportadores de commodities, enquanto as economias emergentes importadoras desses bens apresentam desaceleração nos seus ritmos de crescimento. O relatório do Banco Mundial é seco nas suas conclusões sobre as perspectivas da economia mundial: o céu está escurecendo e a retomada dos Mercados Emergentes e das Economias em Desenvolvimento simplesmente parou.
O PIB argentino, depois de crescer 2,9%, em 2017, deve ter recuado 2,8%, em 2018, e, em 2019, deverá apresentar nova forte retração, projetada em 1,7%. No caso do Brasil, o relatório reviu para metade a projeção feita no meio do ano, de crescimento de 2,4% para 2018; a nova estimativa de crescimento para 2018 é de 1,2%, adição de apenas de 0,1 ponto percentual em relação ao PIB de 2017 (Ver Quadro).

Quadro. Taxa de crescimento do Produto Interno Bruto no Mundo e algumas áreas selecionadas, 2016-2020 (%)
Áreas
2016
2017
2018
2019
2020
Mundo
2,4
3,1
3
2,9
2,8
Economias Avançadas
1,7
2,3
2,2
2
1,6
EUA
1,6
2,3
2,9
2,5
1,7
Zona do Euro
1,9
2,4
1,9
1,6
1,5
Japão
0,6
1,9
0,8
0,9
0,7
China
6,7
6,9
5,8
5,5
5,6
América Latina e Caribe
-1,5
0,8
0,6
1,7
2,4
Brasil
-3,3
1,1
1,2
2,2
2,4
Argentina
-1,8
2,9
-2,8
-1,7
2,7
Índia
7,1
6,7
7,3
7,5
7,5
Fonte: Banco Mundial, GEP janeiro de 2019
Ameaças
Dois tipos de ameaças podem ter maiores impactos sobre as economias dos países em desenvolvimento: o acirramento e a difusão das disputas comerciais e o fim do impulso causado pelo miniciclo de valorização das commodities, sem que os EMDEs tenham aproveitado o período favorável para sanear a situação fiscal de suas economias e realizarem esforços para torná-las mais competitivas. A desaceleração no crescimento de algumas maiores economias do mundo, em especial da China, já se reflete nos preços das commodities, fechando uma janela de oportunidade para os EMDEs. Em outras palavras, a moderação no crescimento global restringe a retomada no crescimento desses países.
O relatório destaca que o aperto mais acentuado do que esperado anteriormente nas condições de financiamento poderá impactar desfavoravelmente a atividade econômica dos EMDEs e assinala que a escalada das tensões comerciais é outra grande ameaça para a perspectiva global. Os gráficos 1 e 2 apresentam a evolução do PIB de algumas das principais economias entre 2016 e 2018 e as projeções do Banco Mundial para 2019 e 2020.



Fonte: Banco Mundial, GEP janeiro de 2019



Fonte: Banco Mundial, GEP janeiro de 2019



Publicado no Jornal da Cidade, em 20/01/2019