Praça São Francisco, São Cristovão- SE

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Praça São Francisco, São Cristovão-SE. Patrimônio da Humanidade

terça-feira, 5 de abril de 2011

O IPCA e as expectativas de mercado

Ricardo Lacerda


Nas últimas semanas predomina certo mal estar na relação do Banco Central com o chamado mercado, que vem a ser essencialmente constituído por operadores no mercado financeiro, como corretoras, bancos e gestoras de recursos. O principal ponto da discórdia diz respeito às avaliações feitas pelo Copom (Comitê Política Monetária do Banco Central) sobre a trajetória do IPCA nos próximos meses e a defesa da instituição de uma estratégia de combate gradual à inflação, aguardando que surtam os efeitos das medidas de políticas macroprudenciais recentes que buscaram desacelerar o ritmo do nível de atividade por meio da restrição ao crédito, além das medidas de corte do gasto público e dos últimos aumentos da taxa básica de juros, antes de adotar novas medidas restritivas que findem por abortar continuidade do ciclo de expansão econômica.

O mercado avalia que a ata da última reunião do Copom, corroborada pelo relatório de inflação de março do Banco Central, reflete uma mudança do entendimento da autoridade monetária em relação ao sistema de meta de inflação. O Banco Central teria reduzido o seu compromisso em repor o IPCA ao centro da meta inflacionária (4,5%). Mais grave, o Copom estaria sendo leniente com o combate à inflação quando indica aceitar com naturalidade que a inflação somente se aproxime do centro da meta em meados do próximo ano.

Trocando em miúdos, os agentes mercado entendem que fazia parte da regra do jogo, do jogo deles, o Banco Central manter, dentro do ano, a inflação no nível contratado e que os desvios da inflação do centro da meta devem ser respondidos com elevações na taxa básica de juros.


IPCA


A partir de setembro do ano passado, o IPCA acumulado em doze meses iniciou uma trajetória de crescimento, passando de 4,70%, naquele mês, para 5,20% em outubro, 5,64%, em novembro, e encostou os 6% em dezembro e janeiro, atingindo 6,01% no mês de fevereiro. Ainda que o ímpeto de elevação do índice tenha se dissipado nos últimos meses, o mercado considera o patamar muito elevado. (Ver gráfico 1)

Fonte: IBGE


O ponto de vista do Banco Central é o de que a aceleração dos preços ao consumidor nos últimos meses se deveu, em parte, a pressões sazonais, seja nos preços de alimentos in natura, por conta das recentes inundações na região Sudeste, seja nas tarifas, especialmente de transportes públicos. A elevação nas cotações das commodities no mercado internacional seria um fator adicional. Aumentos na taxa de juros pouco poderiam atuar no sentido de combater tais pressões, [a não ser que em doses cavalares].

Reconhece, todavia, a persistência de descompasso entre a oferta e a demanda agregadas, ou seja, que a economia estaria excessivamente aquecida, fato evidenciado na evolução dos preços de serviços, mas que este desequilíbrio estaria sendo combatido pelas medidas adotadas e que, no segundo semestre, o IPCA acumulado de doze meses começará a refluir, até voltar a convergir ao centro da meta em 2012. As análises do Banco Central destacam ainda que o crescimento do nível de atividade vem desacelerando já há meses e que isso se refletirá, com alguma defasagem temporal, na evolução do IPCA.

A exposição desses argumentos foi entendida pelo mercado como uma sinalização de que o ciclo recente de elevação das taxas de juros não teria continuidade nas próximas reuniões do Copom e o mercado quer mais altas nos juros.

O gráfico 2 a seguir resume a expectativa de mercado desde agosto do ano passado em relação ao IPCA de dezembro de 2011. As projeções mais recentes apontam para a mediana de 6% para o índice no final do ano.


Fonte: Banco Central. Focus- Relatório de Mercado


Termômetro


O Banco Central tem emitido enfáticos sinais de que não tem visto com bons olhos as projeções do mercado. Para alguns analistas, a piora nas expectativas poderia refletir as insatisfações dos agentes do mercado com a mudança na postura do Banco Central, que diferentemente de situações pretéritas, não deverá responder à pressão inflacionária com novas rodadas de elevação da taxa Selic, contrariando as apostas que estas instituições fizeram em suas aplicações financeiras.

Há no momento uma tensão entre Banco Central e o mercado que somente será dissipada nas próximas semanas, à medida que os dados da inflação mostrarão quem está certo sobre a projeção do índice de inflação, o Banco Central ou o mercado. Eu aposto que o Banco Central dobra o mercado. Os agentes reelaborarão suas expectativas, convergindo com as projeções da autoridade financeira e ficarão felizes com os resultados alcançados.


Publicado no Jornal da Cidade em 03/04/2011.


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terça-feira, 29 de março de 2011

O Consumo de gás natural em Sergipe

Ricardo Lacerda

A produção nacional de gás natural, combustível de origem fóssil, voltou a crescer em 2010, após ter recuado em 2009 por conta da redução do consumo provocada pela crise econômica. Em uma perspectiva de prazo um pouco mais longo, desde a eclosão dos problemas com o fornecimento pela Bolívia em 2006, o Brasil tem buscado acelerar o crescimento da produção de gás natural, ainda que a oferta de gás importado venha evoluindo em um ritmo um pouco superior. A produção nacional subiu do patamar de 48,9 milhões de m3 diários entre 2005 e 2007, para 59,55 milhões de m3 diários, em 2008, recuou para 57,91 milhões de m3/dia, em 2009, e atingiu 62,84 milhões de m3/dia, em 2010, um incremento de 28% entre a média 2005-2007 e o resultado de 2010, enquanto o volume de gás importado aumentou 30%.

A oferta de gás natural, todavia, representa ainda uma parcela relativamente pequena da oferta de energia no Brasil. De acordo com o Balanço Energético Nacional 2010 (ano base 2009), o gás natural respondeu por apenas 8,7% da produção de energia primária produzida no país, frente a 42% do petróleo, 14% da energia hidráulica, 18% dos derivados da cana de açúcar e 1,7% da energia nuclear.

Os grandes consumidores de gás natural não são nem os veículos automotivos, nem as residências, e sim alguns segmentos da indústria pesada intensivos em consumo energético (e do uso como matéria prima, em alguns casos), na siderurgia, química, petroquímica e fabricantes de minerais não metálicos.

Sergipe

Depois de atingir 873,6 milhões de m3, no ano de 2000, a produção de gás natural em Sergipe entrou em uma trajetória de declínio que se estendeu até 2007, quando foram explorados 547,1 milhões de m3. Em 2010, a produção somou 1.101,7 milhões de m3, confirmando a trajetória expansiva iniciada em 2008. (Ver gráfico 1).

Fonte: ANP

Consumo

Em janeiro de 2011, último mês com dados disponíveis, a empresa distribuidora de gás natural em Sergipe possuía 6.249 clientes. O uso industrial se limitou a apenas 34 empresas. O gás para consumo automotivo era fornecido por 34 postos de abastecimentos e o maior número de clientes era do segmento de unidades domiciliares, 6.130.
O consumo médio diário de gás natural em Sergipe, no ano de 2010, foi de 268,2 mil m3. O consumo residencial é ainda muito baixo, representando apenas 0,7% do total. As empresas industriais responderam por 59,4% do consumo total, o consumo automotivo, por 35,7%, o comercial por 0,6%, a cogeração, 0,6%, e os demais usos, 3%. (Ver gráfico 2).

Fonte: Abegas

A evolução do consumo de gás natural depende de alguns fatores: Em primeiro lugar, da capacidade de oferta do produto e da capilaridade da rede de gasodutos; em segundo lugar, da competitividade do produto nos dois mercados principais em que atua, o mercado industrial e o mercado automotivo, nos quais disputa os clientes com outras fontes de energia, desde a fonte hidrelétrica, até os óleos combustíveis, etanol e gasolina.
O gráfico 3 apresentado a seguir, mostra que o gás natural tem conseguido manter sua competitividade no mercado industrial, mas vem, rapidamente, perdendo vendas no mercado automotivo, apesar do forte incremento da frota de veículos no Estado. No caso do consumo industrial, a média móvel trimestral passou 128,3 mil m3/dia, em janeiro de 2009, no auge da crise, para 146,8 mil m3/dia, em janeiro de 2010, e alcançou 161, 9 mil m3/dia, em janeiro de 2011. Ou seja, na comparação da média móvel de janeiro de 2011 em relação a janeiro de 2010, o consumo industrial de gás natural cresceu 10,3%, um excelente resultado.
Diferente tem sido a trajetória do consumo automotivo de gás natural. Depois de somar 116,8 mil m3/dia na média móvel trimestral de janeiro de 2009, caiu para mil 109,3 em janeiro de 2010, e em janeiro de 2011, nessa série, caiu novamente para mil 94,3 m3/dia.

Fonte: Abegas

Em 2010, o mercado de consumo de gás natural em Sergipe teve uma evolução modesta, com crescimento de apenas 3%, por conta da queda do consumo automotivo. O Consumo industrial, por sua vez, teve o expressivo aumento de 11% no período. As perspectivas do mercado nos próximos anos vão depender, além dos fatores de oferta, da implementação dos grandes projetos industriais no Estado e da maior exploração de mercados que hoje se encontram em segundo plano.

 

Publicado no Jornal da Cidade em 27/03/2011

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segunda-feira, 21 de março de 2011

A retomada da economia canavieira em Sergipe

Ricardo Lacerda

A produção sergipana de açúcar restou estagnada por um longo período que se seguiu ao final da segunda guerra mundial. Na safra canavieira de 1948/49, a produção de açúcar no Estado alcançou 47,8 mil toneladas. Em 1974/75, vinte e seis anos depois, a produção sergipana de açúcar somou 46,5 mil toneladas, situando-se no mesmo patamar daquela obtida no primeiro registro do pós-guerra.

Ao longo de todo esse período, a produção estadual somente logrou superar a barreira de 50 mil toneladas em duas safras. A história da crise canavieira, inclusive com o fechamento de usinas nesse período, é conhecida e, ainda que semelhante a de outros estados da região, pareceu mais profunda, fazendo cristalizar a percepção de falta de perspectiva para a atividade em Sergipe, frente a outras culturas, como a laranja e o coco que se expandiam.


Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Próalcool

Desde meados dos anos setenta, todavia, o cenário da cultura canavieira no Brasil foi radicalmente transformado, com o início da implementação do Plano Nacional do Álcool- Proálcool cujos principais marcos são a produção de carros movidos a álcool hidratado e, mais adiante, a produção de veículos bicombustíveis.

A produção do açúcar que respondeu, na safra 1974/75, por 87% do chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), contra 13% da soma do álcool anidro e do álcool hidratado perdeu rapidamente espaço no complexo sucroalcooleiro brasileiro, até atingir sua menor participação em 1989/90, quando representou tão somente 27% do total, contra 64% do álcool hidratado e 9% do álcool anidro. (Ver gráfico 1).

No início dos anos noventa, a ameaça de desabastecimento de álcool hidratado para mover a frota de veículos pôs em risco o programa nacional de álcool, crise que somente foi superada com a fabricação e a disseminação do uso dos motores híbridos (flexíveis), movidos a álcool e a gasolina, já na virada para o novo século.

A parcela do álcool hidratado no ATR, que recuou até 20% na produção de 2004/2005, na safra de 2008/2009 já atingia 39%, a mesma porcentagem da produção do açúcar. (Ver gráfico 1). Com o estímulo da produção crescente do álcool, a atividade canavieira assumiu dimensão muito mais significativa para a economia brasileira, pois se tratava a partir de então não apenas da tradicional atividade açucareira, mas de um complexo sucroalcooleiro, fundamental como fonte de energia e de produção de derivados químicos para o país.

A quantidade de cana moída que se situava em torno de 30 milhões de toneladas no inicio dos anos setenta, multiplicou cerca de dez vezes até a safra de 2008/09, quando atingiu 312 milhões de toneladas. A montagem do complexo sucroalcooleiro criou importantes sinergias para a atividade canavieira, que passa a contar com os dois mercados, o de combustíveis e o de açúcar, permitindo o produtor direcionar a produção para o mais atrativo deles. Com isso, não apenas a produção de álcool cresceu no período, como também a produção de açúcar, que passou de 5,4 milhões de toneladas, na safra 1971/72, para 29,9 milhões de toneladas na safra 2008/2009.

Sergipe

A produção canavieira em Sergipe, depois do impulso dos primeiros anos do Proálcool, entrou em declínio nos anos noventa. Depois de atingir 2,2 milhões de toneladas em 1990, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal, recuou para 1,17 milhões de toneladas em 2002, quando o preço do açúcar atingiu o fundo do poço no mercado internacional.
Desde 2004, todavia, impulsionada pela expansão da frota nacional de veículos bicombustíveis e pela trajetória ascendente do preço do açúcar no mundo, a atividade canavieira de Sergipe iniciou um ciclo de recuperação que veio a ser consolidado nos últimos anos com a implantação das usinas de Campo Lindo e Taquari, localizadas, respectivamente, em Nossa Senhora das Dores e em Capela.
Em 2009, último ano com dados disponíveis, a produção canavieira de Sergipe atingiu 2,7 milhões de toneladas. Já na segunda metade dos anos setenta, o volume de produção teve forte incremento, e na safra de 2008/2009 alcançou 89,8 mil toneladas, deixando para trás o patamar das 50 mil toneladas.
Ainda que a produção de cana de açúcar de Sergipe represente apenas 3,7% do total do Nordeste, esse ciclo recente confirmou um novo espaço para atividade canavieira no Estado, que em 2002, havia chegado a participar com apenas 2,2% da produção regional.
O gráfico 2 a seguir apresenta o índice de evolução da produção da cana de açúcar no Brasil, Nordeste e Sergipe, entre 1995 e 2009. Fazendo a média do triênio 1994-96 igual a 100, o índice de produção sergipana, depois de alcançar 135 em 2004, conheceu sucessivos saltos nos anos seguintes até atingir 198 em 2009. Note-se, no gráfico, que a produção açucareira do Nordeste não teve o mesmo impulso nos últimos anos.


Fonte: IBGE: Pesquisa Agrícola Municipal.

A combinação de preços muito favoráveis no mercado internacional do açúcar com a expansão do mercado brasileiro de biocombustíveis abriu novas oportunidades para a retomada da atividade canavieira em Sergipe. Municípios como Capela, Japaratuba, Laranjeiras, Pacatuba, Japoatã, Nossa Senhora das Dores, Riachuelo e Siriri têm sido os mais favorecidos por esta expansão.

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Publicado no Jornal da Cidade em 20/03/2011

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segunda-feira, 14 de março de 2011

O nível de atividade da economia sergipana no início de 2011

Ricardo Lacerda



Quando os temas econômicos mais palpitantes são o forte aquecimento da economia brasileira e as medidas adotadas para desacelerar o seu crescimento, vale a pena buscar indicações sobre o nível de atividade da economia sergipana entre o final de 2010 e o inicio de 2011.

Para avaliar as atividades comerciais, dois são os indicadores mais significativos: as vendas no varejo e o saldo de crédito de operações com as famílias. O volume de vendas do varejo sergipano, medido pela Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, teve incremento de 12,74% em 2010, enquanto a taxa de crescimento em dezembro de 2010 alcançou 10,9% sobre uma base já bastante elevada de dezembro de 2009. Ainda que a taxa de dezembro de 2010 tenha ficado um pouco abaixo da taxa média anual, não se pode falar em desaquecimento na atividade comercial, que se manteve firme.

Mais surpreendente é a evolução do saldo de operações de crédito de pessoas físicas que aumentou 32,7% na comparação entre dezembro de 2010 e dezembro de 2009. O volume de crédito registrou mesmo uma aceleração do crescimento nos últimos meses dos anos, quando comparados com iguais meses do ano anterior, série que permite isolar os efeitos da sazonalidade. Convém lembrar que a expansão dos empréstimos foi acompanhada pela queda da taxa de inadimplência no período, o que revela uma situação sadia no mercado de crédito.

Outro indicador muito importante para sentir o nível geral de atividade da economia é o consumo de cimento. Infelizmente, este indicador tem uma defasagem temporal grande, somente estando disponíveis, até o momento, os dados do mês de novembro. No acumulado de 2010, até aquele mês, o consumo aparente de cimento em Sergipe aumentou 18,6%, e o consumo do mês ficou 12% acima do resultado de novembro de 2009.

Energia

O consumo de energia se relaciona com o nível de atividade econômica ainda que não se possa buscar uma identidade entre a taxa de crescimento de um com a do outro. Em 2010, o consumo total da energia elétrica em Sergipe, na área de concessão da Energisa, cresceu 7,7%, uma taxa bastante expressiva.

Quando se trata do setor industrial, o consumo de energia é um bom indicador do nível de produção física. Em 2010, o consumo industrial de energia da área de concessão da Energisa representou 13% do total consumido. A essa fatia deve ser somada a do grupo de consumo livre, que se refere às compras realizadas por grandes consumidores, em sua ampla maioria do segmento industrial, que negociam diretamente contratos de fornecimento com as empresas distribuidoras de energia no mercado livre. Essa fatia representou 24% do consumo total de energia na área da Energisa. (Ver gráfico 1)



Fonte: Energisa.

O consumo industrial somado a energia do mercado livre atingiu 642,3 GWh em 2010, um crescimento de 12,4% em relação aos 571,2 GWh de 2009. É importante destacar que em 2009, em função da crise, a soma do consumo industrial e do consumo livre havia recuado 6,1%. O Gráfico 2, a seguir, apresenta a média mensal móvel de três meses do consumo industrial e do consumo livre. Este consumo somou 85,1 GWh na média móvel em dezembro de 2010, 7,6% acima dos 79,1 GWh de dezembro de 2009. Em janeiro de 2011, a média mensal do trimestre foi de 84,2 GWh, 6,3% superior ao resultado de janeiro de 2010. Ainda que a taxa de crescimento desta média tenha chegado atingir 16,2% em setembro de 2010 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento do consumo de energia pelo setor produtivo continuou robusto no final de 2010 e no primeiro mês de 2011, principalmente quando se leva em conta que a base de comparação é maior.



Fonte: Energisa.

2011

Alguns indicadores de arrecadação tributária, como o comportamento do ICMS e de tributos federais que incidem sobre a atividade econômica de Sergipe, como a receita de IPI que subiu 17% no ano passado e 20% em janeiro de 2011, também confirmam um final de 2010 e um início de 2011 de nível de atividade elevado e em crescimento.

Em parte por contar com uma base de comparação mais elevada (2010), em parte por conta das políticas macroprudenciais voltadas para a redução da taxa de expansão do crédito e dos gastos públicos, além de reajuste do salário mínimo substancialmente menor do que em anos anteriores, o nível de atividade da economia sergipana, apesar de se manter aquecido, certamente, não repetirá em 2011 a taxa de incremento que conheceu em 2010.


Publicado no Jornal da Cidade em 13/03/2011


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segunda-feira, 7 de março de 2011

O PIB de 2010 e a desaceleração da economia no 4º trimestre


Ricardo Lacerda



O anúncio na semana passada do crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB) de 2010 foi, ao mesmo tempo, motivo de comemoração e de alguma preocupação. Comemoração porque a taxa de 7,5% é a mais elevada desde 1986, ano marcado pela explosão de consumo do Plano Cruzado, confirmando a força da recuperação da economia brasileira após a crise financeira que prostrou a economia mundial ao final de 2008. O setor industrial, o mais atingido pela crise em 2009, quando caiu 6,4%, apresentou a taxa setorial mais elevada em 2010, 10,1%. O setor agrícola reverteu o recuo de 4,6% em 2009, com 6,5% de crescimento em 2010, e o setor de serviços, o único com resultado positivo em 2009, 2,2%, alcançou 5,4%.
O mais significativo no resultado do PIB de 2010 é o fato de que, com ele, a economia brasileira retomou a trajetória de expansão iniciada no ano de 2004, estabelecendo no período uma taxa de crescimento médio anual de 4,4%, há muito desconhecida no Brasil, em um intervalo relativamente longo, de sete anos.

Trajetória

A primeira década do novo século teve resultados superiores à última do século anterior. Entre 2001 e 2010, o crescimento anual médio foi de 3,6%, enquanto no período 1991-2000, o PIB cresceu, em média, 2,6% ao ano. A diferença pode parecer pequena, mas significa que, na primeira década dos anos 2000, a economia brasileira cresceu 42,4%, contra 29,3 % no período anterior e que, nos anos noventa, o PIB por habitan te subiu apenas 1,1% ao ano, frente aos 2,4% ao ano da primeira década dos anos 2000, implicando que, no ritmo anterior, seriam necessários 63 anos para dobrar a renda média do país, e às taxas mais recentes este prazo se reduziria para 29 anos.

O gráfico 1 a seguir apresenta as taxas de crescimento do PIB brasileiro entre 1996 e 2010. Saltam aos olhos a dinâmica mais intensa de crescimento desde 2004 e que, após o resultado ruim de 2009, foi retomada a expansão no ano passado.



Fonte: IBGE: Contas Nacionais Trimestrais

Alerta

A preocupação é de duas naturezas: de um lado, no quarto trimestre a economia brasileira registrou uma forte desaceleração, com crescimento de 0,7% em relação ao trimestre anterior, na série livre de efeitos sazonais, equivalentes a apenas 2,8% anualizados; e do outro, o consumo continuou muito forte neste quarto trimestre, crescimento de 2,5% ou 10,4% em termos anualizados, indicando que as medidas macroprudenciais de contenção da demanda ainda não tiveram o poder de fazer refluir a taxa de expansão desta variável e, ao mesmo tempo, que outras variáveis da demanda agregada tiveram um desempenho pífio.

O gráfico 2, a seguir, resume a evolução do PIB trimestral ao longo de 2010, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, observando os componentes da demanda agregada. Um primeiro aspecto que chama a atenção é que houve uma sensível melhoria nas trajetórias das taxas de importações (que contam negativamente) e de exportações de bens e serviços (que contam positivamente), amplamente desfavoráveis às exportações no primeiro trimestre e que foram aproximando os ritmos de crescimento ao longo do ano.

Entre as variáveis da demanda interna, o consumo das famílias não apenas comandou a expansão no 4º trimestre, como apresentou uma evolução ascendente ao longo do ano. O Consumo da Administração Pública (Cons. APU), que foi muito importante para a expansão do PIB no segundo trimestre, perdeu o ímpeto de crescimento nos terceiro e quarto trimestre, mostrando-se comportado no período. Especialmente, houve certa decepção com o comportamento dos investimentos, medidos pela Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF), que desaceleraram fortemente no quarto trimestre, após três períodos de intenso crescimento, mesmo considerando que esta variável tenha aumentado 21,8% na comparação, entre 2010 e 2009, e que a taxa de investimento da economia tenha subido para 18,4%.




Fonte: IBGE: Contas Nacionais Trimestrais

Em relação ao consumo das famílias, os indicadores de crédito de 2011 apontam para uma trajetória menos acelerada, o mesmo devendo ocorrer com o consumo da administração pública.

A preocupação decorre do fato de que as pressões inflacionárias permaneceram fortes nos últimos meses, mesmo com a economia crescendo a taxas menores. Ainda que fatores importantes de elevação dos preços se originem de fontes externas, o raio de manobra para manter taxas elevadas de crescimento se estreitou. A lição parece ser que o crescimento sustentável requer, nos próximos trimestres, alterações mais aceleradas entre as proporções das taxas de consumo e das taxas de investimento, públicos e privados, na economia brasileira.


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Publicado no Jornal da Cidade, em 06/03/2011


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Taxa de desocupação da economia brasileira

Ricardo Lacerda



A taxa de desocupação nas regiões metropolitanas brasileiras se situou em 6,1% em janeiro de 2011, extraordinariamente baixa para um mês tradicionalmente ruim para o mercado de trabalho. Recorrentemente, a imprensa tem noticiado a escassez de mão de obra em atividades da construção civil, da indústria de transformação e, mais recentemente, para o trabalho doméstico nas grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Desde quando foi anunciado o resultado de dezembro de 2010, de 5,3%, a menor taxa de desocupação desde o inicio do registro estatístico, que alguns especialistas têm afirmado que a economia brasileira alcançou o pleno emprego do fator trabalho. Tal assertiva decorre, em parte, da associação que se faz entre a taxa de desemprego de 5% com a noção de pleno emprego, posto que resta sempre um contingente de pessoas desocupadas que está saindo de uma ocupação, antes de encontrar outra. Para alguns analistas, o pleno emprego teria sido alcançado na economia brasileira no sentido de que, para um grande e expressivo grupo de ocupações, não estão disponíveis pessoas com o perfil de qualificação para preencher as vagas.

Portanto, pleno emprego não significa que todos aqueles que procuram trabalho estejam ocupados, e sim que uma parcela muito expressiva da força de trabalho está ocupada e que a desocupação persistente, não devo usar residual, decorre de fatores como tempo de rotação entre uma ocupação e outra, ou desproporções do perfil de qualificação ou na estrutura setorial da demanda e da oferta de trabalho, de modo que incrementos adicionais da demanda por trabalho se traduzirão mais em elevação dos rendimentos do que em novas oportunidades de ocupação.

Queda da desocupação

A queda da taxa de desocupação na economia brasileira tem sido, de fato, notável. Em janeiro de 2003, a taxa de desocupação nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE havia alcançado 11,2%, frente aos atuais 6,1%. O Gráfico a seguir, mostra a evolução da taxa de desocupação nos mês de janeiro, entre 2003 e 2011. A trajetória é fortemente declinante.

Não há dúvida de que o mercado de trabalho brasileiro se encontra aquecido, o que inclusive tem proporcionado ganhos reais nos rendimentos em uma série de ocupações, mas, mesmo nesse sentido elástico, há que se considerar as diferenças regionais nas taxas de desocupação.


Fonte: IBGE- Pesquisa Mensal do Comércio

Regiões

A taxa de desocupação é calculada para seis regiões metropolitanas brasileiras: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Essencialmente por conta de um excedente de mão de obra, acumulado ao longo da história e que a expansão do setor moderno no pós-guerra não logrou absorver, a taxa de desocupação é estruturalmente mais elevada nas regiões metropolitanas do Nordeste, do que naquelas situadas nas regiões Sudeste e Sul. Este é o padrão geral, somente não observado quando crises agudas atacam intensamente o mercado de trabalho mais estruturado do centro dinâmico da economia brasileira, isto é, o da região Metropolitana de São Paulo. A menor taxa de desocupação em janeiro de 2011 foi registrada na Região Metropolitana de Porto Alegre, 4,2%, seguida, pelo Rio de Janeiro, 5,1%, Belo Horizonte (5,3%) e São Paulo (6,0%).

Em janeiro de 2011, a taxa de desocupação nas regiões metropolitanas de Recife e Salvador eram, respectivamente, de 7,1% e 10,7%, também as mais baixas da série histórica. Em janeiro de 2006 as taxas de desocupação daquelas regiões metropolitanas haviam alcançado, respectivamente, 15,3% e 14,9%. (Ver tabela).


Fonte: IBGE- Pesquisa Mensal do Comércio

As taxas de desocupação são mais elevadas para os jovens do que para pessoas com mais experiência, apontando a urgência de expandir os cursos de capacitação profissional.

Se fatos extraordinários, como a crise política do mundo árabe ou a deterioração da situação fiscal em nações europeias, não trouxerem efeitos muitos negativos para a economia mundial, o mercado de trabalho brasileiro deve seguir aquecido em 2011, com novas reduções na taxa de desocupação, mesmo que em ritmo menos acelerado. Vamos torcer para que nada atrapalhe esse momento especial do mercado de trabalho no Brasil.


Publicado no Jornal da Cidade em 27/02/2011

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Realidade e paraíso

Ricardo Lacerda de Melo (Assessor Econômico do Governo de Sergipe)

O editorial do prestigioso periódico Jornal da Cidade de 17 de fevereiro de 2011 tece comentários sobre a mensagem do Governador Marcelo Déda durante a abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Sergipe no ano de 2011, sob o título O paraíso não é aqui. No seu direito inalienável de livre manifestação, procura argumentar que aquela mensagem passou a ideia de que a gente sergipana vive no paraíso, quando, assinala o editorial, a realidade dos fatos é outra.
O editorial não foi feliz em sua tarefa de avaliação, por não ter conseguido captar o cerne da mensagem ali pronunciada. A mensagem hora nenhuma traçou um cenário paradisíaco sobre a situação econômica e social de Sergipe. Na verdade, a mensagem fez um amplo relato das realizações do Governo de Sergipe no período 2007-2010, como exige o artigo 84 da Constituição Estadual, apresentou a situação das finanças públicas, mostrou os avanços obtidos em vários campos, reconheceu a persistência de problemas na saúde, na educação, na segurança pública e na infraestrutura, e apontou os desafios e os eixos de atuação do segundo mandato popular. Não fugiu dos problemas e das insuficiências das políticas públicas. Renovou, todavia, a confiança de que as dificuldades estão sendo enfrentadas e que Sergipe vai continuar seguindo em frente.
A mensagem tem como eixo central a renovação do compromisso do Governo de Sergipe com a inclusão social dos mais pobres. Mostrou com indicadores concretos os avanços obtidos, alguns deles os maiores já alcançados por Sergipe, na geração de emprego e renda, na interiorização do desenvolvimento, nas políticas educacionais e de saúde, enfim na inclusão social da gente sergipana mais pobre por meio do acesso às políticas públicas e da geração de oportunidades de trabalho - Inclusão pelo Direito e pela Renda.
Não traçou cenário de paraíso. Apresentou, sim, dados concretos de que o número de famílias em situação de pobreza extrema, a exemplo do que acontece em todo território nacional, vem caindo ano a ano, em função do conjunto de políticas públicas adotadas pelo governo estadual, em parceria com o governo federal, e do crescimento da nossa economia. Mostrou também, com dados concretos de conceituadas instituições nacionais, como a Fundação Getúlio Vargas(FGV) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que Sergipe tem avançado em indicadores econômicos e sociais e que, pela primeira vez na história, está no seu horizonte erradicar da pobreza extrema as famílias sergipanas que se encontram em tal situação, que são aquelas cujos rendimentos por membro integrante é inferior a ¼ do salário mínimo, até o ano de 2016
Com essa constatação, a mensagem faz um chamamento aos poderes e à sociedade para se somarem a essa missão, que, sintetiza, vai nortear todas as ações do governo nos próximos quatro anos.
O editorial não captou a o aspecto central da mensagem. Perdeu uma oportunidade de engrandecer o debate sobre as perspectivas da gente sergipana, que argumento, têm avançado significativamente nos últimos anos.

Publicado no Jornal da Cidade em 18/02/2011

O comércio varejista em 2010

Ricardo Lacerda

A expansão do consumo das famílias tem sido um dos aspectos mais marcantes crescimento recente da economia brasileira. O volume de vendas do comércio varejista no Brasil, em 2010, cresceu 10,87% na comparação com 2009, o melhor resultado da série histórica iniciada em 2001. Entre 2004 e 2010, o mercado de consumo brasileiro cresceu 70,8%, ou seja, o tamanho do mercado de consumo é hoje mais de 2/3 maior do que no início da década. A força da recuperação do mercado de varejo desde o início de 2009 fez com que o volume de vendas em dezembro de 2010 se situasse 17,1% acima do patamar anterior à crise econômica internacional, em setembro de 2008.

2010


A expansão do comércio em 2010 foi movida pelo crescimento do emprego, da renda e do crédito. Segundo o IBGE, as atividades comerciais que mais contribuíram para o incremento do volume de vendas no varejo foram aquelas integrantes do segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo que, com o crescimento de 8,96% no ano, responderam por 39,9% do total do crescimento.
As atividades que tiveram as taxas de crescimento mais elevadas no ano, na comparação com 2009, foram as de comercialização de material de informática, de escritório e de comunicação, que abrangem as vendas de celulares, notebooks, tablets, entre outros, que registraram incremento de 24,1%, apesar de não terem pesos tão expressivos nas vendas totais quantos os segmentos de alimentação, de vestuário ou de produtos farmacêuticos. O comércio varejista de móveis eletrodoméstico, outro segmento muito dependente de crédito, alcançou o crescimento de 18,31% no ano.
As vendas de produtos farmacêuticos e cosméticos tiveram incremento de 11,87%, e os produtos de papelaria, jornais e revistas, 11,95%. Na verdade, todas as atividades pesquisadas apresentaram aumentos muito elevados nas vendas. As atividades de menor crescimento foram as agrupadas no item outros artigos de uso pessoal e domésticos, que aumentaram 8,78%. (Ver gráfico 1).


Fonte: IBGE- Pesquisa Mensal do Comércio


Ritmo de crescimento


O crescimento do volume de vendas do comércio desacelerou-se nos últimos meses. Na série de dados que isola os efeitos sazonais, o comércio varejista cresceu 1,9% em agosto, 0,4%, em setembro, 0,1% em outubro, 0,8% em novembro e manteve-se no mesmo nível em dezembro (0,0%), o que significa que a taxa de crescimento anualizado que desde agosto vem se mantendo acima de 10%, deverá se retrair rapidamente nos próximos meses. (Ver gráfico 2).



Fonte: IBGE- Pesquisa Mensal do Comércio


Com as medidas recentes do governo federal de restrição e de encarecimento do crédito, e mesmo com o reajuste menor do salário mínimo em 2011, o crescimento das vendas no comércio varejista deverá desacelerar nos próximos meses. Isso deve acontecer, todavia, em um patamar bastante elevado de vendas, mantendo aquecidas as atividades comerciais. No próximo artigo, examinaremos as diferenças nas taxas de crescimento recentes no comércio varejista de estados e regiões.


Publicado no Jornal da Cidade em 20/02/2011

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A inflação e o preço dos alimentos

Ricardo Lacerda


O governo federal iniciou o ano de 2011 com a adoção de uma série de medidas restritivas na política econômica que, certamente, não tem agradado a população brasileira. A percepção de que a inflação se distancia rapidamente da meta de 4,5% ao ano, acionou o sistema de alerta, fazendo com que o governo tenha respondido com medidas monetárias, de redução da liquidez e de elevação da taxa básica de juros, e medidas fiscais, com anúncios de corte de gastos previstos no orçamento, além de ter adotado uma posição menos flexível nas negociações relativas ao reajuste anual do salário mínimo. Tais atitudes, em conjunto, apontam para a percepção do governo da necessidade de desacelerar o crescimento da economia nesse início de ano.
O IPCA
A meta central de inflação para 2010 e 2011 foi fixada pelo governo federal em 4,50%, com uma margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. No acumulado de doze meses completados em janeiro, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 5,99%. Ainda que dentro da margem, a combinação da aceleração da taxa de inflação nos últimos meses, do forte incremento do consumo e de indicadores de pressão no mercado de trabalho e no nível de capacidade ocupada conformou um cenário de urgência no enfrentamento da questão inflacionária, inclusive para sinalizar, interna e externamente, o compromisso do novo governo com a estabilidade econômica.

Fonte: IBGE- IPCA

Um motivo de preocupação adicional é que a variação nos preços dos alimentos tem sido o principal fator de pressão sobre o IPCA. No acumulado de doze meses, completados em janeiro, o preço da alimentação e das bebidas aumentou 10,42%, quase o dobro do índice geral e quase três vezes o índice acumulado em janeiro de 2010, que havia se situado em 3,56%.

Alguns analistas têm apontado que a pressão inflacionária tem sido sentida também nos preços de bens e serviços não transacionáveis, ou seja, bens e serviços que o consumidor não tem a opção de adquirir de fornecedores situados em outros mercados, como são os casos das despesas pessoais, cujos preços médios subiram 7,42% nos últimos doze meses, os gastos com habitação, 5,33%, e os de saúde e cuidados pessoais, 5,18%.

O gráfico 1, todavia, mostra, sem sombra de dúvidas, que o preço dos alimentos tem sido, de fato, o cerne do problema inflacionário mais recente. Os demais itens praticamente repetiram os números de janeiro de 2010, ainda que alguns venham se mantendo acima da meta para o índice geral.

Alimentos
O preço dos alimentos sofreu forte aceleração a partir de setembro de 2010. Nos acumulado de doze meses de janeiro de 2011, o índice de preços de alimentos consumidos nos domicílios subiu 10,68% e o de alimentação fora dos domicílios teve incremento de 9,9%. O grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas aumentou 9,47%, o feijão subiu mais de 30% e o preço da carne, 27%.

A rápida aceleração nos preços dos alimentos tem alguns componentes internos e outros internacionais. Problemas climáticos na Rússia têm causado forte impacto no preço do trigo, e na Índia, sobre o preço do açúcar, que subiu mais de 20% nos últimos doze meses no mercado interno. Mas o fato mais significativo tem sido a retomada do aumento da demanda por alimentos no mercado internacional, puxada pela expansão nos mercados emergentes, com destaque para a China, e no mercado interno.

O gráfico 2 ilustra o comportamento do IPCA-Geral e do IPCA- Alimentação e Bebidas, desde janeiro de 2008. A linha contínua representa a evolução do IPCA-Alimentação e Bebidas, no acumulado de doze meses, e a linha pontilhada a evolução do IPCA- Geral. A partir do segundo trimestre de 2008, o índice de alimentação e bebida, em doze meses, empinou fortemente, até atingir 15,79%, em junho. Nos meses seguintes, com a queda abrupta nas cotações das commodities alimentares por conta da crise internacional, a variação positiva deste índice de preço, em doze meses, chegou a cair para o patamar de 3,19%, em dezembro de 2009.

No primeiro semestre de 2010, o IPCA- Alimentação e Bebidas foi fortemente pressionado pelas inundações em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas passou a ter um comportamento mais suave já a partir de junho. Desde setembro de 2010, todavia, este índice entrou em uma trajetória perigosamente ascendente, até atingir os 10,42% já citados, no acumulado de doze meses em janeiro de 2011.

Em parte por problemas climáticos externos, em parte por conta do aquecimento do consumo no mercado interno e no mercado internacional, os preços dos alimentos no Brasil, no início de 2011, retomaram a trajetória ascendente tal como ocorria no período imediatamente anterior à crise financeira internacional, pressionando o IPCA dos últimos meses. Frente a este quadro, o governo acendeu o sinal de alerta e acionou as políticas de contenção fiscal e monetária.


Fonte: IBGE- IPCA


Publicado no Jornal da Cidade, em 13/02/2011


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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A interiorização do emprego formal em Sergipe

Ricardo Lacerda

Um dos mais aspectos mais interessantes do ciclo expansivo atual da economia brasileira é o processo de criação de empregos com carteira de trabalho nos municípios do interior. Ainda que, na maioria dos estados, o emprego metropolitano tenha crescido, nos últimos quatro anos, a taxas superiores as médias dos estados, o emprego fora das regiões metropolitanas aumentou consideravelmente em termos absolutos. Em 2010, foram criados no Brasil mais de 1 milhão de empregos nos municípios não pertencentes a regiões metropolitanas.

Geração de Emprego

Desde 2007, o emprego formal no interior do Estado, entendido como integrado pelos municípios não pertencentes ao aglomerado urbano da Grande Aracaju (além da capital, os municípios de Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros e São Cristovão) vem aumentando progressivamente. Depois dos 2.003 empregos gerados no interior no ano de 2006, o número de novos empregos cresceu para 3.903, em 2007, e alcançou 5.016, em 2008. Por conta da crise financeira internacional, houve certo recuo em 2009, quando foram criados 3.359 empregos formais, e, finalmente, o resultado exuberante de 2010, até o mês de novembro, com a geração de 9.506 empregos no interior do Estado. (Ver Gráfico).


Fonte: MTE- CAGED. Obs. * Municípios não pertencentes a Grande Aracaju (N. Sra. D Socorro; Aracaju, B. dos Coqueiros; e São Cristovão). ** Os dados de 2010 são relativos ao período jan-nov.

O emprego formal nos municípios do interior de Sergipe vem, em média, crescendo a taxas mais elevadas do que as apresentadas por Aracaju e pelos demais municípios da região metropolitana, fazendo com que a participação dos primeiros tenha aumentado no total do emprego formal gerado no Estado. Ou seja, não apenas o emprego formal vem se acelerando nos municípios do interior, como ele vem aumentando a participação no emprego formal que vem sendo gerado em Sergipe.

O movimento de expansão mais acelerada do emprego no interior fica mais bem ilustrado quando são comparados os quadriênios 2003-2006 e o 2007-2010, até o mês de novembro desse último ano. Enquanto no primeiro período foram criados 7.724 empregos nos municípios não integrantes da Grande Aracaju, entre 2007 e 2010, o número de empregos formais criados nestes municípios quase triplicou, na verdade cresceu 181%, alcançando o montante de 21.684 novas vagas.

No primeiro período, em torno de 2/3 dos empregos (68%) foram criados em Aracaju e 72% na Grande Aracaju. Entre 2007 e 2010, apesar da geração de emprego ter sido maior em todas as áreas do que no período anterior, a Capital respondeu por menos da metade do emprego gerado em Sergipe, 48%, e na soma de Aracaju com os demais municípios da região metropolitana, alcançou-se 58%. A outra face é de que, entre 2003 e 2006, o emprego formal no interior representou apenas 28% do total do Estado, e, entre 2007 e 2010, essa participação foi alçada para 42%. (Ver Tabela)


Fonte: MTE- CAGED. Obs. * Municípios não pertencentes a Grande Aracaju (N. Sra. D Socorro; Aracaju, Barra dos Coqueiros; e São Cristovão). ** Os dados de 2010 são relativos ao período jan-nov.

Municípios e Setores

Nos últimos quatro anos, os municípios sergipanos, não pertencentes à Região Metropolitana de Aracaju, que mais criaram emprego foram, por ordem, Capela e Nossa Senhora das Dores, por conta da instalação de Usinas Processadoras de Cana-de-Açúcar; Itabaiana, com destaque para o comércio, extração mineral, alojamentos e comunicação e outras atividades, e Frei Paulo, com a indústria de calçados.

Criaram contingentes também expressivos de novos empregos os municípios de Itaporanga D´Ajuda, com a construção civil, indústria de alimentos e profissões técnico-administrativas; Lagarto, com comércio varejista, indústrias de calçados e de alimentos, e serviços de alojamento e comunicação; Simão Dias, calçados e construção civil; Estância, comércio, construção civil, indústria de bebidas e metalúrgica; Laranjeiras, construção civil e agricultura; Propriá, construção civil, comércio varejista e indústria de alimentos e bebidas; Carmópolis, administração técnico-profissionais, transporte e comunicação, construção civil e metalúrgica; e, Nossa Senhora da Glória, comércio, industria de mobiliário e alojamento e comunicação.

A interiorização do emprego formal concorre para o desenvolvimento mais equilibrado territorialmente. O ciclo expansivo de geração de emprego nos últimos teve como um das características fundamentais a criação de tais empregos mais estruturados também em municípios não pertencentes á região metropolitana, em segmentos diversos da atividade econômica, mas com concentração nas indústrias de calçados e de alimentos e bebidas, na agroindústria canavieira, no comércio, e na construção civil.



Publicado no Jornal da cidade, em 05/02/2011

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O perfil do emprego criado na economia sergipana em 2010

Ricardo Lacerda

A geração de emprego na economia sergipana alcançou patamar inusitado em 2010. Para efeitos de comparação, serão analisados os dados de doze meses, entre dezembro de 2009 a novembro de 2010, em razão da mudança procedida pelo MTE na sistemática de apuração dos dados do CAGED no mês de dezembro de 2010. Nos doze meses acumulados até novembro, foram criados 20.674 empregos com carteira assinada, resultado 64,5% superior à maior geração de emprego anterior, que havia sido nos doze meses acumulados até novembro de 2008, de 12.571 empregos formais.

O objetivo do presente artigo é o de apresentar o perfil desse emprego criado, em termos da escolaridade dos novos empregados e tipos de ocupação que foram mais demandados. Ainda que o espaço disponível não permita uma análise mais exaustiva, serão apresentadas algumas características importantes de novo emprego que tem surgido na economia sergipana.

Escolaridade

Há alguns fatos muito interessantes, referentes ao grau de instrução das pessoas empregadas nesse período, em que 60,6% dos novos empregos foram ocupados por pessoas com ensino médio completo e incompleto, sendo que, em mais da metade de todos os empregos, 51,6%, as pessoas contratadas detinham o ensino médio completo. Esse dado sinaliza para a importância do grau de escolaridade para aumentar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho formal, mesmo que a função ocupada possa ter como requisito um grau de instrução inferior. Dos 20.674 empregos criados no período, 12.534 foram ocupados por pessoas com ensino médio, dentre as quais, 10.677 contavam com o ensino médio completo. (Ver Tabela 1).


Um outro dado muito significativo é o de que o número de pessoas contratadas com nível superior, completo e incompleto, ultrapassou os novos empregados com grau de instrução de 1ª a 5ª-serie do ensino fundamental ou da 6ª a 9ª série do fundamental. No período, foram contratadas mais 2.806 pessoas com nível superior, entre completo e incompleto, frente a 2.570 com até a 5ª série do ensino fundamental e 2.352, com ensino fundamental da 6 ª a 9 ª série.

Perfil ocupacional 
O registro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego classifica, também, os empregos gerados segundo grupos e subgrupos ocupacionais. Cerca de 1/3 dos empregos gerados no período (36,6%) se concentrou no grupo ocupacional 7, que abrange os trabalhadores da construção civil e da indústria de calçados e de têxteis. (Ver Tabela).

O emprego gerado nesse grupo alcançou o contingente de 7.561, com destaque para os 2.272 postos de trabalho criados na construção civil e, subsidiariamente, na indústria extrativa. A ocupação de trabalhadores da indústria de caçados e têxteis somou 1.938 novas vagas. O grupo ocupacional de trabalhadores de serviços e do comércio gerou 4.362 empregos formais, sobressaindo-se os empregos de vendedores e representantes comerciais, e o de trabalhadores na administração de edifícios e logradouros.



Entre as ocupações típicas de profissões científicas, grupo ocupacional 2, e de técnicos de nível médio, grupo ocupacional 3, o setor de saúde liderou a geração de empregos. Neste segmento foram ocupados 1.203 profissionais em áreas cientificas, além de 1.657 técnicos de nível médio.

Na área técnica, foram expressivos, ainda, os empregos gerados nas ocupações em engenharia e nos serviços técnico-administrativos. Outros destaques foram os empregos formais criados na agropecuária, que alcançaram o número de 1.907 no período, associados à implantação de novas usinas, e a intensa demanda por eletricistas para a indústria e para oficinas. (Ver a tabela 2).

A análise das duas tabelas aponta para algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar, que o grau de instrução tem sido importante para um número expressivo de ocupações na indústria sergipana e de que a obtenção do ensino médio abre novas oportunidades para o trabalhador. Em segundo lugar, a demanda por ocupações científicas tem sido basicamente gerada pelo setor público, especificamente por meio dos concursos realizados pelas fundações de saúde. Há ainda uma forte demanda da construção civil e da indústria por ocupações técnicas.

Publicado no Jornal da Cidade, em 30/01/2011


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O comércio exterior sergipano em 2010 (2)

Ricardo Lacerda


A análise do comércio exterior sergipano não deve perder de vista o peso limitado que essa atividade tem para o conjunto da economia sergipana, muito mais integrada nos fluxos comerciais internos do que a média dos estados da federação. Em 2008, o peso do Produto Interno Bruto (PIB) sergipano no total nacional era 6,7 vezes superior à participação do fluxo comercial externo de Sergipe no total brasileiro.
Importações
No período recente, o comercio exterior sergipano, soma das exportações e importações, atingiu seu ponto de máximo em 2008, quando atingiu US$ 315 milhões. Com a crise financeira internacional, as empresas sergipanas procuraram concentrar ainda mais as suas vendas no mercado interno, enquanto as compras externas também recuavam, fazendo com que o fluxo comercial de 2010, mesmo superior ao de 2009, tenha se situado 18,7% abaixo do verificado em 2008. O fluxo de compras de produtos importados vem se intensificando nos últimos meses, impulsionado pela valorização cambial e pelo aquecimento do mercado interno.

O gráfico 1, a seguir, apresenta os dados das importações acumuladas em doze meses, entre 2008 e 2010. Nesta série, as importações sergipanas chegaram ao ponto mais baixo no período pós-crise em janeiro de 2010. Em dezembro de 2010, as importações sergipanas haviam aumentado para US$ 179,8 milhões, 19,8% acima dos US$ 153,3 milhões de dezembro de 2009.


Fonte: MDIC-SECEX 
Produtos


Um aspecto importante no perfil das importações sergipanas é o de que cerca de 95% do total importado em 2010 são direcionados para a produção e apenas em torno de 5% seguem diretamente para o consumo das famílias. Isso não significa que o consumo de produtos importados pelos sergipanos seja muito baixo, por que parte expressiva dele pode estar sendo abastecido por empresas importadoras de outros estados, sendo transferida para Sergipe como vendas internas.

Naquele ano, os principais produtos importados eram o trigo, para a fabricação de pães e massas, o coque para a indústria de cimento e alguns tipos de insumos para complementar a oferta do nosso pólo de fertilizantes, além de insumos para a indústria têxtil. As maiores importações de 2010 foram realizadas, por ordem, por Fertilizantes Heringer, Moinho de Sergipe, Petrobras, Cimento Poty, Ematex, G. Barbosa e o estaleiro H Dantas.
As compras externas de insumos, os chamados bens intermediários, representaram 66,6% do total importado por Sergipe em 2010, dos quais 16% foram adquiridos pela indústria de alimentos, com destaque para o trigo, e o restante pelos demais setores industriais. A aquisição de máquinas e equipamentos externos, os chamados bens de capital, responderam por 28,3% do total importado.
A expansão da produção industrial de Sergipe ao longo de 2010 estimulou o aumento da aquisição de insumos importados. O valor dos insumos importados pelo setor produtivo aumentou de US$ 88 milhões, em 2009, para 119,8 milhões, em 2010, um incremento de 36%, com as compras de insumos para a indústria de alimentos tendo aumentado 25%, enquanto a compra de insumos para os demais setores industriais cresceu 38%.

O ciclo expansivo


Mesmo com pequena participação no conjunto das compras totais de Sergipe, as importações podem sinalizar o comportamento de variaveis importantes da economia. As importações de equipamentos e insumos refletem parcialmente o andamento do ciclo de atividade produtiva. Enquanto as variações das compras de insumos se relacionam com o nível de atividade produtiva e de consumo da economia, a evolução na aquisição de equipamentos retrata o comportamento dos investimentos.

As importações de de bens de capital pela economia sergipana passaram de US$ 21 milhões, em 2006, para US$ 29 milhões,em 2007, até alcançarem US$ 60,8 milhões em 2009. Em 2010, elas se situaram em US$ 50,8 milhões. (Ver gráfico 2). A aquisição de insumos produtivos também vem conhecendo uma evolução favorável, passando de US$ 69,6 milhões, em 2006, até atingir US$ 160 milhões, em 2008. Recuaram para US$ 88 milhões, em 2009, e, em 2010, atingiram US$ 119,8 milhões. Assim ao longo do período 2006-2010, as importações de bens de capital tiveram um incremento de 140%, e as importações de insumo, de 72%.
O comportamento das importações sergipanas no ano de 2010 apontam para a retomada do comercio exterior, depois do recuo em 2009 provocado pela desaceleraçaõ da atividade econômica. Em uma perspectiva de prazo mais longa, o crescimento nas aquisições externas de insumos e equipamentos espelha o ciclo de crescimento da economia de Sergipe.
Fonte: MDIC-SECEX



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             Publicado no Jornal da Cidade, em 23/01/2011


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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O comércio exterior sergipano em 2010 (1)

Ricardo Lacerda

A combinação de crise no mercado mundial, valorização cambial e forte expansão no mercado interno fez mudar o papel do comércio exterior na dinâmica de crescimento da economia brasileiro e dos espaços subnacionais. Um número crescente de setores buscou redirecionar maior parcela de sua produção para o mercado interno.

Depois de ter despencado de US$ 197,4 bilhões em 2008 para US$ 153,0 bilhões em 2009, retração de 22,7%, as exportações brasileiras cresceram 32,0%, em 2010, atingindo um novo recorde, US$ 201,9 bilhões. A recuperação das exportações em 2010 confirma a retomada paulatina do comércio mundial, após a etapa mais aguda da crise financeira internacional, agora com maior presença dos mercados emergentes nos fluxos comerciais.

Ainda assim, as exportações nacionais de 2010 se situaram apenas em 2,01% acima do valor de 2008. Além disso, depois do pico de 2006, o saldo do comércio exterior brasileiro vem caindo aceleradamente, significando a diminuição da importância do comércio externo no crescimento do PIB nacional, enquanto a expansão do mercado de consumo interno vem ampliando o seu peso.

As exportações sergipanas também foram fortemente atingidas pela crise internacional, seguindo o padrão nacional, ainda que o impacto tenha sido relativamente maior em Sergipe, tanto em razão das dificuldades enfrentadas no mercado internacional do seu principal produto, o suco de laranja congelado, quanto pelo redirecionamento de outros bens, como o cimento e os têxteis, para o mercado interno. Depois de se retraírem em 45,6%, em 2009, as exportações sergipanas ensaiaram um início de recuperação em 2010, com expansão de 26,1%.

Produtos

As exportações sergipanas estão concentradas em alguns poucos grupos de produtos, com destaque para o suco de laranja congelado, que respondeu por 44,7% do total das vendas externas de 2010. Outros grupos de produtos importantes são o de calçados e couros e o de açúcar. Sucos, calçados e couro, açúcar e produtos assemelhados respondiam por 93,3% da pauta exportadora de Sergipe naquele ano. Produtos têxteis e material elétrico são ainda itens merecedores de menção no perfil exportador.

Entre os principais produtos da pauta de exportação sergipana, o suco de laranja é que tem encontrado maior dificuldade de deixar a crise para trás, seja por que não há a alternativa de redirecionar as vendas para o mercado interno, seja porque depende essencialmente do consumo dos países ricos, ainda enredados em processos recessivos.

As exportações de calçados e couros apresentaram uma notável recuperação em 2010, impulsionadas pelo aumento da produção das unidades industriais que foram instaladas no interior do Estado. As exportações sergipanas deste setor, depois de subirem de US$ 7,6 milhões, em 2006, para US$ 9,5 milhões, em 2007, alcançaram US$ 14,9 milhões em 2008. Com a crise financeira internacional, em 2009 elas recuaram para US$ 7,6 milhões, mas, em 2010, saltaram para US$ 18,2 milhões, o melhor resultado da série histórica. (Ver Tabela). As exportações sergipanas de açúcar, que haviam sofrido descontinuidade em 2006 e 2007, ganharam um novo fôlego nos últimos três anos, saltando de US$ 6,5 milhões, em 2008, e para US$ 9,8 milhões, em 2010.

Fonte: MDIC/SECEX/ ALICE

Suco de Laranja

O valor das exportações do suco congelado de laranja também iniciou uma recuperação em 2010, mas ainda muito parcial frente à perda dos anos anteriores. Depois de alcançarem US$ 71 milhões, em 2007, recuaram nos dois anos seguintes, atingindo US$ 20,1 milhões em 2009. O valor exportado em 2010 ficou 70% acima do registrado em 2009, ainda que muito abaixo dos resultados obtidos em 2007 e 2008. (Ver Tabela). Mesmo considerando o caráter parcial da melhoria, há motivos para otimismo em relação à recuperação das exportações sergipanas de suco de laranja no futuro próximo.

No gráfico a seguir, a linha demarca o valor médio anual recebido por tonelada de suco congelado exportada por Sergipe e as colunas representam o valor exportado. Em 2007, no melhor ano de exportações sergipanas de suco congelado, o valor médio da tonelada exportada do produto alcançou US$ 1,9 mil. Já em 2008, o preço médio da tonelada exportada de suco caiu para US$ 1,4 mil, despencando novamente, em 2009, para US$ 886/ tonelada.


Fonte: MDIC/SECEX/ ALICE

Em 2010, o valor médio do suco exportado teve uma forte reação, alcançando US$ 1,6 mil/tonelada. Observando-se a trajetória dos anos recentes, nos melhores anos o preço da tonelada exportada se situou acima de US$ 1 mil. Cabe indagar, então, se com a recuperação do preço médio, 2010 terá marcado o inicio de uma nova recuperação das exportações sergipanas de suco de laranja? E com isso, as exportações sergipanas deixarão para trás, em breve tempo, as vicissitudes que as acompanham desde o início da crise financeira internacional?

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

Publicado no Jornal da Cidade em 16/01/2011.


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Crescimento populacional dos municípios sergipanos

Ricardo Lacerda

O IBGE publicou no final do ano passado os primeiros números do Censo Populacional de 2010. Entre os resultados, o que mais chamou a atenção foi o encolhimento da taxa de crescimento da população brasileira, de 1,80%a.a, na década de noventa, para 1,17% a.a, na primeira década do novo século, o que significa que, enquanto nos 10 anos anteriores a população cresceu 19,5%, o incremento restringiu-se a 12,3% na última década. A taxa de crescimento anual da população do Nordeste, de 1,07% a.a., ficou abaixo da média brasileira, mas acima das registradas nas regiões Sul e Sudeste. As expansões mais expressivas na população se verificaram nas regiões Norte e Centro-Oeste, 2,0% a.a e 1,90% a.a., respectivamente.

A população sergipana,em 2010, era de 2.068.031 habitantes, crescimento de 15,9%,em relação aos 1.784.475 residentes em 2000, taxa bem acima das médias nordestina e brasileira. Na região, Sergipe apresentou a segunda maior taxa de crescimento populacional, inferior apenas ao estado do Maranhão.

Municípios

Os municípios que apresentaram maior crescimento populacional na década foram Carmópolis, Barra dos Coqueiros e Canindé do São Francisco, com impressionantes 44,4%, 40,5% e 39,1%, respectivamente. Há importantes forças por trás do crescimento demográfico desses municípios, como a expansão dos gastos públicos impulsionados pelas receitas de royalties de petróleo e gás, no primeiro, de royalties de geração de energia elétrica, no terceiro, e, no caso da Barra dos Coqueiros, a maior integração com Aracaju.

Entre as 15 maiores populações, em 2010, foram pequenas as modificações no ranking municipal, com Itabaianinha ascendendo da 8ª para a 9ª posição, em razão da perda de quatro povoados de Simão Dias para o município baiano de Paripiranga, e a queda de quatro posições de Propriá, superado por Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Capela e Itaporanga d'Ajuda, municípios que conheceram importantes avanços nas atividades agrícolas ou industriais, no período. Aracaju alcançou o notável crescimento de 23,7%, superior mesmo à taxa de Nossa Senhora do Socorro, de 22,1%, e São Cristovão, também na Grande Aracaju, 22,0%.

Fonte: IBGE. Censo Demográfico. Resultado preliminar de 23/11/2010. OBS. O crescimento populacional de Simão Dias foi de fato maior do que esse registrado, considerando a perda de 4 povoados para Paripiranga, na Bahia.

Grandes e médios

O Quadro a seguir associa o ritmo de crescimento populacional e o porte dos municípios, estabelecendo quatro faixas de tamanho e cinco faixas de taxas de crescimento populacional entre 2000 e 2010. Entre os municípios maiores, com 40 mil habitantes ou mais, três apresentaram crescimento populacional superior a 15% na década, todos na região metropolitana, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristovão. Itabaiana, Lagarto e Tobias Barreto registraram expansão populacional superior a 10% mas inferior a 15%, enquanto Estância, com 9,3%, teve a menor taxa de crescimento nesse segmento.

Entre as cidades-pólo, Propriá, com 28.457 habitantes, apresentou o menor incrementopopulacional no período, 3,9%. No segmento entre 20 mil e 40 mil habitantes, oito municípios se situaram nas faixas de crescimento de 10% a 15% ou de mais de 15%, e cinco tiveram incremento entre 5% e 10%.

Pequenos

Entre os pequenos municípios, as situações são mais diversas, com alguns deles tendo apresentado elevadas taxas de crescimento populacional, como São Francisco, Divina Pastora, Rosário do Catete, Gen. Maynard, Carmópolis, Indiaroba, Monte Alegre e Japaratuba, eoutros com baixas taxas ou mesmo redução, comoItabi, Arauá, Japoatã, Canhoba, Neópolis e Santa Luzia. 
Alguns municípios de pequeno porte apresentaram taxas intermediárias de crescimento, entre 5% e 10%,como Malhador, Maruim, Santo Amaro, Brejo Grande, entre outros. Ver a lista completa no quadro citado.


Fonte: IBGE. Censo Demográfico. Resultado preliminar de 23/11/2010. Obs: * O crescimento populacional de Simão Dias foi de fato maior do que esse registrado, considerando a perda de 4 povoados para Paripiranga, na Bahia.

O ritmo de expansão populacional dos municípios pode estar associado a uma diversidade de fatores, como o crescimento econômico do período, a mudança do grau de articulação com centros urbanos mais dinâmicos, ou a implantação de projetos agrícolas ou habitacionais, ou ainda a diferentes taxas de fecundidade. Na primeira década do século, os municípios sergipanos responderem de formas diferenciadas aos estímulos econômicos e sociais: alguns apresentaram expansão notável de população, enquanto outros apresentaram baixo crescimento populacional ou mesmo pequena retração.

Publicado no Jornal da Cidade em 09/01/2011

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Desafios e perspectivas para 2011

Ricardo Lacerda

Confirmando-se a previsão de mercado da semana passada, o crescimento do PIB brasileiro de 2010, de 7,61%, será o mais elevado desde 1985, quando atingiu 7,85%. A produção industrial deverá encerrar o ano com taxa de crescimento acima de 10%, a maior desde 1993, ainda no Governo Itamar. A geração do emprego formal se situará em torno de 2,13 milhões de empregos, o segundo melhor resultado da série histórica do CAGED/MTE, inferior apenas ao de 2007, quando forem criados 2,45 milhões de empregos.

O crescimento do volume de vendas no varejo, 11,09% até outubro, é o melhor da serie histórica iniciada em 2000. A taxa de desocupação de novembro passado atingiu 5,7%, e é também a melhor da série histórica. Muitos outros indicadores do nível de atividade econômica poderiam ser apresentados para caracterizar a excepcionalidade do ano de 2010.

A inquietação natural é se o Brasil poderá repetir em 2011 resultados tão positivos. Um primeiro aspecto a destacar é o de que, após uma expansão exuberante no inicio do ano, o PIB brasileiro vem se desacelerando ao longo de 2010. Depois de ter crescido 2,3% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2009, na série livre de efeitos sazonais, a expansão do PIB desacelerou para 1,8% no segundo trimestre, e para 0,5% no terceiro trimestre.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a expansão do PIB, que havia atingido 9,3% no primeiro trimestre e 9,2% no segundo trimestre, desacelerou para 6,6% no terceiro trimestre. (Ver gráfico 1). A projeção de mercado para o crescimento do PIB em 2011 é de 4,5%.

Fonte: IBGE- Contas Nacionais Trimestrais.

Crescimento potencial
A mudança de patamar de expansão do PIB de 7,61%, em 2010, para 4,5%, em 2011, suscita uma série de questões, relacionadas ao chamado crescimento potencial da economia brasileira. Deve-se considerar que o crescimento de 2010 se deu sobre a base rebaixada de 2009, quando o PIB recuou 0,6%, e o crescimento projetado para 2011 incidirá sobre um patamar elevado.
A noção de crescimento potencial diz respeito à expansão que a economia pode ter sem provocar pressão inflacionária que fuja ao controle ou desequilíbrio que ameace a sustentabilidade das contas externas. Quando o crescimento verificado extrapola esse limite, nem sempre claramente definido, resta às autoridades econômicas puxar o freio de mão da economia por meio das políticas fiscal e monetária, provocando a desaceleração do nível de expansão da atividade.

O crescimento excepcional da economia brasileira em 2010, quando a economia dos países avançados continua estagnada, refletiu às medidas adotadas pelo governo para se contrapor à onda recessiva que a ameaçava. No momento agudo da crise de confiança, ainda em 2008, o governo respondeu com aumento dos gastos públicos e com a redução de impostos sobre o consumo.

Na sequência, a expansão da demanda das famílias empurrou o crescimento da economia. Essa resposta, a única possível naquele contexto, fez com que a demanda corresse à frente da oferta, refletida, no front interno em uma piora nas contas públicas, e, no front externo, em uma deterioração do saldo da conta corrente. Mais recentemente, o governo respondeu com medidas restritivas ao crédito e acenos de redução nos gastos públicos para 2011 para enfrentar o aumento de pressões inflacionárias. O gráfico 2, a seguir, mostra como o déficit nas transações correntes do Brasil com o exterior em doze meses vem se ampliando e os efeitos da pressão de demanda sobre o comportamento do IPCA.

Fonte: IBGE- IPCA; Banco Central do Brasil- Déficit em Transações Correntes

O grande desafio da política econômica brasileira em 2011 é o de manejar gastos públicos, juros e câmbio de forma a assegurar a continuidade nas trajetórias de expansão do emprego e do mercado interno, quando limites externos e internos mais estreitos precisam ser observados.

A conjuntura econômica internacional ainda fragilizada não ajuda, mas o passado recente mostrou que, com responsabilidade, a expansão do mercado interno pode continuar sendo o sustentáculo do crescimento da economia brasileira nos próximos anos. O próximo passo é o de desenvolver inovações financeiras que assegurem a expansão sustentada dos investimentos a fim de alargar o potencial de crescimento brasileiro.

Publicado no Jornal da Cidade, em 02/01/2011
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